HQ transforma lenda amazônica em herói do bem contra o mal

Captura de Tela 2018-03-29 às 10.51.22Codinome: Boto (DataCoop), terceiro livro de André Barroso, traz uma história em quadrinhos inédita de Boto, ajudando a polícia contra um traficante no interior do estado do Rio de Janeiro. A ideia foi construir um personagem inspirado na mitologia brasileira, usando nossas características, e não dos heróis pop americanos, como costuma acontecer em HQs tradicionais. Reza a lenda amazônica que o boto tem a capacidade de se transformar num homem bonito e elegante, que seduz as mulheres nas noites de lua cheia. Depois da noite de amor, ele as abandona, deixando-as à espera de um filho seu. Assim, sempre que aparece alguém cujo pai é desconhecido, as pessoas dizem que se trata de um filho do Boto. O livro traz ainda outras histórias que Barroso publicou em jornais, revistas e blogs. O prefácio é do crítico de cinema e roteirista Rodrigo Fonseca e o projeto gráfico, de Wellington Pereira. André Barroso também é cantor, músico e compositor.

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CCBB RJ apresenta monólogo baseado em conto de Borges

o imortal_ credito Ismael Monticelli_ 462Baseado no conto homônimo do escritor argentino Jorge Luis Borges, o monólogo O imortal estreia no dia 6 de abril no Teatro III Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro), estrelado pela atriz Gisele Fróes, com direção dos Irmãos Guimarães e dramaturgia de Adriano Guimarães e Patrick Pessoa. A história gira em torno de uma mulher que recebe de um antiquário os seis volumes da tradução inglesa da Ilíada, de Homero. Dentro do sexto volume, ela descobre um manuscrito escondido. É o relato autobiográfico de Marco Flamínio Rufo, militar do Império Romano, que, no século III, partiu em busca da Cidade dos Imortais e do rio que purificaria da morte todo aquele que bebesse de suas águas. No decorrer da narrativa, acompanhamos os acontecimentos da desafiadora trajetória do militar. Borges publicou o “O imortal” em 1949 dentro da coletânea de contos O Aleph. O espetáculo, que estreou em Brasília este mês, investiga os múltiplos sentidos da (i)mortalidade na obra do escritor argentino. No processo de pesquisa para a montagem teatral, que começou em meados de 2015, Adriano Guimarães, Gisele Fróes e Patrick Pessoa estudaram a obra do autor, em especial o ensaio A imortalidade, escrito quase 30 anos depois de “O imortal”. A peça terá sessões de quarta a domingo, às 19h30, com ingressos a R$ 20, até 27 de maio.

Foto: Divulgação/ Ismael Monticelli

Histórias e lendas do rio Doce

Uma-historia-dentro-da-outra_CAPA-assessoriaSempre é hora de falar do rio Doce, que cruza parte de Minas Gerais e e do Espírito Santo, que em 2015 foi atingido por um mar de lama, no que se configurou o maior desastre ambiental do Brasil e um dos maiores da humanidade. Em Uma história dentro da outra e Lendas do Rio Doce (Zit), a escritora Geny Vilas-Novas, mineira do Vale do Rio Doce, narra histórias e ‘causos’ de sua infância passadas na região, resgatando a cultura e o imaginário do povo ribeirinho, que vem passando por grandes perdas desde que os rejeitos tóxicos invadiram vários municípios do entorno do rio. São histórias como a do filho do caçador, que ficava sob os cuidados de um cão enquanto o pai saía para caçar; do Capeta que se transforma num gato preto para desmantelar a vida de um casal feliz; ou do menino que caiu dentro do rio e que o pai transformou num peixe enorme de escamas douradas. Entremeadas a essas lendas, as histórias da meninice no sítio. Lembranças da alegre convivência em família, com direito a telescópio feito de argila, expectativa ante um ovo de ema, quadro da Mona Lisa que dá medo. Ilustrações de Flávio Colin, craque do desenho que nos deixou em 2002. Os direitos autorais do livro e parte dos direitos da editora serão doados para a recuperação do rio Doce.

