Três perguntas para Rita Moutinho

2 - _MG_3911A poeta Rita Moutinho lança logo mais, às 19h, na Livraria da Travessa do Leblon, Theo & May (Ibis Libris), livro de poemas em que passeia pela narrativa ficcional para contar, através de sonetos, a trajetória de um casal de fazendeiros. A inspiração foi em Toi et moi, do poeta francês Paul Géraldy. Desde 1975, publicou dez livros, começando por A hora quieta. No ano passado, lançou a segunda edição de Sonetos dos amores mortos.

SM – Por que decidiu partir de Toi et moi, do poeta francês Paul Géraldy, para escrever Theo &May?

RM – Estava pensando em escrever um livro de poesia que contasse uma história de amor. Lembrei-me de Toi et moi, do Paul Géraldy, e encontrei na minha estante de poesia o livro em francês, editado em 1939, e a tradução brasileira de Guilherme de Almeida em sua 22ª edição, publicado em 1991. Pensei: vou tomar uma carona neste sucesso que foi publicado inicialmente em 1913, arrebatou corações românticos e mocinhas sentimentais durante décadas.  Mas não li o livro para não me contaminar. Apenas peguei os temas desenvolvidos por Géraldy e fui escrevendo, em sonetos, um romance epistolar entre Theo e May, quue nasceram em 1909 e morreram em 2002. O livro do francês é estilisticamente fácil, de comunicação fácil para qualquer tipo de leitor. Resolvi criar uma história de amor e mistério autoral com poemas mais elaborados de forma fixa. Já sessentona, ainda batalhando para publicar, espero que Toi e moi dê sorte a Theo & May.

SM – Seu livro não tem um estilo comum a livros de poesia que, em geral, reúnem a produção recente de um autor. Qual é a essência de um livro epistolar em formato de sonetos?

RM – Como diz o meu amigo Antonio Carlos Secchin, minha obra tende a ser uma organização do real e os últimos livros bem demonstram isso. Tenho vários poemas escritos que não se inserem em um projeto e que um dia reunirei em volume. Mas agora me fascina trabalhar tendo um fio condutor. Theo & May é minha produção mais recente e foi escrito num verdadeiro surto, 66 sonetos em três meses e meio. Procuro diferenciar a minha poesia do “poemão” que vem sido escrito no Brasil e li muito, estudei muito versificação para me sentir segura a buscar um soneto que bebe na tradição, mas é meu. E amor e soneto tem tudo a ver… Pensei em criar um diálogo entre Theo e May e surgiu a ideia deles trocarem cartas ou bilhetes ao longo da vida. E veio a mim a forma de cartas em “sonzinhos”.

SM – Você tem uma ampla bagagem literária, participou dos famosos Sabadoyles (saraus que duraram algumas décadas na casa de Plinio Doyle, que reuniam gente como Drummond e Pedro Nava), tem dez livros de poesia, chefia o setor de lexicografia e lexicologia da Academia Brasileira de Letras e durante muito tempo ministrou oficinas de poesia. Pensa em voltar a reunir poetas em torno da sua experiência?

BAILEYS FINAL DECK 0201.pptxRM – Durante quase duas décadas orientei oficinas de poesia em que tentava passar minha experiência, usar minha sensibilidade e transmitir meus conhecimentos. Depois dei alguns cursos sobre versificação. Foram experiências riquíssimas em que aprendi muito com todos que viveram comigo esses cursos. Estou sempre aberta a conversar, atender um ou outro poeta que queira uma avaliação crítica, mas não penso mais em dar aulas. Acho que cumpri minha missão. Agora tenho meu trabalho na ABL e vários projetos de livros. O tempo livre que tenho é pra velhota escrever com seus neurônios e hormônios. Já estou preparando um livro que deverá se chamar Sonetos ao desassossego, em que dialogo com Fernando Pessoa, e outro com poemas em versos livres e sonetos que temporariamente tem o título de Madame.

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