Os livros da vida de Ieda de Oliveira

Ieda no lançamento de As cores da Escravidão - maio de 2013Escritora e compositora carioca, autora de 25 livros para crianças e jovens, muitos deles premiados, Ieda de Oliveira agora se aventura em um novo público. Depois de estrear na literatura para adultos com o texto “Paris Bordeaux” na antologia Olhar Paris (Nós), escreve um romance. Aqui, ela fala sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

IO – As Mil e uma noites. Tive a sorte de na minha infância conviver com uma exímia contadora de histórias. Morava em Belo Horizonte nessa época e essa moça, de nome Zelinda, trabalhava em minha casa. Eu a adorava. Não havia uma noite em que, antes de dormir, não me contasse uma história diferente. Eram histórias de fantasmas, de fadas, de príncipes, princesas e lendas variadas, que alimentavam minha mente de menina. A cada dia uma história diferente. Ela era meu livro de sonhar sem fim. Com o tempo, casou e foi embora, deixando um vazio imenso. Nessa ocasião, eu já sabia ler e me encantei pelas histórias da Sherazade, que passou a ocupar o lugar dela no centro da minha fantasia. É por isso que amo e valorizo intensamente o papel dos contadores de histórias, que se doam num ato mágico de amor e partilha. Se hoje sou escritora e uma leitora voraz do mundo, é graças a essa contadora de histórias. A meus pais devo muito também. Eram grandes leitores. Vivi cercada de livros. Tive essa sorte. Mas a magia do sonho não veio primeiro do livro escrito não, Simone, veio da boca analfabeta da minha amada e inesquecível Zelinda. Minha escrita é uma contínua forma de homenagear sua lembrança.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

IO – São muitos. Notadamente um romance e dois contos vivem fortes em mim. Quincas Borba e “Frei Simão”, de Machado de Assis, e “Os desastres de Sofia”, de Clarice Lispector. Li, ainda jovem, o Quincas Borba e, por meio dele, tive o olhar ampliado para a falibilidade humana. O cinismo, a hipocrisia e a dor de estar no mundo entre ímpares, descritos por ele com tal economia de meios e tal destreza, ecoam forte em mim até hoje. Acho que foi ali, no meio do “Humanitas”, que me apaixonei por Machado. Desde “Frei Simão”, Machado anunciava marcadamente isso: a loucura resultante da percepção e impotência diante do mal, o jogo do ser. “Os desastres de Sofia”, considero um dos mais lindos mergulhos na alma humana que já li. A delicadeza, a crueldade e os limites do existir, numa linguagem “clarícica” irretocável. Esses textos são sempre relidos por mim.

SM – O que você está lendo agora?

IO – Neste momento, estou mergulhada na pesquisa do meu primeiro romance. Estou lendo e pesquisando arquivos e materiais relacionados a ele. Finalizei a leitura da antologia Olhar Paris, organizada por Leonardo Tonus, e da qual tenho a alegria de participar. São textos de vários escritores brasileiros sobre sua relação com Paris. O livro foi lançado no Printemps Littéraire Brésilien, em março deste ano, em Paris. No Brasil, será lançado no dia 24 de junho, às 19h, na Blooks Livraria, em São Paulo, como parte da programação do Outono Literário Brasileiro.

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