Rodrigo Lacerda fala de seu processo de criação em evento gratuito em SP

unnamedA série Encontro com os escritores, ciclo de conversas da Universidade do Livro (Praça da Sé, 108, 7º andar, esquina com rua Benjamim Constant – São Paulo) recebe nesta quarta-feira das 19h às 21h o premiado escritor, tradutor e editor Rodrigo Lacerda. É a oitava edição do encontro e a primeira deste ano. Lacerda vai falar sobre sua carreira, processo de escrita, vida pessoal e autografar seus livros. Ele é autor, entre outros, de O fazedor de velhosOutra vida Hamlet ou Amleto? Shakespeare para jovens curiosos e adultos preguiçosos. O evento será mediado pelo jornalista Paulo Werneck. As inscrições gratuitas podem ser feitas em http://editoraunesp.com.br/unil/serie-encontro-com-os-escritores-rodrigo-lacerda-28032018?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Encontro+com+Rodrigo+Lacerda

Histórias de mulheres saem dos livros para virar poemas visuais e digitais

Capa_Mabel_3-728x444O Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro 63 – Flamengo – Rio de Janeiro) inaugura logo mais, às 19h, a exposição Cartas, de Mabel Velloso. Com curadoria de Alberto Saraiva, a mostra reúne cartas publicadas no livro Cartas de dor, cartas de alforria (Oiti, 2004), que falam da dor do amor, da prisão da alma feminina e de sua libertação. No livro, Mabel transforma em cartas 40 histórias femininas – a maioria delas recolhida em sua cidade natal, Santo Amaro da Purificação (BA). Para a mostra, dez escritoras gravaram esses textos, emprestando suas vozes à poesia de Mabel em projeções de grande porte, misturadas a imagens de Salvador e Rio de Janeiro, que vão ocupar a Galeria 1 do Oi Futuro. A mostra faz parte da quinta temporada do Programa Poesia Visual e Digital. Aos 84 anos, a baiana Mabel Velloso, irmã de Caetano Veloso e Maria Bethânia, tem mais de 30 livros publicados, diversas composições para a MPB e uma longa trajetória na Educação, tendo lecionado por mais de quatro décadas em escolas públicas na Bahia. Inspirado nas ideias da escritora, o projeto Poesia Visual e Digital vai levar a arte de escrever cartas a estudantes da rede pública do Rio. No Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, o projeto vai promover encontros com o curador Alberto Saraiva e professores de literatura, em que jovens de ensino médio vão criar suas próprias cartas, a serem postadas para a própria Mabel. Como parte do projeto, a escritora vai responder todas delas, que serão apresentadas ao longo da exposição. Cartas pode ser vista de terça a domingo, das 11h às 20h, com entrada franca, até o dia 27 de junho. Na noite de abertura, o Centro Cultural Oi Futuro fará uma projeção a céu aberto do poema inédito “Rio de Janeiro”, criado por Mabel especialmente para a ocasião, em que ela faz uma reflexão sobre a situação atual do Rio. Confira o poema:

No céu da Cidade o sol se esconde

Os olhos fitam os raios se apagando

E eis que aparece lá, brincando

Uma estrela que sinaliza luz e cor

Uma prece soa sobre a tarde

Pedindo um dia novo sem maldade

E o sol arde com vontade de atender

Mas já é noite. O sol perdeu seu brilho

E a prece escorre procurando o trilho

De esperança que foi jogado no azul

A reza repetida traz uma luz acesa

Uma certeza se estende no horizonte escuro

A noite se espalhou atrás das pedras

A Cidade escureceu e foi dormir

A esperança teima, espera e reza

Um outro dia vai nascer. A prece cresce:

Sol! Traga a paz que anda perdida atrás do muro.

