Três perguntas para Roberto Menezes

Roberto MenezesEm Julho é um bom mês pra morrer (Patuá), uma mulher em um apartamento que, em breve, será demolido, vítima da especulação imobiliária que tomou conta de João Pessoa, escreve uma carta de despedida para a mãe. O romance é o quinto livro de Roberto Menezes, pernambucano que se sente paraibano, doutor em Física pela Universidade Federal da Paraíba e professor na mesma instituição. O lançamento será neste sábado às 19h, em São Paulo, no Canto da Madalena (Rua Medeiros de Albuquerque, 471 – Vila Madalena).

SM – Como surgiu a ideia de escrever um livro em que a protagonista, no momento em que tudo dá errado, decide escrever para a mãe que a abandonou ainda criança?

RM – Eu quis escrever um livro de memória escrito às pressas. Como se Laura, a protagonista, estivesse no corredor da morte e esta situação limite forçasse ela a rever momentos chaves de sua vida. Na verdade, trato a maneira de ela narrar como um confessionário ou uma sessão de terapia extrema; os pedaços de um quebra-cabeça que ela vai resgatando da memória teimam em não se encaixar, como se isso fosse possível. A ideia surgiu depois de conversas com amigos de minha geração, muitos deles insatisfeitos por suas escolhas profissionais. Somos todos filhos de uma geração que ainda acreditava que um diploma universitário seria garantia de sucesso profissional. Conheço muita gente que simplesmente desistiu de tentar e se “aprisionou” em seus quartos e criou pra si personagens virtuais que vivem de seus sucessos virtuais, likes, comentários e compartilhamentos. Para Laura, tem um momento que isso chega a uma situação insustentável, e é o que faz que ela comece escrever esta carta para mãe.

Capa Julho é um bom mêsSM – A personagem é uma blogueira e o pano de fundo, a virada do século. De que forma a internet interfere na narrativa?

RM – A internet pouco interfere na narrativa porque Laura busca em suas memórias os momentos onde ela se perdeu. E lá pra 1999, a internet não tinha tanta força quanto hoje. 

SM – Qual o objetivo do Flipobre, festival literário do qual você é um dos criadores, realizado por meio de chat ao vivo?

RM – A Flipobre é um festival literário virtual. Em dezembro do ano passado, eu e Diego Moraes convidamos algumas pessoas do Brasil inteiro com o objetivo de discutir literatura. Não só escritores; educadores e acadêmicos também se somaram. Como o próprio nome diz, Feira Literária dos Pobres. Queremos dar voz a pessoas que fazem trabalhos legais mas estão fora do circuito oficial das feiras literárias. A proposta da Flipobre é simples: um dia inteiro de mesas redondas virtuais. A Flipobre 2015 será no dia 1 de novembro e começará quase exatamente de 13h30, sem hora para acabar.

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