Laerte debate diversidade cultural e liberdade de expressão no Fórum das Letras

forum das letrasLaerte Coutinho, cartunista e chargista, é a mais nova confirmação do Fórum das Letras de Ouro Preto, ciclo de debates literários que será realizado entre os dias 4 e 8 de novembro na cidade barroca mineira. A participação de Laerte contribui com as discussões propostas pela temática Diversidade Cultural e Liberdade de Expressão, que norteará o evento em 2015. Considerada uma das artistas mais importantes na área no país, Laerte colocou a transexualidade na pauta brasileira ao assumir sua identidade feminina. A conversa será mediada pelo diretor da revista Piauí, Fernando de Barros e Silva.

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Clima étnico para colorir e preencher a alma com vibrações afro-brasileiras

450xNUm livro para colorir que mistura moda, mitologia e proteção. Assim é Quintal étnico – Cores e vibrações afro-brasileiras (Babilonia Cultura Editorial), novidade para quem gosta de usar a criatividade por meio de lápis de cor e hidrocores, mas também busca um conteúdo diferente. Aqui, além de usar as cores, há uma série de informações sobre amuletos, totens, máscaras, estampas, joias, adornos de cabeça e peças de vestuário de inspiração africana, bem como simbologia inspirada nas deusas afro-brasileiras e suas representações em animais, grafismos, texturas, mandalas, objetos, flores, frutas e elementos da natureza desde a origem da vida até looks de moda étnica contemporânea. Os autores são a designer Julia Vidal, especializada em moda étnica (que já lançou pela mesma editora O africano que existe em nós, brasileiros, livro que busca identificar as raízes africanas na cultura brasileira, tendo como fio condutor a arte africana e sua influência na moda e no design afro-brasileiros), e o designer e ilustrador Rafael Nobre, ilustrador de livros como Eros e psique (Rovelle), Amor de menino (Galerinha) e Os detetives do prédio azul (Zahar). O tema territórios culturais norteia o catálogo da Babilonia. O projeto editorial mapeia culturas, história, memória, gastronomia, design, ficção, arte, sociedade e personagens. O ponto de partida do catálogo é o mesmo conceito da criação da empresa, uma babel de cultura e conhecimento.

Duas peças inspiradas em literatura

6 modelos para jogar
6 modelos para jogar

O jogo da amarelinha, clássico de Julio Cortázar, foi a inspiração para 6 modelos para jogar, espetáculo que estreia nesta quinta-feira no Espaço Sesc (Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana – Rio de Janeiro). O ator, dramaturgo e diretor teatral Alex Cassal e a coreógrafa e bailarina Dani Lima (fundadora da Intrépida Trupe) tiveram a ideia de reunir artistas de diferentes perfis com o desafio de criar um espetáculo imprevisível, e ao mesmo tempo coletivo. Como um jogo. “O perfil aventureiro e experimental do Cortázar, que explodia a linguagem e a narrativa de todas as maneiras possíveis, teve muita influência na minha geração. A ideia da linguagem como um jogo que nos coloca diante do outro e testa as possibilidades de encontrar-se e perder-se”, explica Cassal. Cortázar, no entanto, funciona como uma peça de um jogo. O público não encontrará citações ou os personagens do autor. A temporada vai até 25/10, de quinta a sábado às 19h e domingos às 18h. Ingressos a R$ 20.

O menino que brincava de ser
O menino que brincava de ser

Outro espetáculo inspirado na literatura é o infantil O menino que brincava de ser, que inicia no sábado nova temporada no Teatro Cândido Mendes (Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema – Rio de Janeiro). Com a chancela de Espetáculo Recomendado pelo Centro de Pesquisa e Estudo do Teatro Infantil (CEPETIN), a montagem é inspirada no livro homônimo de Gerogiana Martins, em sua quarta edição pela DCL. De maneira lúdica e bem-humorada, a peça apresenta questões atuais presentes no universo familiar e escolar das crianças:  o respeito à diversidade, o direito à liberdade de expressão, o bullying e o questionamento de limites e padrões socialmente impostos. Criação da Pandorga Companhia de Teatro, o espetáculo tem dramaturgia e direção de Cleiton Echeveste. Até 01/11, aos sábados e domingos, às 17h, com ingressos a R$ 40.

