Três perguntas para Paulo Werneck

Paulo Werneck_fotoNa véspera da abertura da décima quarta edição da Festa Literária Internacional de Paraty, o curador do evento, Paulo Werneck, faz suas apostas na programação que este ano contempla mais mulheres do que nunca. A Flip 2016, que vai até domingo, homenageia a poeta Ana Cristina Cesar.

SM – Uma pergunta inevitável: quais são as suas apostas para a Flip 2016, o que promete bombar?

PW – Difícil selecionar duas ou três em 40 apostas. Mas tenho a impressão de que a mesa com o Leonardo Fróes, grande poeta e figura adorável, vai ser grandiosa. Também estou muito curioso para a mesa Sexografias, com a Juliana Frank e a peruana Gabriela Wiener, que aos 47 do segundo tempo conseguiu uma bela edição do seu livro pela editora Foz. E a mesa de ciência, sobre o cérebro humano, com um neurocirurgião e uma neurocientista, também promete.

SM – Esta Flip, que homenageia Ana C., já vem se destacando pelo grande número de convidadas mulheres. Para você, qual é o diferencial desta edição?

PW – A presença mas numerosa de mulheres foi premeditada: foi um compromisso assumido pela Flip, fruto de uma interlocução com movimentos feministas que elevaram o debate a Paraty. Mas cada Flip tem traços próprios, não necessariamente premeditados: os autores vão aceitando os convites e as associações entre os temas vão acontecendo, criando eixos temáticos. Por exemplo: neste ano, teremos uma interessante presença de autores ligados à psicanálise: o psicanalista Christian Dunker, a arquiteta e psicanalista Lúcia Leitão, a ensaísta argentina Paula Sibilia, que pensa a escola a partir de conceitos de psicanálise. A arquitetura, que todo ano tem uma mesa própria, também se fez mais presente na mesa do Benjamin Moser, que está lançando um livro de ensaios sobre o assunto.

SM – A programação encolheu um pouco, vai terminar mais cedo no domingo, uma mesa que seria confirmada acabou não se concretizando. Em meio a essa crise, qual foi sua maior dificuldade?

PW – Não lido com questões orçamentárias e posso dizer que a programação principal foi poupada. Crises políticas e econômicas muitas vezes coincidem com momentos culturais férteis. Acho que é o caso atual: a cultura está longe da pasmaceira que alguns enxergavam. Vivemos um momento bom na poesia brasileira e na edição, com bons projetos independentes sendo realizados, mesmo num contexto adverso na economia e no mercado de livros. Há uma nova imprensa alternativa surgindo. A Feira Plana, que reúne editores artesanais, é um sinal dessa vitalidade. Na Flip, poetas como Laura Liuzzi, Annita Costa Malufe, Ramon Nunes Mello e Marília Garcia, herdeiros diretas de Ana Cristina, mostram a força da poesia contemporânea.

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