Três perguntas para Geny Vilas-Novas

Foto GenyNascida e criada às margens do rio Doce, em Fernandes Tourinho (MG), a autora mineira Geny Vilas-Novas está lançando Onde está meu coração? (7 Letras), romance que menciona as águas atingidas tragicamente pela barragem da Samarco. O livro conta a história de uma mãe cujo casal de filhos adultos sai do Brasil para morar no exterior. O baque é forte e profundo, mas ela encontra sentido na literatura e no novo livro que precisa escrever.

SM – Por que os personagens de Onde está meu coração? não têm nome?

GVN – Todos os meus personagens têm nome. Podem não ser nomes convencionais. E todos estes nomes fazem parte da trilogia, e de outros livros que venho trabalhando. Ex: A Filha de Olhos Cor de Esmeralda, Genro de Olhos Cor  de Âmbar…

SM – O livro faz parte de uma trilogia, iniciada por Flores de vidro, que será fechada por um terceiro romance que você ainda está escrevendo. Como os três livros se entrelaçam?

GVN – Minha trilogia é independente, mas dialoga entre si. Uso os mesmos personagens e o desenrolar das sua vidas.

SM – O rio Doce, tão falado no último mês por ter sido brutalmente destruído, está presente em sua obra. Pensa em usar este desastre ambiental futuramente em sua literatura?

GVN – O rio Doce, Minas Gerais e o Sítio de Cima, onde fui criada, estão presentes em toda a minha obra. Tenho um livro chamado Uma história dentro da outra e outro, Lendas do rio Doce. Foi um trabalho de pesquisa. Não queria que as histórias infantis, que nossos vaqueiros nos contavam, morressem. Entrevistei várias pessoas na época. Neste novo livro, De portas abertas, que estou escrevendo, escrevi  muito sobre o rio Doce. Os desastres nos levam a reflexões. Penso que ainda estou em estado de choque. Ainda querendo vê-lo com era na minha infância. Ele foi meu endereço por muitos anos, e é meu ponto de referência no mundo. Meu avô desbravou aquelas terras, ou seja, o lado direito do rio Doce, na altura de Pedra Corrida. É muito doloroso ver os peixes boiando e levados correnteza abaixo. Estava preocupada com os afluentes mortos ou agonizantes. O rio Doce já vinha magrinho, rasgando-se nas bancas de areia do fundo.  Também me preocupava com  as secas prolongadas, o desmatamento, a drenagem dos brejos. A falta de preservação das nascentes. Desfalque de florestas no alto dos montes. Queimadas sucessivas.  Mas francamente, por esta tragédia, eu não esperava.

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