Os livros da vida de Pedro Gabriel

dst_pedro-gabrielAutor de Eu me chamo Antônio e Segundo – Eu me chamo Antônio, o escritor Pedro Gabriel vai estar neste sábado na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Ele vai bater um papo comigo no espaço Cubovoxes, no pavilhão verde, às 17h, para falar sobre sua capacidade singular de olhar para o mundo de um jeito poético, descobrindo coisas que parecem óbvias. Aqui, ele conta um pouco sobre as leituras que o emocionaram.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

PG – Os quadrinhos em francês. Eu passei minha infância no Chade, um país no meio da África que é uma antiga colônia francesa, então as páginas da minha vida se alternavam com as páginas do que eu tinha acesso. Eu tinha a coleção quase completa de Tintin e de Astérix e Obelix e, mesmo sem ainda saber ler direito, aquela sequência de imagens coloridas me encantava. Entrei no mundo das palavras por causa dos desenhos (risos).

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

PG – Meu primeiro contato literário foi com as revistas da Turma da Mônica que meu avô sempre trazia quando voltava do trabalho. Essas tirinhas bem-humoradas, sem dúvida, me marcaram muito. Acho que o primeiro livro que realmente me fez querer ler até o final foi Capitães da areia, do Jorge Amado. Eu li na época da escola, um pouco depois de voltar ao Brasil. Eu fiquei encantado pelo universo do Pedro-Bala, Sem-Pernas, Volta-Seca, Boa-Vida… Enfim, por esse grupo de meninos que se escondiam em um armazém abandonado de uma praia baiana. Talvez por ter morado numa ilha por seis anos (na Ilha de Santiago, em Cabo Verde), essas imagens faziam muito sentido pra mim, pra minha infância. Foi o primeiro livro que li em português. Não é meu livro preferido, mas é um livro que tenho um carinho especial e estará sempre na prateleira do meu quarto.

SM – O que você está lendo agora?

PG – Eu tenho a estranha mania de ler várias coisas ao mesmo tempo.  Minha leitura acaba sendo um mash-up literário de tudo o que leio no momento. Na minha cabeceira agora estão os exemplares de: Nu, de botas, do meu cronista preferido, Antonio Prata; o romance Jesusalém, de Mia Couto; e Amor líquido, de Zygmunt Bauman. Vamos ver o que sairá dessa mistura. Acredito que criatividade seja uma forma inteligente de organizar as coisas que a gente absorve do mundo, seja pela leitura, seja pela música, seja por um filme, seja por uma conversa em alguma mesa ao lado. O livro que me dá mais significados e mais referências é Sentimento do mundo, do Drummond. É minha Bíblia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s