Três perguntas para Antonio Cestaro

Foto AntonioEditor e escritor, o paranaense Antonio Cestaro lança seu primeiro romance, Arco de virar réu (Tordesilhas), cuja tema central é a esquizofrenia, tendo a história do Brasil como pano de fundo.  Ele é autor ainda de dois volumes de crônicas: Uma porta para um quarto escuro e As artimanhas do Napoleão e outras batalhas cotidianas.

SM – Como foi escrever ficção usando um tema tão difícil como a esquizofrenia, que ainda carrega tanto preconceito e falta de informação?

AC – Foi uma experiência enriquecedora, que me ofereceu a oportunidade de trabalhar o texto com ampla liberdade criativa. A ideia foi trazer para o conteúdo a matéria complexa e disparatada que existe reprimida no inconsciente, e que brota em forma de sonhos, pesadelos e distúrbios psicológicos de vários tipos, e que pode também se expressar em forma de arte. Então juntei tudo isso num caldeirão poderoso, onde a ficção é cozida, e temperei com um pouco de soldados, índios, pássaros que voam na noite etc e tal. Nem pensei em preconceito ou no quanto ainda somos ignorantes em relação a nós mesmos.

SM – Que processo usou na costura do texto, misturando a loucura e a memória?

AC – Inventei memórias, me apropriei de memórias alheias e usei também minhas próprias. E nessa escolha, colecionei aquelas que tinham um timbre de loucura, sempre cauteloso porque já comi gato por lebre por puro desconhecimento. Uma vez, ouvi uma velhinha sentada num jardim perguntar à uma pessoa que estava próxima onde estava o pé de ovo que ela havia plantado no jardim e eu achei que ela estava caducando. Algum tempo depois, soube que realmente havia uma planta naquele lugar, que fora cortada: um genuíno pé de ovo. A costura da memória, dos delírios e, sobretudo, da dor no texto, foi pelo processo de escrever bastante, reler muito e cortar quase tudo para chegar na versão final.

SM – Você tem dois livros de crônicas, gênero de ficção que usa a matéria do cotidiano para a narrativa. Seu romance também tem muito do real?

AC – A história do romance é toda inventada e todo o restante é muito verídico mas também bastante superlativizado. São sementes apresentadas como árvores frondosas.

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