Mimo terá chuva de poesia no Rio

mimo-festivalCriada pelo poeta, tipógrafo e artista plástico Guilherme Mansur, a Chuva de Poesia, realizada há mais de 20 anos em Minas Gerais, será apresentada no Rio durante o festival de música instrumental MIMO. A iniciativa faz chover poesia do céu das cidades. Do alto de locais selecionados, milhares de folhas soltas coloridas, com tipografias especiais, são lançadas ao vento para o público que, invariavelmente, lota os locais para receber as pancadas esparsas dos poemas. Durante a primeira edição carioca do MIMO, serão realizadas quatro chuvas. No dia 15/11, às 16h30, haverá uma especial em comemoração ao 55º aniversário do Museu da República, no Catete. Para a celebração, uma seleção de poemas de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Murilo Mendes e Oswald de Andrade. As outras três, no dia 14, às 16h30, também no Museu, às 17h30, no Parque Lage, no Jardim Botânico, e novamente no dia 15, às 17h30, no Parque Lage, o grande homenageado será o poeta, ensaísta e tradutor pernambucano Sebastião Uchoa Leite (1935-2003), por ocasião de seu 80º aniversário de nascimento.

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Cantinho da leitura

unnamedVá, coloque um vigia (José Olympio) é o segundo livro da norte-americana Harper Lee. O primeiro, O sol é para todos, se tornou um clássico nos anos 1960 e levou o Pulitzer, um dos mais festejados prêmios do país. Não se soube de outro textos literários dela até o ano passado, quando foi encontrado o manuscrito desaparecido há 60 anos deste romance que é uma espécie de continuação do primeiro. A história é contada novamente por Jean Louise Finch, mais conhecida como Scout. No primeiro, Scout é uma criança e tem que dar conta dos conflitos sociais e raciais que envolvem a pequena cidade onde mora, no Alabama, nos anos 1930. O ponto alto da história é um caso que o pai de Scout e seu irmão Jem, Atticus, defende nos tribunais, quando um negro é acusado injustamente de estuprar uma branca. Em Vá, coloque um vigia, a menina, agora com 26 anos, retorna à pequena cidade natal para visitar Atticus. Lee faz novamente uma reflexão sobre o difícil caminho da segregação racial no sul dos EUA. Os fãs do primeiro livro têm razões emocionais para ler o segundo, mas eles podem ser lidos de forma independente e até fora de ordem. Na semana de lançamento nos Estados Unidos e no Canadá, em julho deste ano, o romance vendeu mais de um milhão de cópias. Nascida em Monroeville em 1926, Nelle Harper Lee mora em Nova York.

Sábado é dia de Drummond

prog_imginterna_1415117465O Instituto Moreira Salles organiza neste sábado a quinta edição do Dia D – Dia Drummond. A ideia foi lançada em 2011 com o objetivo de fazer com que 31 de outubro, dia do nascimento do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), passasse a integrar o calendário cultural do país. Entre os destaques da programação, estão um recital com Nelson Xavier e Aderbal Freire-Filho às 17h no IMS do Rio de Janeiro (Rua Marquês de São Vicente, 476 – Gávea) e um sarau às 19h na casa de Poços de Caldas (Rua Teresópolis, 90 – Jardim dos Estados). Confira a programação completa no site www.diadrummond.com.br.

Destaque infantojuvenil

593_medEm Caderno de rimas do João (Pallas), o menino João encanta os leitores com rimas espontâneas e temáticas diversas. Ele nos apresenta, de um jeito divertido, os assuntos de um modo mais colorido. O texto é do ator, diretor e apresentador baiano Lázaro Ramos, com ilustrações de Mauricio Negro, artista visual, autor de diversos livros e tem afinidade por temas ancestrais, mitológicos, ambientais, identitários — frequentemente carregados de brasilidade.

Conferência marca os 205 anos da Biblioteca Nacional

cobertura-388-obras-geraisO poeta, ensaísta e professor Antonio Carlos Secchin, integrante da Academia Brasileira de Letras, inaugura nesta quinta-feira a Conferência Biblioteca Nacional. A ideia é, a partir de 2015, promover todos os anos, sempre no dia 29/10, uma conferência para marcar a criação da instituição, em 1810. Secchin vai falar sobre “Os filhos de Machado de Assis”. O evento será no Auditório Machado de Assis da instituição (Rua México, s/n – Centro – Rio de Janeiro), às 17h30, com entrada franca. A Biblioteca Nacional é considerada pela Unesco a sétima maior do mundo e a maior da América Latina.

Três perguntas para Ana Cristina Melo

Foto2710A escritora Ana Cristina Melo está lançando dois novos títulos infantis – Sete cartas de outro planeta, ilustrado por Patrícia Melo, e O menino, o bilhete e o vento, por Fabio Maciel – e com eles, uma nova editora, a Bambolê. Autora de outros dez livros para crianças e jovens, aqui ela fala um pouco sobre essa nova empreitada.

SM – Na contramão da crise, você resolveu abrir uma editora. Por quê?

ACM – Desde o ano passado, autores e editoras têm sido assombrados por notícias ruins do mercado editorial, diretamente afetado pela crise do país. Por outro lado, se há algo de positivo na crise é que ela estimula a reinvenção. Não podemos superar a dificuldade seguindo os mesmos caminhos ou executando as mesmas fórmulas. Na literatura, acredito que precisamos reinventar a relação com autores e leitores. Sou apaixonada pelos livros desde menina e minha carreira literária nunca se limitou à escrita. Sempre arranjei um tempo para divulgar e incentivar a literatura. Por isso, em maio, me vi diante de uma grande decisão: ou me juntava aos colegas para chorar as mágoas do mercado, ou arregaçava as mangas e fazia a minha parte para girar essa roda no sentido contrário da crise. Foi então que meu marido e eu decidimos antecipar um projeto que planejávamos para daqui a alguns anos. Assim nasceu a Editora Bambolê, disposta a plantar sementes para colher futuros leitores.

SM – Qual o diferencial da Bambolê?

ACM – Seguindo nosso slogan “Ler é se encantar com o mundo!”, queremos que os leitores descubram esse encantamento em cada história da Bambolê e que, a cada leitura, possam experimentar uma emoção diferente. Para alcançar esse objetivo, temos quatro pilares: produzir livros de qualidade; praticar preços atrativos; respeitar os direitos dos autores de texto e imagem; e publicar textos que despertem o prazer da leitura.

SM – Em tempos de comunicação virtual, você lança dois livros que têm como tema principal a palavra escrita de forma tradicional. Foi proposital?

ACM – Foi uma grande coincidência, que só percebemos depois que os títulos tinham saído da gráfica. Contudo, adoro que tenha acontecido, pois acredito que a escrita e a leitura andam de braços dados. A serenidade da escrita tradicional, com seu lápis/caneta riscando e tocando o papel, nos permite contemplar o que está a nossa volta. O ritmo acelerado da vida moderna está roubando essa capacidade de contemplação. Sempre escrevi meus textos literários à mão. Amo ver minha letra sendo transformada sobre o papel. Hoje, tudo se resume à velocidade de dedos e teclas. Mas acho que as histórias precisam de pausa para serem criadas e entendidas. Por isso, é bom termos livros que resgatem o hábito de escrever cartas e bilhetes. Uma curiosidade: porque sempre elogiaram minha caligrafia, a Patrícia Melo, ilustradora e designer da logomarca da Bambolê, transformou minha letra em fonte. Assim nasceu o Bambolê escrito da logo.