Três perguntas para Eduardo Lamas

EduardoLamasEscritor e jornalista, Eduardo Lamas acaba de lançar o romance O negro crepúsculo, de forma exclusivamente digital pela Amazon. Narrado por um taxista que vai refletindo, nas muitas viagens em seu táxi ou de sua mente questionadora e imaginativa, sobre o mundo em que vive, a cidade, a sociedade, os homens no geral e as mulheres, em particular, o livro, que pode ser lido em qualquer dispositivo (smartphones, tablets e computadores pessoais, não apenas no Kindle), é vendido neste link: http://goo.gl/SdKSqU. Eduardo Lamas também é autor da peça Sentença de vida e do livro de poesia Profano coração.

SM – Por que escolher um taxista como protagonista?

EL – O personagem surgiu num segundo momento, quando o esboço do texto, com narrativa em primeira (e indefinida) pessoa, já estava escrito. E me veio à lembrança um amigo que foi taxista por muito pouco tempo, mas o suficiente para que a amizade nascesse. Um dos fortes motivos para a escolha é o fato de que um taxista trabalha solitariamente (o escritor até mais), mas tem contato diário com a cidade em que vive (no caso o Rio de Janeiro) e com muitas pessoas. E com algumas pode estabelecer algum tipo de intimidade, o que é o caso do c.j.marques. Além disso, queria um profissional que tivesse desistido da carreira para a qual havia se formado na faculdade, como se sabe algo muito comum em nosso país. Comecei a escrever o livro em 2004 e criei o personagem muito antes da incômoda (para alguns taxistas) existência do Uber por aqui. Mas creio que c.j.marques, como muitos taxistas que conheço, não se importaria muito com essa concorrência.

SM – Além dos capítulos precedidos de poemas, o personagem principal assina em minúsculas, como e. e. cummings… Como surgiu a ideia de misturar poesia com prosa?

EL – Meu primeiro livro, Profano coração, lançado em 2009 da forma tradicional (e à venda atualmente também somente na versão digital), é de poesias. Meus textos para teatro quase sempre têm poesias. Muitas vezes neste livro a prosa é poética, mesmo nos momentos mais duros, críticos. A poesia está no meu sangue, mas talvez seja o gênero literário mais marginalizado, menos “consumido”, apesar de muito citado, o que é um grande paradoxo. Então, resolvi pôr a poesia em destaque neste livro como sendo criação do taxista-escritor e em conexão com o que está em cada capítulo. Creio que elas ilustram bem os capítulos, criam um clima para o que virá. Minha produção é grande (desde 1984) e me permitiu fazer essa conexão entre versos e prosas.

SM – O meio que ainda traz desconfianças dos leitores de livros tradicionais, embora eles mesmos não percebam que a leitura hoje em dia é mais digital do que nunca… Como é fazer um livro exclusivamente digital?

EL – É a brecha que a tecnologia abriu e estou aproveitando. E também estou aprendendo a derrubar certas barreiras e a como chegar ao coração das pessoas sem preconceitos com a leitura digital e com autores pouco conhecidos, como é o meu caso. Sei que ainda há resistência de alguns leitores, muitos chegam a argumentar que gostam de sentir o cheiro dos livros. Prefiro lê-los (rsrs). Sempre fui muito mais ligado ao conteúdo do que ao objeto, embora tenha uma microbiblioteca em casa e haja de minha parte um grande afeto e cuidado com ela. Umberto Eco disse pouco antes de falecer que a internet deu voz a uma legião de imbecis, mas acredito fortemente que também está abrindo portas para muita gente de grande talento que ficaria escondida não fosse o meio digital. Não só na literatura, mas na música também.

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