Sumiço de estátua é o ponto de partida de nova série investigativa para jovens leitores

image006O sumiço de uma grande estátua de bronze, que enfeitava a praça do condomínio, é o pretexto para a aprendiz de detetive Cecília iniciar uma investigação com seus amigos. E é também investindo na curiosidade em solucionar um enigma que o escritor Luis Eduardo Matta busca estimular novos leitores, em Detetive Cecília e a águia de bronze (Editora do Brasil), nova série de aventuras. “Como leitor adolescente de séries, não foi à toa que me tornei um escritor de séries para adolescentes”, diz o autor, que publicou seu primeiro livro com 18 anos. Com ilustrações de Fábio Sgroi, o livro começa quando a grande águia de bronze desaparece do chafariz da praça do condomínio e a protagonista resolve então solucionar o caso com seus amigos. Construído numa antiga fazenda, o condomínio possui a Casa Velha, antiga sede da propriedade, onde os personagens fazem incursões e descobrem o mistério que envolve o sumiço da estátua. Com personagens de diferentes idades e grupos sociais diversos, a narrativa abraça temas como ética, cidadania, sociabilidade, amizade e justiça.

 

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Coletivo de poesia celebra cinco anos com novo espetáculo em São Paulo

poetas ambulantes_foto_renata armelinSem palco e sem microfone, os Poetas Ambulantes celebram cinco anos de atuação na capital paulista às quartas e quintas-feiras no Sesc 24 de Maio (Rua 24 de Maio, 109 – República – São Paulo). O espetáculo gratuito, com novo repertório, pode ser conferido nos dias 27 e 28 de setembro e 04 e 05 de outubro. Inspirados nos vendedores ambulantes que atuam nos transportes públicos, comercializando diferentes produtos, o grupo composto por seis poetas aposta na informalidade e na interatividade, distribuindo poemas impressos e declamando versos que discutem sobre política, feminismo, amor, fé e humor, contando com a energia do público, que influencia o ritmo do sarau ambulante.

No Sesc, sob a direção do poeta e ator Beto Belinatti, o coletivo composto por Mel Duarte, Carol Peixoto, Jefferson Santana, Mari Staphanato e Thiago Peixoto traz textos autorais e de outros autores, explorando as possibilidades da linguagem poética, com uma nova roupagem para as apresentações, trabalhando repertórios reconstruídos e divididos em temas.

Em Essepê, os textos de Daniel Minchoni, Miró da Muribeca, Racionais, Adoniran Barbosa e Marcelino Freire, entre outros, traduzem a cidade de São Paulo, com todos seus amores e desamores, reproduzindo o caos e as causas que vivem nela. Com Respeita as minas, o grupo propõe um momento de reflexão em torno do universo feminino, falando de feminismo e discutindo sobre machismo, com textos de nomes como Elisa Lucinda, Alice Ruiz, Anelis Assumpção e Itamar Assumpção.

Desde que foi criado, em 2012, o Poetas Ambulantes já realizou mais de 100 apresentações por todo o país,com destaque para as passagens por festivais como Festa Literário Internacional de Paraty, Festa Literária de Pernambuco (Fliporto) e VI Bienal de Jovens Criadores dos Países de Língua Portuguesa em Salvador (BA). Em São Paulo, o coletivo já rodou todas as linhas da CPTM e do metrô, bem como as principais avenidas. Além disso, uma vez por ano, sempre no mês de dezembro, os Poetas Ambulantes distribuem livros em locais públicos. Nesses cinco anos, já entregaram cerca de 3 mil exemplares de mão em mão. Para celebrar o aniversário, o grupo prepara agora um documentário.

Foto: Divulgação/ Renata Armelin

Luiz Antonio Aguiar: “Esforço para ganharmos voz na decisão de questões importantes para os autores”

luizContinuamos com a série de entrevistas com os presidentes da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), que está completando 18 anos. Quem conta agora um pouco dessa trajetória é Luiz Antonio Aguiar, presidente da associação em dois mandatos, de 2003 a 2005 e de 2005 a 2007. Escritor, professor de literatura, palestrante e consultor editorial, tem vários livros publicados e vários prêmios, entre eles dois Jabutis. Na gestão dele, foram criados os boletins informativos da entidade, que podem ser acessados em http://www.aeilij.org.br/boletins.

