Três perguntas para Sargento Lago

Screen Shot 2016-08-08 at 14.58.03Papa Mike: a realidade do policial militar faz um convite à reflexão e a debates sobre segurança pública, sob o ponto de vista de um de seus protagonistas, o Sargento Lago, profissional da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, também jornalista, escritor, cantor e compositor. Como parte do projeto Polícias Militares do Brasil, desenvolvido para registrar através de depoimentos e imagens a realidade dos quartéis da PM no país, Papa Mike é um misto de relato e memórias, com conversas na intimidade com comandantes-gerais, depoimentos emocionados da tropa – alguns confidenciais, outros em tom de desabafo – e confissões do autor. O livro, uma autopublicação que pode ser encontrada em e-book e formato impresso no site http://www.sargentolago.com.br, faz ainda um retrato da profissão em nível nacional.

SM – Após constatar que a imagem da polícia de fora para dentro é negativa, mas não apenas no Brasil, é possível melhorar? Isso passa também pelas condições desfavoráveis, principalmente financeiras, quando falta até gasolina para as viaturas?

SL – Sempre é possível melhorar. Minha proposta com o Papa Mike é exatamente trazer ao debate temas que precisam ser rediscutidos com a sociedade, sem revanchismos de parte a parte, e que certamente contribuirão para que haja uma melhor prestação de serviços dos órgãos responsáveis pela segurança pública. A partir daí os resultados positivos naturalmente favorecerão para a melhora da imagem da polícia. Agora, sem combustível na viatura e sem os investimentos básicos no profissional, a solução ficará mais distante.

SM – Você começou a trabalhar ainda criança. Por que decidiu entrar para a PM e qual o momento mais difícil que viveu na corporação?

SL – Comecei a trabalhar com oito anos de idade, não porque o meu pai precisava do meu salário, embora eu fosse de uma família numerosa, mas porque foi a maneira que ele entendeu que eu deveria desde cedo ter um compromisso profissional. Quando ingressei na PM estava há seis meses desempregado e morando apenas com um irmão em São Paulo. Fui convidado por um amigo para prestar o concurso e cheguei relutar, pois sonhava ser jornalista, porém minhas necessidades urgentes não me permitiam fazer escolhas. Quando consegui me formar em jornalismo já estava há 15 anos na PM e daí não quis mais sair da corporação. Meu pior momento foi quando tive que combater os próprios colegas policiais corrompidos, que trabalhavam comigo.

capaSM – Você também é cantor, compositor, radialista e jornalista, e agora escritor. Como concilia tudo e quais são seus projetos daqui pra frente?

SL – Eu só faço o que me dá prazer, então nem percebo o acúmulo de atividade. Num dia acordo escritor, no outro cantor e assim por diante. As coisas vão se encaixando no meu cotidiano. A única coisa que tenho certeza é que preciso dessas atividades para ocupar os meus dias. Seria muito infeliz se tivesse que acordar todas as manhãs para executar uma tarefa da qual eu não tivesse orgulho e, principalmente, prazer. Meu projeto permanente é contribuir para que tenhamos uma sociedade mais justa e sem preconceitos. E que a polícia seja reconhecida pela sua maioria honesta e comprometida; pelos heróis anônimos que morrem frequentemente defendendo alguém que sequer lhe dá valor. Não me importo em ser um grão de areia na praia. Um sonhador solitário. Quero apenas fazer a minha parte, sem interesses escusos. Isso é o que me motiva levantar da cama todas as manhãs.

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