Três perguntas (e uma bônus) para Arthur Dapieve

DSC00560O escritor e jornalista Arthur Dapieve, colunista do jornal O Globo, vai ministrar agora em outubro uma oficina de crônica na Estação das Letras, no Rio de Janeiro. As inscrições já estão abertas pelo endereço www.estacaodasletras.com.br. Aqui, ele adianta como serão as aulas e fala um pouco sobre esse gênero superbrasileiro.

SM – Como vai ser essa oficina de crônica?

AD – Na primeira aula, eu traço um panorama formal e histórico desse gênero. que há quem diga que só existe no Brasil. Na segunda, discutiremos características que encontramos no trabalho de alguns cronistas selecionados. Na terceira, comento os textos que os alunos me terão entregado na segunda aula. A ideia é dosar teoria, experiência e prática nas três aulas. Paralelamente, os alunos lerão quatro crônicas a fim de analisarmos em sala.

SM – A crônica é considerada um gênero essencialmente brasileiro, mas há quem diga que é uma literatura menor. Qual é a sua opinião?

AD – Como diz o Antonio Cândido, não sem ironia, ainda bem que é menor… Isso a deixa livre e leve para tratar de coisas que a “grande literatura” desprezaria (embora seu sucesso, no Brasil, tenha influenciado gêneros mais extensos e até a poesia). Ou seja, não acho um gênero menor, não, a não ser no tamanho dos textos, claro.

SM – Há subgêneros dentro da crônica – por determinados assuntos ou por estilos de cronistas, por exemplo?

AD – Vejo três vertentes mais claras na crônica. A principal, mais evidentemente literária (de um Rubem Braga, de um Machado), mas também a esportiva (de um João Saldanha, de um Nelson Rodrigues) e a política (de um Carlos Castello Branco, de um Villas-Boas Correa). São tão distintas que as últimas duas às vezes nem são consideradas crônicas… Mas são! Em comum, as três têm a linguagem mais acessível e a ligação com os tempos que correm.

SM – Só para descontrair (e porque também sou botafoguense): quando enfim voltar para a primeira divisão, o Botafogo vai merecer de você uma crônica especial?

AD – Certamente! Não podemos nos dar ao luxo de perder um assunto desses… Agora, felizmente, é apenas questão de tempo mesmo para escrevê-la. Houve um momento do campeonato em que temi que fôssemos permanecer ao menos mais uma temporada na segunda divisão. Mas esse pessimismo também é próprio da nossa natureza.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s