Os livros da vida de Fernando Perdigão

fernandoperdigãoFernando Perdigão estreia na literatura policial lançando um novo personagem: o detetive Andrade, um sujeito gordo, politicamente incorreto e bem divertido. Em A pedido do embaixador (Record), para desvendar um assassinato, Andrade sai pelas ruas de Copacabana criticando tudo e todos pela frente: homem, mulher, gay, mendigo, rico, marombeiro e até crianças – ninguém é poupado. Mas no fundo é um coração mole. Conheça um pouco sobre os livros que marcaram o autor dessa história de suspense bem brasileira.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

FP – Lembrança mesmo é do Monteiro Lobato. Havia lá em casa uma coleção dos livros dele. Os livros eram encadernados, elegantes, e eu , ainda sem saber ler, os admirava e ansiava pelo momento de saber ler ler sozinho, para conhecer mais as histórias do Sítio do Picapau Amarelo que, vez por outra, minha mãe contava.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

FP – Como impacto emocional, eu destacaria um conto de Kafka, “A construção” ou “A toca”. Fala de um animal, um roedor, acho, que, histericamente, protege sua toca contra inimigos, mudando de lugar seu estoque de alimentos, disfarçando a entrada, criando e destruindo espaços. É um conto/novela sufocante e que diz muito da gente, do homem na relação com a vida. É terrível  quando você percebe que se identifica tanto com aquele animal.

SM – O que você está lendo agora?

FP – Agora, estou lendo A lebre com olhos de âmbar, que mergulha na história de uma família judia, que atravessa as guerras, tendo como fio condutor um conjunto de peças artísticas japonesas, netsuques, que vai passando pelas várias gerações da família. Além de cruzar a história com essa família, o livro cuida também de refletir sobre a própria vida do autor/pesquisado e sobre as armadilhas, problemas e soluções que aparecem as escrever não-ficção. É fantástico!

Anúncios

Livro trata dos erros de quem abre mão da própria vida pelo outro

capa-perdiminhaidentidade-140815Em Perdi minha identidade – Deixe de salvar os outros para cuidar de si (Autografia), a psicoterapeuta Marta Spomberg, especialista em transtornos de ansiedade, aborda os erros de quem abre mão da própria vida em virtude do outro. O objetivo é apresentar o quanto estamos sendo educados para agradar os outros e não a nós mesmos. Quantas vezes já quisemos negar um pedido, mas acabamos dizendo “sim” para dar ao outro a felicidade que tanto buscamos? Tamanha permissividade acaba abrindo espaço para alertas que, em certos momentos da vida, podem parecer inofensivos, como o sentimento de culpa exacerbado, dores de estômago e uma enorme sensação de vazio. Com o tempo, é possível que haja sintomas psicológicos capazes de causar crises de ansiedade, depressão e até mesmo síndrome do pânico. O livro será lançado amanhã no Rio de Janeiro, no Hotel Mar e Palace (Av. Nossa Senhora de Copacabana, 552, esquina com Siqueira Campos), após a palestra da autora sobre a Co-dependência nos relacionamentos, às 16h. No dia 10, novo lançamento, desta vez no Midrash Centro Cultural (Rua General Venâncio Flôres, 182 – Leblon), às 19h, após palestra A importância da raiva no apreço de si.

Mais uma Hora de Clarice

prog_imginterna_1448552141Nos moldes do Dia D Drummond, um dia inteiro de programação pelo aniversário de Carlos Drummond de Andrade, o Instituto Moreira Salles vai promover mais uma Hora de Clarice, por ocasião do aniversário de Clarice Lispector. Será no dia 10 de dezembro, quando a escritora faria 95 anos. O IMS Poços de Caldas terá às 15h a programação Soltando os Bichos no Jardim, com base no conto “Novembro: Como apareceram os bichos”, com leitura, produção de máscaras de bichos e uma expedição pelos jardins da casa. No Rio, às 12h30 e às 15h, a pedida é Anotações imediatas: atividade educativa com leitura de crônicas e produção textual, evento gratuito para jovens e adultos nos jardins do imóvel. Às 20h, exibição do ​vídeo O ovo, Clarice e a galinha, de Eucanaã Ferraz e Laura Liuzzi, e apresentação da peça Clarice e eu – o mundo não é chato, com Rita Elmôr. Distribuição de senhas 30 minutos antes do evento. O IMS também lançou um mapa com lugares no Rio de Janeiro citados por Clarice em sua obra. Confira no link http://www.claricelispectorims.com.br/Rio.

