Os livros da vida de Reginaldo Pujol Filho

2015-872371789-reginaldo-pujol-filho.jpg_20151207Em seu novo romance, Só faltou o título (Record), o escritor gaúcho Reginaldo Pujol Filho critica o próprio mercado editorial por meio de Edmundo Dornelles, um revisor de textos aspirante a romancista. Autor também de Azar do personagem e Quero ser Reginaldo Pujol Filho, aqui ele fala sobre os livros que marcaram sua vida.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

RPF – Nossa, que curioso o efeito dessa pergunta. Me fez lembrar de um livro chamado A menina e a fantasia, que li aos 8 ou 9 anos e talvez seja a primeira relação mais forte que tive com um livro. Não lembro da história, só posso dizer o nome da autora, Mary Weiss, porque fui olhar no Google, mas lembro de relação com esse livro quase como se fosse um brinquedo, de posse, não sei precisar bem, porque sou péssimo de lembranças da infância. E lembro também que numa estante lá da casa dos meus pais, tinha uma coleçãozinha de Agatha Christie, que eu olhava muito, me imaginava lendo, folheava, mas não ia muito adiante. Era, na época, uma estante alta, a mais alta daquele móvel, então talvez isso desse um significado de importância, imponência e até intocabilidade para aqueles livros, lá no alto. Tinha que subir em coisas para pegar neles. Mas aí acho que já estou elaborando um pouco as lembranças, escrevendo um pouco.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

RPF – Acho que essa é uma pergunta que deve ter “até hoje” no fim, porque sempre há tempo e livros para marcar a nossa vida. Mas, até hoje, gostaria de mencionar, ao menos dois livros: Sexo na cabeça, de Luis Fernando Verissimo, primeiro livro que li deste escritor que, não tenho dúvidas, me fez querer escrever. Li aos 12 anos, emprestado por um colega de escola e, dali em diante, eu e mais uns amigos viramos, por um tempo, uma seita de adoradores de Verissimo. Líamos todos os livros dele que havia na biblioteca do colégio, encenávamos cenas de contos dele em sala de aula, é muito marcante mesmo. E, puxa, a descoberta de Dom Quixote, já mais velho, foi emocionante demais. Passei dois meses lendo o livro e, quando não estava lendo, raciocinava com o vocabulário da tradução que estava lendo, olhava para as coisas com um olhar meio quixote, meio pança naqueles dias. Lia em casa, no trabalho, no parque, foi uma relação muito forte como leitor e também como quem gostava de escrever: é uma loucura perceber tudo o que Cervantes tinha feito há mais de 400 anos e que eu achava novidades absolutas. E fora a paixão pelo cavaleiro. Terminar a leitura do Dom Quixote foi um verdadeiro luto. Sofri mesmo com as cenas finais, chorei o fim do personagem, do livro, daquela experiência.

SM – O que você está lendo agora?

RPF – Agora, agora, estou lendo um livro de um autor português chamado Pedro Vieira. O nome do livro é Última paragem: Massamá, é o primeiro romance desse sujeito. Eu havia começado a ler numa livraria quando morava em Portugal e agora decidi terminar de ler. Também estou lendo uma biografia de Marcel Duchamp escrita por Calvin Tomkins e tenho sempre por perto uns livros de contos e poesia para ir lendo aos poucos. No momento, O explicador, do Leonardo Villa-Forte, e o Poemas apócrifos de Paul Valéry traduzidos por Márcio-André, que venho lendo bem devagarinho ao longo desse ano, porque é um livro que pede bastante calma, tem vários livros dentro do livro, vários registros.

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