SM – O que é a AEILIJ pra você?

LAA – Acima de tudo uma oportunidade de unirmos forças para causas comuns, profissionais e políticas, e para democratização da LIJ. Sempre vi a AEILIJ como um espaço que pode concentrar esforços para fazermos coisas acontecerem.

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

LAA – Creio que a AEILIJ ganhou uma projeção política importante naqueles anos. Tinha a ver com o momento que o país passava, com um certo otimismo em relação ao que tínhamos pela frente, mas também com um esforço de todos os que participavam da entidade no sentido de ganharmos voz nas diferentes instâncias de decisão de questões importantes para os autores, a LIJ, a Literatura.

SM – Conte um pouco sobre as reuniões com o MEC, das quais vocês passaram a participar.

LAA – A AEILIJ passou a ser chamada para essas reuniões, e escutada, tanto no MEC quanto nos espaços criados a partir dali. Mais uma vez, era um outro momento no país. Tínhamos posições políticas claras, focadas na questão da democratização da literatura, a partir de nosso I Encontro Nacional, e ali houve ocasião de defendê-las. Se o país não tivesse desandado, acredito que continuaríamos dispondo desses espaços para discutir as políticas públicas em relação à Literatura. Faz falta algo assim hoje em dia e é uma luta que teremos cedo ou tarde de retomar. Não dá para os autores se isentarem, se distanciarem, dessas decisões.

SM – E como foi esse I Encontro Nacional AEILIJ, em novembro de 2003?

LAA – A ideia era unificar visões, termos propostas. Sentíamos, na Diretoria e nos debates da Associação, que logo precisaríamos de posições mais definidas sobre as políticas públicas em relação à Literatura e mesmo sobre nossas especificidades profissionais. Por exemplo, pode parecer pouco, mas não foi, a definição do “autor”, na AEILIJ, incluindo tanto o ilustrador como o escritor, nesse termo. Daí, decorreram desdobramentos importantes para nossa atuação. Mas houve muito mais. Foram dois dias de mesas e debates específicos, em São Paulo, com uma produção caprichada dos associados de lá. Na ocasião, nossa coordenadora era a Silvia Cintra Franco. Chamamos inclusive outras entidades próximas para o debate. Foi bastante produtivo.  

SM – Como foi a mudança da gestão do Rogério Andrade Barbosa, primeiro presidente da associação, para a sua?

LAA – Tranquilíssima. Quase uma continuidade. O Rogério Andrade Barbosa foi o sujeito que teve a ideia da AEILIJ e saiu por aí, percorrendo feiras, bienais, salões, estados, conversando com os autores. Naturalmente, foi nosso primeiro presidente. Eu fazia parte da chapa. E o Rogério se manteve na diretoria durante o meu mandato. Até hoje, sempre conversamos muito sobre questões do ofício.

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Nova série de literatura fantástica

ebookcover_35O Império de Yxor é o cenário de Lobo e gelo (Chiado), primeiro volume da série O Legado da Ruína, que será lançado logo mais, às 19h, na Livraria da Travessa de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572 – Rio de Janeiro). A história criada pelo médico William Tannure, fascinado pela cultura nerd, mostra a união entre um herói e a herdeira do maior dos rebeldes, que gera três príncipes de personalidade e objetivo diferentes: Regnar, o mais velho e herdeiro do trono, luta contra as vontades de seu pai para tentar seguir seu caminho; Arcaedas, um feiticeiro talentoso e arrogante, assolado por uma enfermidade que o privou do sentido da visão; e Syric, um jovem confuso, com o presente e o futuro envoltos em dúvidas e mistérios. Cada um deles parte em busca de sua jornada pessoal, motivada por ambições e vontades particulares.

