Sugestões para o Natal

cr-052Apesar da crise em todos os setores, principalmente no mercado de livros, muita coisa boa foi lançada por aqui em 2016. Separei aqui algumas sugestões de títulos lançados neste últimos meses, que pouco foram falados, mas que são ótimas sugestões de última hora para presentear neste Natal.

Caviar é uma ova (Companhia das Letras) é mais uma seleção de crônicas do ator, roteirista, cronista e poeta Gregorio Duvivier, que faz o maior sucesso nestes tempos virtuais. Os textos vão das manifestações de junho de 2013 ao impeachment de Dilma Rousseff, misturando memórias, ficção, opinião e militância política.

A mesma editora lança uma edição definitiva de Inferno provisório, de Luiz Ruffato, romance em que ele recria literariamente a história do proletariado brasileiro, partindo dos anos 1950 e chegando até o início do século XXI. Publicada originalmente em cinco volumes, a sagra do trabalhador brasileiro agora foi reunida em um só.

yara-amaral_capaA magistral atriz Yara Amaral, morta no acidente do bateau mouche, no réveillon de 1988, ganha uma biografia. Yara Amaral: A operária do teatro (Tinta Negra), escrita pelo premiado ator e dramaturgo Eduardo Rieche, além de reconstruir a trajetória de uma das nossas mais importantes e premiadas atrizes, compõe um vigoroso passeio pela história da dramaturgia nacional e um dossiê sobre o célebre naufrágio. O livro traz ainda cerca de 300 fotos de Yara.

Dom Casmurro, um dos romances mais importantes da literatura brasileira, ganha edição especial da Carambaia (foto principal), com capa dura, ilustrações, fotografias, impressão e acabamentos de qualidade, e o texto de um especialista refletindo sobre os impactos causados pela leitura do livro. O livro tem tiragem limitada a mil exemplares, todos numerados a mão. O caderno de imagens do Rio de Janeiro da época do escritor e do romance ganhou intervenções do artista plástico Carlos Issa. O projeto gráfico, de Tereza Bettinardi, faz uma homenagem à edição original de 1899, repetindo o formato do volume publicado pela Livraria Garnier.

9788556520296-1A Alfaguara segue publicando a obra do japonês Haruki Murakami. O mais novo é um volume que reúne duas novelas escritas nos anos 1970, no início da carreira do escritor, que ainda estavam inéditas no Brasil, Ouça a canção do vento & Pinball, 1973. Alguns dos personagens reaparecem em Caçando carneiros e Dance, dance, dance, obras já bem conhecidas por aqui.

A novidade da Darkside é Bom dia, Verônica, livro de Andrea Killmore, pseudônimo da autora que não quer ser identificada. A editora diz que ela trabalhou infiltrada em um caso policial e mudou de identidade por segurança. Agora, assume nova vocação com o thriller que tem como protagonista a secretária de polícia Verônica Torres, que resolve investigar dois casos que se conectam, o suicidado de uma jovem, que ela presencia, e uma mulher clamando por sua vida, que liga para ela anonimamente.

image002Farmácia literária (Verus), de Ella Berthoud e Susan Elderkin, promove a cura de várias enfermidades por meio de livros. Casos de coração partido, por exemplo, podem ser solucionados com Jane Eyre, de Charlotte Brontë. Contra mau humor, a pedida é A ilha do dr. Moreau, de H.G. Wells. Para entender os hormônios da adolescência, a receita é O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger. De John Green a Tolstói, as autoras, que se conheceram quando estudavam literatura, viajam através de dois mil anos para selecionar livros que provoquem emoções e também divirtam o leitor. A edição brasileira ganhou indicações de títulos nacionais, inseridos na obra pela equipe da editora.

capa-reduzida-releaseOutro título divertido é As 100 piores ideias da história (Valentina), dos americanos Michael N. Smith e Eric Kasum. Em formato de guia, reúne sandices, furadas e atos sem noção inventados por gente de todas as áreas, como o brinquedo infantil mais perigoso de todos os tempos, o uso de peruca nas partes íntimas e até a criação da dupla Milli Vanilli, com cantores que não cantavam.

menina-bonita-do-laco-de-fitaPara as crianças, a Ática relança Menina bonita do laço de fita, clássico de Ana Maria Machado que já vendeu mais de um milhão de exemplares e está completando 30 anos. A protagonista é uma menina negra que conversa com um coelho, que quer saber o segredo da cor dela. O livro é ilustrado por outro bamba, o cartunista Claudius. Já Luis Fernando Veríssimo estreia na literatura infantil com As gêmeas de Moscou (Companhia das Letrinhas), livro sobre duas irmãs dançarinas que vivem em disputa, até que uma delas acaba aprendendo uma valiosa lição. Ilustrações de Rogério Coelho. Outra pedida é O livro das ideias brilhantes (Valentina), um livro interativo criado pela dupla inglesa The Brothers McLeod, com exercícios engraçados de escrita e de desenho, que podem ser feitos individualmente ou com um amigo.

