Os livros da vida de Chico César

chico-cesar-marcos-hermes-2Na última sexta-feira, foram divulgados os finalistas ao prêmio Jabuti e entre eles estava o cantor e compositor Chico César. Ele concorre na categoria Poesia, por Versos pornográficos (Confraria do Vento). Recentemente, ele lançou um infantil, O agente laranja e a maçã do amor (Escritinha), sobre um fiscal de frutas que resolve atrapalhar a tradicional Festa das Neves, em João Pessoa (PB), mas acaba fisgado. Uma divertida história, ilustrada por Fernanda Lerner. Por telefone, ele conta um pouco sobre suas leituras mais marcantes. Sobre o Jabuti, avisa: “Fico envaidecido porque não sou escritor, então estar nesta lista já é um prêmio”.

CAPA_NOVAalterada_30mar_GRAFICASM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

CC – A menina do narizinho arrebitado, de Monteiro Lobato. Quando pequeno, lia para a família os folhetos de cordel que meu pai trazia da feira aos sábados. Depois comecei a trabalhar em uma loja de discos que também era uma livraria, e isso me aproximou muito, de modo que pra mim os dois universos parecem um só, a música e os livros estão sempre juntos.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

CC – Macunaíma, de Mário de Andrade, e Casa-grande & senzala, de Gilberto Freyre são livros pra gente saber de nós mesmos, saber do Brasil. Macunaíma diz muito sobre o brasileiro. Apesar de parecer um herói sem caráter, ele tinha que se adequar às situações não para se conformar, mas para sobreviver. O Casa-grande & senzala é a visão do Gilberto Freyre do Brasil a partir do Nordeste. Acho que isso ensinou muito pra gente na adolescência. Também Grande sertão: veredas, Morte e vida severina, tudo isso falou muito pra mim. Também gosto muito de Manuel Puig, Julio Cortázar, Gabriel García Márquez. Acho que a literatura diz muito sobre o que nós somos. É bacana ler Tolstói, Dostoiévski, ler os franceses, os alemães, mas acho que a literatura brasileira e a latino-americana são reveladoras do que nós somos.

SM – O que você está lendo agora?

CC – Estava lendo Um defeito de cor, um livro importantíssimo de Ana Maria Gonçalves, e acabei de ler o segundo livro de uma trilogia que Mia Couto está lançando sobre a invasão portuguesa em Moçambique (A espada e a azagaia, ainda não editado no Brasil). A literatura africana também tem sido crucial para a nossa compreensão, para entender aonde nós chegamos e também para onde podemos ir.

Foto: Divulgação/ Marcos Hermes

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