Os livros da vida de Maria Esther Maciel

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Professora titular de Teoria da Literatura e Literatura Comparada na UFMG, escritora e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Maria Esther Maciel é uma das convidadas da Flip 2016. Ela estará em Paraty no sábado, na mesa O falcão e a fênix, ao lado da historiadora britânica Helen MacDonald. Autora dos romances O livro de Zenóbia e O livro dos nomes, Maria Esther está lançando Literatura e animalidade (Civilização Brasileira), no qual traz um olhar sobre o horizonte literário dos séculos XX e XXI para entender como se estabelece a questão do animal e da animalidade hoje. O livro faz parte da “Coleção Contemporânea”, organizada para a editora Civilização Brasileira por Evando Nascimento. Aqui, ela fala sobre suas leituras.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

MEM – O primeiro livro de que me lembro é As mais belas histórias, de Lúcia Casasanta, adotado pela minha escola primária. Entretanto, o que mais marcou minha infância foi A chave do tamanho, de Monteiro Lobato, que descobri por acaso e resolvi ler por conta própria.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

MEM – Difícil responder essa pergunta, pois foram muitos os livros que me deixaram em estado de graça ou de desassossego. Cada época de minha vida pode ser definida por um livro marcante. O que despertou em mim o desejo de ser escritora, por exemplo, foi As mil e uma noites, que li no início da adolescência, numa tradução portuguesa feita do francês. Outros que vieram imediatamente depois foram Jane Eyre, de Charlotte Brontë, Mulherzinhas, de Louise May Alcott, e a Antologia poética, de Carlos Drummond de Andrade. Na vida adulta, vários livros me impactaram. Eu poderia citar Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, Crime e castigo, de Dostoiésvski,  A paixão segundo GH, de Clarice Lispector, Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez, Extinção, de Thomas Bernhard (que me deixou pelo avesso), e Desonra, de J.M.Coetzee, meu clássico contemporâneo preferido. Mas o livro que mais mexeu com minha imaginação foi, certamente, Ficções, de Jorge Luis Borges. Com ele, descobrir um novo conceito de literatura e aprendi que não é impossível fazer caberem numa única página eternidades e infinitos.

SM – O que você está lendo agora?

MEM – No momento estou lendo “literatura canina”. Movida não apenas pela minha atual pesquisa sobre animais na literatura, como também pela morte recente de minha cadela Lalinha, encontro-me às voltas com pelo menos três romances que têm cães como protagonistas: Flush, de Virginia Woolf, Caninos brancos, de Jack London, e Timbuktu, de Paul Auster. No campo da não-ficção, leio Dog love, de Marjorie Garber.

Foto: Divulgação/ Silvano Moreira

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