Poemas que se interligam como em um disco

Captura de Tela 2018-03-26 às 10.16.00As referências musicais já começam pelo título: Baião de 2 (7 Letras). O livro reúne poemas de Leoni e Mauro Santa Cecília, parceiros que vêm promovendo oficinas de poesia permeadas pelas vivências musicais dos autores-compositores. O primeiro, conhecido desde os anos 1980, como integrante do Kid Abelha. O segundo, principalmente pela letra de Por você, gravada nos anos 1990 pelo Barão Vermelho mas que já foi parar até em comerciais de tevê. No livro, os dois apresentam poemas que se interligam e que só são creditados no final. Interessante tentar adivinhar na leitura quem escreveu qual verso. Há algumas pistas, como “o gozo de um espanto/ para as próximas letras” ou “O poema fugiu de mim/ nos camarins,” mas alguns parecem mesmo ter sido feitos a dois, como na música. Se um faz o poema “Jazz”, o outro responde com “Blues”, e a imagem das “águas de um fio d’ água” passa de um para o outro. Poderia ser um velho LP, com dois lados distintos, mas assim como os temas dos nosso dias, Leoni e Mauro Santa Cecília estão aqui e agora para ser lidos de forma compartilhada, enriquecendo a experiência do leitor.

Os livros da vida de “Oliver Rei”

Oliver Rei

Em sete meses, ele teve a primeira parte de seu romance Um segredo vulgar baixada 20 mil vezes, se tornando o sétimo título mais pedido gratuitamente no Google Play Brasil no gênero literatura erótica. O livro sobre uma apimentada brincadeira a três, que começou a ser publicado pela Bibliomundi, plataforma de autopublicação de e-books, ganhou uma segunda parte por apenas R$ 1 e a terceira e última custando R$ 3,50. Quem seria Oliver Rei, 30 anos, um brasiliense que se esconde atrás de um pseudônimo? Aqui, ele conta um pouco sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

OR – Minhas primeiras leituras foram as histórias em quadrinhos. Lembro-me quando a minha mãe comprava revistinhas da Turma da Mônica ou do Tio Patinhas e eu as levava para tudo quanto é lugar, imaginando “viver” entre os personagens, suas aventuras e os diálogos. Eu era um “pequeno viciado”, tanto que eu tinha uma caixa de papelão com os meus “tesouros”, lendo e relendo, revistas em bancas de jornais, sempre procurando as edições que eu não tinha. Como eu não sou lá muito bom de memória, a minha outra lembrança são os livros “Para gostar de ler” nos tempos de colégio. Eu era fascinado por esses livros. Não sei se li todos, mas a cada volume eu procurava os livros dos autores e continuava a ler contos, crônicas, histórias de detetive, de humor, de autores estrangeiros, enfim, fui conhecendo vários nomes e me tornando fã de alguns cronistas e contistas.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

OR – Olha, eu nunca pensei em ser escritor. Ou seja, eu não “nasci” com esse “dom” e nem pensava nisso como “profissão” ou futuro quando era criança ou adolescente. A verdade é que eu sempre fui um leitor e nunca houve um “sonho” em escrever um livro ou ser o escritor, até eu conhecer os livros de Martha Medeiros, Charles Bukowski, Nelson Rodrigues e suas biografias, assim como de vários outros escritores, como Balzac, Salinger, Poe, Jane Austen, Saramago, Vargas Llosa, Dostoiévski e outros tantos. Percebi, lendo, principalmente os três primeiros autores, que eu tenho vontade de criar mundos e histórias, personagens que tornam-se reais, de escrever para o entretenimento, para a mais pura diversão, ou seja, eu quero “tirar” da realidade, dura e cruel, quem lê meus livros.

SM – O que você está lendo agora?

OR – Então. Alguns poucos livros ao mesmo tempo. Livros que “ensinam” a escrever, tais como: Sobre a escrita, de Stephen King, Grande Magia, de Elizabeth Gilbert, Palavra por palavra, de Anne Lamott, A bíblia do escritor, de Alexandre Lobão, e Escrever melhor, de Dad Squarisi. Para, abrir a mente, A sutil arte de ligar o foda-se (de Mark Manson) e para relaxar em alguma fila, A vida como ela é, de Nelson Rodrigues.