Os livros da vida de Ricardo Lísias

foto nova.jpgUm artista plástico conceituado, morador de Copacabana, prestes a montar sua primeira exposição individual, sobe a favela do Pavão-Pavãozinho e desce fazendo uma performance inesperada que ganha as ruas do bairro da zona sul e, por conta da viralização das imagens, vira notícia em todo o mundo. Depois da repercussão, ele resolve criar sua obra-prima, com a ajuda do traficante do morro. Assim é A vista particular (Alfaguara), novo livro de Ricardo Lísias, autor que costuma fazer crítica social de forma inusitada. Em Divórcio, um personagem com o nome do escritor era o protagonista de um confuso processo de dissolução de casamento. A autoficção chegou ao extremo em O delegado Tobias, e Lísias chegou a ser intimado por falsificação de documento. Aqui, ele fala sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

RL – Tenho duas lembranças relacionadas a livros. A primeira não diz respeito a um só, mas a uma coleção: “O sítio do pica-pau amarelo” do Monteiro Lobato. Tínhamos a coleção completa e com certeza comecei a ler de forma mais organizada com esses livros. Mas não me lembro de um especificamente. Quanto a um único exemplar, o primeiro que me vem à cabeça é um bastante ilustrado, de capa dura e folhas grossas, com o texto integral de Os três mosqueteiros. Ganhei do meu avô e passei boas semanas com ele.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

RL – Acho que do ponto de vista da leitura, sem dúvida é esse exemplar de Os três mosqueteiros. Mas quando eu já pretendia desenvolver o meu próprio projeto estético, o que mais me marcou foi o Ulisses, de James Joyce. Do mesmo jeito, toda a obra do Samuel Beckett, bem como o momento heróico do Modernismo: Proust, Kafka, Virgínia Woolf, Thomas Mann. No Brasil, Graciliano Ramos e Machado de Assis.

SM – O que você está lendo agora?

RL – Estou lendo Máscaras, o terceiro volume da série “Estações” de Leonardo Padura. Antes dele, li Quem matou Roland Barthes, de Laurent Binet. E o próximo será O amor dos homens avulsos, do Victor Heringer. Já li o começo e me pareceu muito bom.

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