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Os livros da vida de Liliane Ribeiro

15591963_10155527288234018_1074517265_nApós oito anos nos EUA, onde foi baby sitter, garçonete e fez cursos sobre relacionamentos, Liliane Ribeiro voltou para o Brasil e criou uma página na internet, Papo Reto com Liliane Ribeiro’s, que tem mais de 230 mil seguidores no facebook. O livro Papo reto (Novo Século) traz um pouco dessas conversas que tentam explicar o amor e ajudar na eterna busca pela alma gêmea.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

LR – Sempre fui apaixonada por livros. Minha primeira leitura foi uma coletânea de Monteiro Lobato. Desde pequena, quando todos pediam brinquedos, eu pedia livros.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

LR – O livro que mais marcou a minha vida foi A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector. Acho que aquela coisa de não ter início nem fim e a vontade de conhecer a si mesmo da narradora se faz presente nos meus textos até hoje. Eu ficava pensando o que poderia vir antes das reticências na cabeça da Clarice.

SM – O que você está lendo agora?

LR – Tenho lido muito Esther Perel (do livro Sexo no cativeiro), Sue Johnson (de Hold me tight) e Harville Hendrix, terapeutas e psicólogos que pesquisam sobre relacionamentos. Um dos autores que não sai da minha cabeceira é o Dr. John Gottman (de Sete princípios para o casamento dar certo). Ele estuda o relacionamento como ciência. Eu nunca leio apenas um livro, pego diversos autores e vejo o foco de cada um sobre determinado assunto.

Cantinho da leitura

 

captura-de-tela-2016-12-19-as-17-55-59A rainha Margot (Amarilys), clássico de Alexandre Dumas baseado em fatos históricos, ganha nova edição brasileira. O romance tem como pano de fundo as Guerras de Religião (1562 a 1598), conflitos sangrentos entre católicos e huguenotes cujas raízes estavam em antigas disputas pelo trono da França, e mostra como o amor e a paixão provocam alianças e disputas. Margot é a ponta de triângulos amorosos de características e dinâmicas próprias e passa por um processo de amadurecimento, da jovem princesa preocupada com seus prazeres para a rainha envolvida diretamente nas intrigas do trono. A edição traz o texto integral do romance em nova tradução de Bruno Ribeiro de Lima e Lara Neves Soares e um prefácio da professora doutora em língua e literatura francesas da Unifesp Maria Lúcia Dias Mendes, que discute a vida e a obra de Dumas, os bastidores da escrita do romance e o nascimento do movimento romântico na literatura francesa. A capa traz a atriz Jeanne Moreau em cena do filme de 1954, baseado no livro, dirigido por Jean Dréville. A história ganharia uma nova versão para as telas 40 anos depois, dirigida por Patrick Chéreau e protagonizada por Isabelle Adjani.

 

 

 

Destaque infantojuvenil

canto-do-uirapuru_capa-baixaVencedor do Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2016 na categoria juvenil, entregue nesta semana, Canto do Uirapuru (Escrita Fina), de Érica Bombardi, é um romance de formação num Brasil rural e contemporâneo. O protagonista, Max, de 16 anos, quer deixar a decadente fazenda que dá nome ao livro para estudar na cidade grande. De repente, uma novidade que vem de longe pode transformar o lugar – e a cabeça do adolescente. Canto do Uirapuru também foi finalista do Barco a Vapor do ano passado. No mesmo ano, outro livro infantil de Érica, Besouros, foi premiado no 5º Concurso Agostinho de Cultura. Em 2014, ela venceu o 25º Concurso de Contos Paulo Leminski e seu poema “Asas” foi selecionado no Prêmio Sesc de Poesias Carlos Drummond de Andrade.

Instituto Pró-Livro apresenta os vencedores da 1ª edição do Prêmio IPL – Retratos da Leitura

unnamedO Instituto Pró-Livro entrega logo mais, em São Paulo, troféus aos vencedores da 1ª edição do Prêmio IPL – Retratos da Leitura, que reconhece e homenageia organizações por suas práticas que estimulam a leitura. A segunda edição será lançada em março de 2017, juntamente com a Plataforma Pró-Livro, espaço colaborativo onde será possível, além de receber as inscrições dos projetos para concorrer ao prêmio, cadastrar, mapear, divulgar e conhecer estudos, pesquisas, programas e projetos de fomento à leitura e difusão/acesso ao livro, desenvolvidos em todo o Brasil pelo governo, universidades e sociedade civil. Conheça os vencedores deste ano:

Categoria Cadeia Produtiva:

  • Instituto Ecofuturo (mantenedora: Suzano Papel e Celulose) – Projeto Bibliotecas Comunitárias – Ler é Preciso.
  • Skoob – (Portal de compartilhamento sobre livros e leituras pelos leitores)
  • Companhia das Letras (Editora Schwarcz) – Projeto Clubes de leitura com remição de pena.

Categoria ONGs:

  • Fundação Itaú Social – Programa Itaú Criança – Campanha “Leia para uma criança”
  • Associação Vaga Lume – Expedição Vaga Lume
  • ACEC – Associação Cultural Estudos Contemporâneos – Flupp – A Festa Literária das Periferias.

