Cantinho da leitura

captura-de-tela-2017-01-31-as-10-29-32A Companhia das Letras acaba de lançar pela primeira vez no Brasil Queer, escrito em 1952 por William S. Burroughs, que só foi publicado 30 anos depois por causa da temática homossexual explícita. O livro tem como protagonista William Lee, alter ego do escritor, o mesmo de suas obras mais famosas: Junky, com a qual estreou na literatura, e Almoço nu, que fecha a trilogia sobre drogas e sexo, ambas relançadas recentemente pela editora. Desta vez, Lee está na Cidade do México, durante uma crise de abstinência, que ele tenta superar com álcool e com uma paixão obsessiva por Eugene Allerton. Os dois partem para a América Latina em busca da ayahuasca, a nova droga da época. Nascido em 1914 em uma família tradicional e morto em 1997, Burroughs foi um dos grandes nomes da geração beat, ao lado de Jack Kerouac e Allen Ginsberg. Ele começou a escrever depois de matar acidentalmente a mulher com uma arma durante uma brincadeira. A publicação conta com a introdução do autor à primeira edição do livro, de 1985. A tradução é de Christian Schwartz.

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Os livros da vida de Marcelo Moutinho

16325436_10210195188534380_879319111_oAutor de livros de contos, como Na dobra do dia e A palavra ausente, e do infantil A menina que perdeu as cores, integrante e organizador de antologias, o carioca de Madureira Marcelo Moutinho traz novas histórias em Ferrugem (Record), em que aborda os dramas de pessoas comuns. O livro será lançado nesta terça-feira às 19h no Rio de Janeiro, na Livraria da Travessa de Botafogo, e na quinta-feira em São Paulo, na Livraria da Vila da Fradique, no mesmo horário. Aqui, ele fala um pouco sobre suas leituras marcantes.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

MM – Flicts. Lembro com precisão do dia em que minha irmã Sandra me apresentou o livro escrito pelo Ziraldo. Eu estava triste em razão de algum conflito familiar e ela teve a sacada de me mostrar, por intermédio da história daquela estranha cor, que muitas vezes nos sentimos estranhos, alheios, sem lugar no mundo. A experiência do não pertencimento.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

MM -Difícil apontar apenas um. A metamorfose, de Franz Kafka, me marcou pela estranheza do protagonista, sua relativa invisibilidade, que logo se transformará em rejeição. Em Notas do subsolo (de Dostoiévski), fui tomado pela angústia do homem que se diz “doente” e se vê às voltas com pesados dilemas morais. O fragmentário Livro do desassossego, de Fernando Pessoa, me fez despertar para a relação sujeito/cidade – mediada, claro, pela literatura. E não poderia deixar de mencionar Felicidade clandestina, de Clarice Lispector. Pelo extraordinário domínio narrativo do gênero conto e pela temática das relações afetivas, que muito me interessa.

16325505_10210195186574331_723632023_oSM – O que você está lendo agora?

MM – Depois de me deliciar com o novo McEwan (Enclausurado), estou lendo o romance O amor dos homens avulsos, do Victor Heringer. A história se desenrola nos anos 1970 em um fictício bairro do subúrbio carioca. Com alta qualidade narrativa, Heringer escreveu um livro cuja potência está na ternura. E talvez, nesses tempos de tanto ódio, não haja nada mais revolucionário do que a ternura.

Foto: Divulgação/ Leo Aversa

Cantinho da leitura

Ó o Globo_Salgado_Frente capaSalgado ou doce? Um dos ícones da cidade do Rio de Janeiro, patrimônio cultural carioca e iguaria fundamental para acompanhar o mate na praia, o biscoito Globo ganhou “biografia”. Ó, o Globo! – A história de um biscoito (Valentina), da escritora e tradutora Ana Beatriz Manier, levanta aspectos desconhecidos sobre a produção da iguaria, misturados à história da cultura carioca e da vida de empreendedores que fizeram do negócio um grande sucesso.