 

 

 

A poesia além do verso

image002Autor de Impreciso (2011) e À deriva (2005), Omar Salomão traz em Pequenos reparos (José Olympio) poemas que falam do tempo e do lugar, em um trabalho visual cheio de frescor, que mistura também desenhos, fotografias e textos manuscritos, rabiscados, grafitados. “As narrativas vão se entremeando, a poesia pode ir além do verso”, ele diz. O livro foi escrito parte em uma residência artística na ilha de Itaparica, na Bahia, e parte em São Paulo, onde o poeta e artista plástico carioca morou, o que se reflete nos versos e na belíssima capa, do próprio autor. “Toda minha calma vem do mar”, escreve. Confira um dos poemas:

 

o vidro ultrapassa a bala

o vidro transformado em tiro

ultrapassa a bala

o tiro transformado em ar

transformado em risco transformado em vidro

ultrapassa

 

Tradução de Ana C. para conto de Katherine Mansfield inspira espetáculo

Êxtase Anotado (1)O espetáculo-instalação Êxtase anotado, de Cristina Flores e Letícia Monte, apresenta na Sala Multiuso do Sesc Copacabana (Rua Domingos Ferreira, 160) uma nova percepção sobre a tradução-tese de Ana Cristina Cesar para o conto “Bliss”, de Katherine Mansfield. A montagem é formada por duas instalações penetráveis sobrepostas: a primeira é sonora e imersiva, enquanto a segunda é espacial. A sonora faz uso de uma tecnologia de cinema, fazendo com que a narração de Alamo Facó, Branca Messina, Drica Moraes, Ismar Tirelli Neto, Lola Sanchez, Mateus Solano e das duas autoras se movimente tridimensionalmente; e a espacial é constituída por uma grande mesa plantada – um jardim de plantas-coração, um ‘viveiro-célula’ inspirado no conceito de Cells da artista Louise Bourgeois e na experiência dos penetráveis de Helio Oiticica – em que o público se senta ao redor. “Bliss”, publicado em 1918, fala sobre as mulheres e seus sentimentos diante da norma e da opressão. Em 1981, a poeta Ana Cristina Cesar traduziu o conto como trabalho final de mestrado na Universidade de Essex, na Inglaterra. O espetáculo tem orientação de pesquisa de Heloisa Buarque de Hollanda e direção de movimento Ana Vitoria. As apresentações podem ser conferidas às sextas e sábados, às 19h e aos domingos às 18h até 1 de outubro. Ingressos a R$ 25.

 

 

Rogério Andrade Barbosa: “Somos uma categoria mais unida e mais forte”

rogerioProfessor, escritor e contador de histórias, Rogério Andrade Barbosa não hesita em lembrar que a união faz a força para falar da criação da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), que está completando 18 anos. Para marcar a maioridade, iniciamos com ele uma série de entrevistas com os presidentes da associação, para contar um pouco dessa trajetória. Autor de mais de 90 livros, ele foi o primeiro a comandar a casa em dois mandatos, de 1999 a 2001 e de 2001 a 2003.

SM – O que é a AEILIJ pra você?

RAB – A AEILIJ é a concretização de um sonho antigo, ou seja, a de criar uma associação que tivesse como objetivo defender os direitos e os interesses de nossa categoria. E foi assim que, após inúmeros contatos, viagens e reuniões, realizamos uma histórica assembleia (foto abaixo) no auditório da Casa da Leitura (sede do Proler no RJ), no dia 30 de junho de 1999, na qual foi eleita a nossa primeira diretoria.

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

RAB – O grande destaque da minha gestão, acredito, foi dar o pontapé inicial para unir a nossa classe de escritores e ilustradores de literatura infantil e juvenil.

SM – Você foi o primeiro presidente da AEILIJ. Qual foi o principal desafio no começo?

RAB – O grande desafio foi convencer os autores da necessidade de termos uma associação que nos representasse a nível nacional. Um trabalho de formiguinha, nos reunindo, a princípio, em casa de um e outro no Rio e em vários estados do Brasil, numa verdadeira cruzada para conseguirmos adesões à nossa inciativa.

SM – O que você deixou de legado para a gestão seguinte?

RAB – O principal legado foi estabelecer uma base, de modo que as novas diretorias pudessem ampliá-la. Nesse longo caminho, conseguimos, ao longo dos últimos anos, firmar parcerias e alianças importantes com outras instituições, dando uma visibilidade cada vez maior à nossa associação. Foram muitas conquistas das quais me orgulho bastante. Valeu a luta, pois hoje somos uma categoria mais unida e mais forte, pois sempre acreditei no velho chavão de que a união faz a força.

 

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