Categoria Mídia:

  • Revista Emília
  • Fundação Volkswagen – Plataforma do Letramento (coordenação técnica CENPEC)
  • GloboNews Literatura

Categoria Bibliotecas:

  • Biblioteca Pública Estadual do Acre
  • Biblioteca de São Paulo – Parque da Juventude
  • Rede Bibliotecas Parque do Estado do Rio de Janeiro

 

Os livros da vida de João Luiz Guimarães

joaoluizguimaraesO escritor e jornalista João Luiz Guimarães estreou na literatura vencendo o Prêmio Barco a Vapor de 2015 por O vento de Oalab (SM). O livro, lançado recentemente, tem como protagonista um balão de HQ (o Oalab do título) em uma divertida jornada filosófica, ilustrada por Bruno Nunes. Seu segundo texto infantil, Papo reto & papo curvo, levou outro prêmio, o Off Flip deste ano, e será lançado em 2017. Agora ele já trabalha em seu terceiro título, além de adaptar O vento de Oalab para o teatro. Aqui, ele fala sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

JLG – Minha experiência mais remota com os livros se deu em território duplamente estrangeiro: um exílio temporário de país e língua. Vivia no Canadá com meus pais e descobri, maravilhado, as possibilidades sonoras, plásticas, metafóricas, metafísicas – poéticas, enfim – das palavras e da língua (no caso, ainda do inglês) com o Dr. Seuss – autor infantil fundamental. Um de meus livros prediletos era Horton Hears a Who, que virou um filme de animação e no Brasil foi traduzido como Horton e o Mundo dos Quem. Trata de um elefante que acredita ouvir ruídos numa minúscula partícula de poeira – a qual encerraria todo um minúsculo universo de peculiares seres vivos, com cidades, leis, arquitetura, geografia e história próprias. Horton passa a proteger aquele planeta tão frágil, que estava pousado numa flor, da fúria e da descrença dos outros animais da floresta, que preferiam acreditar apenas no que era visível a olho nu.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

JLG – Na adolescência, me lembro de uma data marcante: eu aos 16 anos, quando senti pela primeira vez aquela vertigem de que não haveria vida suficiente para ler tudo de bom que a literatura produziu. Foi a época em que descobri Kafka, Calvino, Borges, Clarice, Rosa e a poesia de Pessoa, Drummond e João Cabral. Também comecei a prestar mais atenção na literatura descolada dos livros, como as letras de Chico, Gil e Caetano. E a que se dá a ouvir nos palcos: Shakespeare, Pirandello, Brecht, Nelson, Dias Gomes. Talvez, um dos livros mais marcantes de minha adolescência tenha sido A revolução dos bichos, do Orwell. Até hoje me impressiono com aquela estrutura fabular tão simples e, ao mesmo tempo, tão cheia de camadas de sentidos que se desdobram, fazendo uma das críticas mais contundentes ao totalitarismo no século XX.  Também é dessa mesma época o meu encantamento pela “literatura” de não-ficção produzida por alguns de meus heróis particulares: Carl Sagan, Oliver Sacks e Stephen Jay Gould – que me mostraram que a realidade científica pode ser tão maravilhosa quanto a mais tresloucada invenção literária.

SM – O que você está lendo agora?

JLG – No momento, me dedico a ler livros sobre mitologia Greco-Romana, outra de minhas paixões. Em paralelo, estou começando a encarar a Ilíada – após ter me deslumbrado, no ano passado, com a Odisseia. Não são leituras fluidas, tranquilas, mas a travessia vale muito a pena, principalmente com as novas traduções existentes, repletas de fortuna crítica e que buscam preservar o caráter eminentemente oral e musical destas obras, criadas para serem cantadas e declamadas, de forma análoga à literatura de cordel de nossos melhores repentistas nordestinos. Descobri, encantado, que há algo de Suassúnico em Homero e de Homérico em Suassuna. Sendo que o mais bacana é lembrar que, ao contrário do grego, pelo menos de Suassuna temos a certeza de que ele realmente existiu e foi brasileiro. Que honra e que sorte a nossa. Desculpe pela digressão, mas o que é a literatura senão uma grande e intercomunicante digressão – como no sonho de Borges em que o paraíso era uma biblioteca infinita. Aliás, isso me remete novamente à minha infância, quando brincava mentalmente com a ideia de que os títulos das lombadas dos livros de cada biblioteca, se lidos na sequência certa, deveriam contar uma história incrível.

Continuam abertas as inscrições para Jabuti nas Livrarias

unnamedLivreiros têm até 15 de janeiro para se inscrever na primeira edição do Jabuti nas Livrarias, concurso da Câmara Brasileira do Livro com apoio da Associação Nacional de Livrarias que vai levar o vencedor à Feira do Livro de Buenos Aires. O objetivo é ampliar a exposição dos livros vencedores e finalistas do Jabuti nas vitrines. Inscrições no e-mail jabuti@cbl.org.br. Confira o regulamento em http://cbl.org.br/site/wp-content/uploads/2016/11/Regulamento-concurso-Jabuti-nas-livrarias.pdf