Esmiuçando as finas flores da MPB

capafrentefinasflores (1)Nesta quinta-feira, o pesquisador Jorge Marques lança seu terceiro livro, Finas flores – Mulheres letristas na canção brasileira (Oficina Raquel), em que investiga o papel de algumas mulheres imprescindíveis no universo da MPB, que costuma fornecer pistas para conhecermos o país e a maneira como ele se enxerga e se transforma. O gênero, no entanto, não conseguiu se livrar do predomínio masculino que se vê em muitas outras áreas menos ou nada artísticas, e à grande quantidade de cantoras não corresponde um número significativo de mentes femininas por trás das melodias e letras que tanto ouvimos. Neste livro, Jorge Marques investiga as razões do fenômeno e convida algumas das maiores compositoras brasileiras para o centro da cena. Vai agradar aos amantes da nossa música, aos interessados em problemas de gênero, aos que se preocupam com a história da cultura brasileira e aos que estão em busca simplesmente de encontrar uma leitura das belas canções dessas autoras. O lançamento será às 19h na Livraria da Travessa de Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 97).

Destaque infantojuvenil

11082015143702_contos_mamae_gansoA Cosac Naify lança na íntegra, da forma como publicado em 1697, Contos da Mamãe Gansa ou histórias do tempo antigo, obra-prima do francês Charles Perrault. Os leitores poderão revisitar histórias como O Gato de Botas, Chapeuzinho Vermelho e Cinderela ou A Gata Borralheira em versões originais, um tanto diferentes dos contos de fada que se perpetuaram até nossos dias, e ainda se surpreender com contos menos familiares, como Riquet, o Topetudo e Pele de Asno – este, conhecido por um clássico do cinema de 1970, protagonizado por Catherine Deneuve com direção de Jacques Demy. As ilustrações do estúdio espanhol Milimbo trazem uma técnica diferente para cada um dos nove contos. A tradução é de Leonardo Fróes.

Contos trazem narrativas em primeira pessoa

meninosNesta terça-feira, o jornalista Renato Lemos lança Enquanto nossos meninos dormem (Oito e Meio), volume de contos que reúne 12 histórias em primeira pessoa, 11 escritas por homens e uma por uma mulher, narradores  jovens, velhos, pais, filhos. As narrativas falam de relacionamento humano em várias leituras,  dos desconfortos, dos descaminhos, das frustrações, misturando humor e ironia. Na primeira, “O livro dos recordes”, narra um dos encontros do protagonista com a filha, que acontecem sempre em lugares públicos e acompanhados por um oficial de justiça. Renato também é autor de Inventores do carnaval (Coleção Cadernos de Samba), com perfis de nove criadores nas escolas de samba do Rio de Janeiro. O lançamento de Enquanto nossos meninos dormem será na sede da Oito e Meio, no Rio (Travessa dos Tamoios, 32-C – Flamengo), às 19h.

Três perguntas (e uma bônus) para Arthur Dapieve

DSC00560O escritor e jornalista Arthur Dapieve, colunista do jornal O Globo, vai ministrar agora em outubro uma oficina de crônica na Estação das Letras, no Rio de Janeiro. As inscrições já estão abertas pelo endereço www.estacaodasletras.com.br. Aqui, ele adianta como serão as aulas e fala um pouco sobre esse gênero superbrasileiro.

SM – Como vai ser essa oficina de crônica?

AD – Na primeira aula, eu traço um panorama formal e histórico desse gênero. que há quem diga que só existe no Brasil. Na segunda, discutiremos características que encontramos no trabalho de alguns cronistas selecionados. Na terceira, comento os textos que os alunos me terão entregado na segunda aula. A ideia é dosar teoria, experiência e prática nas três aulas. Paralelamente, os alunos lerão quatro crônicas a fim de analisarmos em sala.

SM – A crônica é considerada um gênero essencialmente brasileiro, mas há quem diga que é uma literatura menor. Qual é a sua opinião?

AD – Como diz o Antonio Cândido, não sem ironia, ainda bem que é menor… Isso a deixa livre e leve para tratar de coisas que a “grande literatura” desprezaria (embora seu sucesso, no Brasil, tenha influenciado gêneros mais extensos e até a poesia). Ou seja, não acho um gênero menor, não, a não ser no tamanho dos textos, claro.

SM – Há subgêneros dentro da crônica – por determinados assuntos ou por estilos de cronistas, por exemplo?

AD – Vejo três vertentes mais claras na crônica. A principal, mais evidentemente literária (de um Rubem Braga, de um Machado), mas também a esportiva (de um João Saldanha, de um Nelson Rodrigues) e a política (de um Carlos Castello Branco, de um Villas-Boas Correa). São tão distintas que as últimas duas às vezes nem são consideradas crônicas… Mas são! Em comum, as três têm a linguagem mais acessível e a ligação com os tempos que correm.

SM – Só para descontrair (e porque também sou botafoguense): quando enfim voltar para a primeira divisão, o Botafogo vai merecer de você uma crônica especial?

AD – Certamente! Não podemos nos dar ao luxo de perder um assunto desses… Agora, felizmente, é apenas questão de tempo mesmo para escrevê-la. Houve um momento do campeonato em que temi que fôssemos permanecer ao menos mais uma temporada na segunda divisão. Mas esse pessimismo também é próprio da nossa natureza.