Levantamento aponta queda na venda de livros

snelOs dados do Painel das Vendas de Livros no Brasil, referente ao período de 06/10 a 02/11, parceria do instituto de pesquisa Nielsen com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, mostram que o faturamento se manteve estável em comparação ao mesmo intervalo de tempo do ano passado, mas houve queda de 3,7% no número de livros vendidos. No acumulado do ano, no entanto, houve um crescimento de 5,01% no faturamento, em comparação ao mesmo período de 2014. O preço médio do livro subiu de R$ 33,60 para R$ 34,89 e o desconto médio ao consumidor final caiu 2,99 pontos percentuais. O relatório mostrou ainda que os editores têm produzido mais títulos este ano. Nas 44 primeiras semanas, foram lançados 239.708 contra 222.107 no mesmo período do ano passado.

Três perguntas para Sandra Lopes

Sandra_Lopes_foto_email
Foto: Rogério Bellote Lopes

A escritora carioca Sandra Lopes lança pela Zit dois títulos infantis com linguagem de cordel. Cordel do Chico Rei, ilustrado por Luciana Grether Carvalho, uma aventura na época do Brasil colonial, conta a história do soberano africano Galanga, o Rei do Congo, que foi aprisionado junto com seu povo e trazido por um navio negreiro para nosso país, onde começa a trabalhar em uma mina de ouro como escravo. Já Cordel dos Atletas, com ilustrações de Julio Carvalho, traça um perfil sobre os Jogos Olímpicos e os princípios essenciais a um atleta. Os dois livros terão sessão de autógrafos no dia 19/12 na Blooks (Praia de Botafogo, 316 – Rio de Janeiro).

Capa_Cordel-do-Chico-Rei_web2SM – Por que optou pela literatura de cordel?

SL – Não sei se foi eu quem escolheu ou se foi ela quem me elegeu. O que me encanta na literatura de cordel é seu ritmo, sua métrica, sua “musicalidade”. Mas não escrevo somente cordel. Poesia é Fogo, é Terra, é Água, é Ar! (Rocco) traz haicais (forma japonesa de poesia). Vivo de mãos dadas com a palavra. Ela é meu instrumento de trabalho, meu alimento e meu refúgio. Versejar, tocar na emoção, rimar vida com poesia é uma das minhas alegrias.

Capa_CordelDosAtletas_web2SM – É importante contar a história do Brasil dessa forma lúdica para as crianças?

SL – Acho que tudo que é vivenciado de forma lúdica, tanto para crianças como para adultos, se torna mais saboroso, mais prazeroso e, consequentemente  muito mais atraente.

SM – Além de escrever, você é professora de Sala de Leitura. Como os dois trabalhos se complementam?

SL – Há sempre uma troca. Eu, como professora, alimento meus alunos  com muitas histórias e poesias e eles me abastecem com suas bagagens  coloridas de sonhos, de brincadeiras, de lutas e de esperança.

Maceió ganha estátua de Graciliano Ramos

image005.jpgNa próxima segunda-feira, o escritor Graciliano Ramos ganhará uma estátua na praia de Pajuçara, em Maceió (AL), em comemoração aos 200 anos de fundação da cidade. A homenagem contará com a presença da filha Luiza Ramos e do neto Ricardo Ramos. Natural de Quebrangulo (AL), o Velho Graça passou boa parte da vida na capital alagoana. Neste fim de semana, Maceió recebe a 7ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. No sábado, haverá um evento de lançamento de Luciana (Galerinha), conto que Graciliano escreveu e foi publicado originalmente no livro Insônia, que já foi destaque aqui no blog. Quem for ao estande da Livraria Viva vai ouvir a história contada pela Cia Arte Negus e quem comprar o livro ganha o “autógrafo” do escritor (foto) carimbado no exemplar.

Cantinho da leitura

QUANDO O IMPERADOR ERA DIVINO site-240x360A Grua está lançando o romance de estreia da norte-americana de origem japonesa Julie Otsuka. A editora já havia publicado por aqui O buda no sótão, segundo livro dela, que foi premiado com o PEN/Faulkner de 2012 e finalista do National Book Award. Agora, traz o romance de estreia da escritora, Quando o imperador era divino, que ela publicou em 2002 e recebeu os prêmios Asian American Literary e Alex, da Associação de Bibliotecas. Nascida na Califórnia em 1962, Julie costuma escrever ficção histórica sobre japoneses nos EUA. Em O buda no sótão, ela narra a travessia de navio de japonesas que vão encontrar os maridos que ainda nem conhecem em terras americanas, e a mudança cultural que elas vivem no novo mundo. Quando o imperador era divino tem como protagonista uma família nipo-americana, formada por um executivo bem-sucedido, uma dona de casa típica de classe média e um casal de crianças em idade escolar, que tem sua vida transformada logo após o ataque do Japão à base de Pearl Harbor, no Havaí, quando o pai é levado de casa, sem nenhuma acusação formal.