Três perguntas para Nara Vidal

IMG_8442Mineira de Guarani radicada em Londres, a escritora Nara Vidal desembarca no Brasil para lançar na próxima semana seu novo livro, A loucura dos outros (Reformatório). Na agenda, autógrafos no dia 4 de agosto, em São Paulo, no Cemitério de Automóveis; no dia 10, no Rio, na Livraria da Travessa de Ipanema; e no dia 13, no Estação 30, em sua cidade natal. Nas 21 histórias, todas com nomes de mulheres, há uma que perde a cabeça, outra que desaparece diante dos olhos do marido, a morte de uma criança doente, a perda de uma mãe, a disponibilidade sexual, violência doméstica, alcoolismo, sexo casual, drogas, amor profundo e pura loucura.

SM – De que forma A loucura dos outros tem a ver e, por outro, se distancia de Lugar comum, seu livro anterior?

NV – Acho que a gente vai criando um jeito de escrever. Talvez quem tenha lido Lugar comum consiga identificar estruturas e linguagem que são características minhas. Além disso, os dois livros são de contos.  Os pontos em comum param aí. A loucura dos outros não tem nada de singelo ou mesmo doce, algo que acontece no Lugar comum algumas vezes. Singelo ou duro não são nem características boas e nem ruins. No caso da minha escrita, foram traços que se impuseram pelo teor dos contos. A loucura dos outros é um livro feito de amarguras, violência, abuso, casamento, traição, morte, paixão, amor, família. Um livro de loucuras, aquelas que achamos que só acontecem com os outros porque são muito dramáticas ou mesmo trágicas.

SM – Por que usar nomes de mulheres como título dos contos?

a loucura dos outrosNV – Eu escrevi, bem no início, três contos sobre mulheres: Maria Dulce, Ana Rosa e Sílvia, que estão no livro. Essas mulheres surgiram através da minha observação. A Sílvia, por exemplo, eu criei no trem, no mesmo trem que é cenário do conto. Vi uma história feito a da Sílvia se desenrolar diante de mim. Acabei me misturando no conto, já que a Sílvia fala sobre tornar-se invisível, algo que chama minha atenção quando saio de casa. Existe uma idade, talvez a minha, quando pouquíssimas pessoas se dão conta da nossa presença. Os mais jovens são tão fortes, vibrantes, imponentes. Parecem não nos notar. Isso não me incomoda. Pelo contrário: é uma bela oportunidade de observação sem levantar suspeita alguma! A partir dessas primeiras mulheres, comecei um exercício de escrever a partir de nomes. Muitas, várias não vingaram. As que achei mais interessantes apresentei à editora. E surgiu assim essa coleção de histórias de mulheres ou sobre mulheres, já que a voz narrativa às vezes é masculina.

SM – Além de escritora, você coordena o Canalzinho, um evento sobre literatura infantojuvenil. O que está para rolar este ano?

NV – O Canalzinho tem me dado mais prazer que dor de cabeça. Organizar um evento assim não é fácil. Nunca conseguimos agradar todo mundo, mas assim é a vida, não é? Há muita gente bacana por trás e dando o maior suporte do mundo ao festival. Aqui na Inglaterra, e na Europa, em geral, há uma lacuna pra esse tipo de evento. Uma festa que seja para a comunidade de imigrantes. Há muitas iniciativas excelentes de literatura brasileira por aqui, mas acho que o Canalzinho tem um propósito bem específico que é atender aos pais e seus filhos que lutam pra preservar a língua portuguesa mesmo estando longe de casa. Neste ano serão duas edições: Paris, dia 17 de agosto, e Londres, dia 24 do mesmo mês. No ano que vem vamos continuar e rodar com o Canalzinho através de parcerias incríveis que estão surgindo e por vários países. O festival está se fortalecendo cada vez mais e espero que navegue por muitos e muitos mares.

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