Os livros da vida de Maria Valéria Rezende

MValeria por Monica CamaraVencedora do Jabuti de Melhor Livro do Ano de Ficção no ano passado por Quarenta dias (Alfaguara), Maria Valéria Rezende lançou recentemente outro romance imperdível: Outros cantos (Alfaguara). Se no anterior ela chegou a viver nas ruas para narrar o cotidiano desses personagens geralmente invisíveis, no novo livro, a escritora se valeu de sua experiência como alfabetizadora em cantos remotos do país para compor uma jornada de amor e sonhos, relembrada durante uma viagem de ônibus. Aqui, ela fala sobre as leituras que marcaram sua vida.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

MVR – Impossível lembrar! Na minha vida, em termos literários, nunca houve “o livro”, mas um imenso coletivo, “os livros”.  Nasci e cresci entre livros, numa família na qual, tanto do lado paterno quanto materno, havia parentes próximos que escreviam e publicavam livros, estantes por toda parte,  e comecei a “ler” bem antes de ser alfabetizada. A televisão só apareceu quando eu tinha 10 anos, na casa dos outros, pois na nossa casa só entrou quando eu já tinha uns 15 anos. Minha mãe lia para eu dormir, desde que me entendi por gente, em casa de minha avó paterna havia constantes encontros de escritores e poetas de Santos (SP) que liam seus poemas, contos, texto em geral e a criançada ficava por ali ouvindo tudo. Nas longas férias da minha infância, em casa de meus avós em Belo Horizonte, todo serão, após o jantar, contavam-se casos, diziam-se poemas ou liam-se contos e capítulos de livros. Desde que dominei bem a leitura, passei a ler sem parar, até chegar a uma média de mil páginas por semana, até recentemente, quando o declínio físico e limitações de visão me tornaram muito mais lenta.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

MVR – Sem dúvida os quatro Evangelhos, que releio constantemente, quase sempre de cor, já que orientaram minhas escolhas fundamentais, moldaram minha vida e aos quais ainda, bem ou mal, tento ser fiel. Não tenho, nunca tive ídolos literários nem a busca da erudição. Todo o resto do que li, em que há de tudo, está no amálgama do que entrou na minha cabeça através dos meus cinco sentidos, durante 73 anos.

SM – O que você está lendo agora?

MVR – Ficção, uma pilha do mais contemporâneo brasileiro, principalmente os jovens, os iniciantes no romance e conto. Mas tenho também meu leitor digital (mais fácil atualmente para meu único olho, já que posso escolher o tamanho da letra) cheio do que vem saindo de novo mundo afora,  ou ainda não traduzido ou que, quando posso, prefiro ler no original.

Foto: Monica Camara/ Divulgação

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