Três perguntas para Ana Cristina Melo

Foto2710A escritora Ana Cristina Melo está lançando dois novos títulos infantis – Sete cartas de outro planeta, ilustrado por Patrícia Melo, e O menino, o bilhete e o vento, por Fabio Maciel – e com eles, uma nova editora, a Bambolê. Autora de outros dez livros para crianças e jovens, aqui ela fala um pouco sobre essa nova empreitada.

SM – Na contramão da crise, você resolveu abrir uma editora. Por quê?

ACM – Desde o ano passado, autores e editoras têm sido assombrados por notícias ruins do mercado editorial, diretamente afetado pela crise do país. Por outro lado, se há algo de positivo na crise é que ela estimula a reinvenção. Não podemos superar a dificuldade seguindo os mesmos caminhos ou executando as mesmas fórmulas. Na literatura, acredito que precisamos reinventar a relação com autores e leitores. Sou apaixonada pelos livros desde menina e minha carreira literária nunca se limitou à escrita. Sempre arranjei um tempo para divulgar e incentivar a literatura. Por isso, em maio, me vi diante de uma grande decisão: ou me juntava aos colegas para chorar as mágoas do mercado, ou arregaçava as mangas e fazia a minha parte para girar essa roda no sentido contrário da crise. Foi então que meu marido e eu decidimos antecipar um projeto que planejávamos para daqui a alguns anos. Assim nasceu a Editora Bambolê, disposta a plantar sementes para colher futuros leitores.

SM – Qual o diferencial da Bambolê?

ACM – Seguindo nosso slogan “Ler é se encantar com o mundo!”, queremos que os leitores descubram esse encantamento em cada história da Bambolê e que, a cada leitura, possam experimentar uma emoção diferente. Para alcançar esse objetivo, temos quatro pilares: produzir livros de qualidade; praticar preços atrativos; respeitar os direitos dos autores de texto e imagem; e publicar textos que despertem o prazer da leitura.

SM – Em tempos de comunicação virtual, você lança dois livros que têm como tema principal a palavra escrita de forma tradicional. Foi proposital?

ACM – Foi uma grande coincidência, que só percebemos depois que os títulos tinham saído da gráfica. Contudo, adoro que tenha acontecido, pois acredito que a escrita e a leitura andam de braços dados. A serenidade da escrita tradicional, com seu lápis/caneta riscando e tocando o papel, nos permite contemplar o que está a nossa volta. O ritmo acelerado da vida moderna está roubando essa capacidade de contemplação. Sempre escrevi meus textos literários à mão. Amo ver minha letra sendo transformada sobre o papel. Hoje, tudo se resume à velocidade de dedos e teclas. Mas acho que as histórias precisam de pausa para serem criadas e entendidas. Por isso, é bom termos livros que resgatem o hábito de escrever cartas e bilhetes. Uma curiosidade: porque sempre elogiaram minha caligrafia, a Patrícia Melo, ilustradora e designer da logomarca da Bambolê, transformou minha letra em fonte. Assim nasceu o Bambolê escrito da logo.

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