Ó o Globo_Doce_Frente capaEstão lá a receita e detalhes da produção, desdobramentos da polêmica crítica do New York Times em 2016, depoimentos de famosos e anônimos, e encarte com imagens e fotos.  A publicação aborda outro aspecto polêmico e inusitado para marqueteiros: como uma marca que preserva a mesma embalagem da criação pode ser cada vez mais conhecida e positiva junto a consumidores e formadores de opinião, já que a empresa Biscoito Globo se recusa a investir em publicidade e divulgação? No capítulo Ambulantes, nossos heróis do asfalto e das orlas contam suas histórias de superação e dicas para ter sucesso na profissão. E há muitas curiosidades, como a de que os funcionários levam, em média, 8 segundos para colocar nove rosquinhas dentro do saquinho de papel e dar aquela dobradinha nas laterais, e de que 70% das vendas são de biscoito salgado e 30% de doce. O livro tem capa nas duas versões. O lançamento será no dia 3 de fevereiro, às 18h, na Livraria da Travessa do Leblon, no Rio.

 

 

Destaque infantojuvenil

familia-de-todo-jeito-capawebEm Família de todo jeito (Zit), Ana Claudia Bastos aborda a diversidade pelos olhos de uma menina, que da janela vê no prédio em frente todo tipo de arranjos pessoais. Famílias grandes, pequenas, de todas as cores, com dois papais ou duas mamães… E assim, descobre que todas têm em comum o amor. “O encanto deste livro é abrir os nossos olhos para diferentes modelos de família. Onde há amor, somos todos irmãos e irmãs”, escreve Frei Betto. Ilustrado por Rita Carelli, o livro tem formato comprido, 14×28, como se fosse um edifício. Ótima pedida para leitores iniciantes.

Bibliomundi passa a integrar associação internacional de metadados

logoA Bibliomundi (www.bibliomundi.com.br), plataforma de autopublicação e distribuição de livros digitais, é a primeira empresa sul-americana a integrar a Editeur, entidade internacional que desenvolve padrões de comércio eletrônico e de informações bibliográficas (metadados) para o mercado de livros, e-books e periódicos eletrônicos. Criada em 1991, a Editeur tem 110 membros em 25 países. Segundo o fundador da Bibliomundi, a participação assegura, a seus usuários e parceiros, a conformidade e a atualidade dos padrões de metadados da plataforma sobre a venda das obras. “Nossa participação na Editeur inclui a tradução para o português e disponibilização para os nossos parceiros de normas do ‘Onix for Books’, o manual que estabelece o padrão internacional de informações da indústria de livros em formato eletrônico”, explica Raphael Secchin.

Três perguntas para Pedro Maciel

pedroAutor dos romances Previsões de um cego (Leya, 2011), “Retornar com os pássaros” (Leya, 2010), Como deixei de ser Deus (Topbooks, 2009), e A hora dos náufragos (Bertrand Brasil, 2006), Pedro Maciel acaba de lançar A noite de um iluminado (Iluminuras). Ambientado em uma única noite, o romance fragmentado com capítulos com nomes de estrelas tem um protagonista-narrador prestes a morrer. No booktrailer, é possível entrar no clima da narrativa do autor: https://www.facebook.com/pedro.maciel.9484?ref=bookmarks

SM – O romance é passado em uma noite, com um protagonista que vai morrer relembrando seus antepassados. Como é essa ideia de discutir tempo e espaço em um livro dentro do livro?                 

PM – O tempo e a morte são os temas que norteiam A noite de um iluminado. O final do prólogo é uma síntese do livro: “Será que estou vivenciando o primeiro dia da eternidade? Há séculos habito um tempo e não um espaço. Hoje em dia caço estrelas invisíveis que foram ignoradas por meus ancestrais. Toda a minha vida foi prevista por uma estrela visível. Serão os mortos a luz das estrelas? As estrelas invisíveis vão me levar para o tempo prometido.”

capaSM – Antes de A noite de um iluminado, você publicou praticamente um título por ano. De que forma seus cinco romances se encaixam?

PM – O escritor escreve o mesmo livro a vida toda. O último livro é a soma de todos os outros livros. A  voz do protagonista é a voz de todos os outros personagens.

SM – Ferreira Gullar era seu amigo e lia seus originais. Qual foi a maior contribuição que ele já fez a você como escritor?

PM – Ferreira Gullar, Moacyr Scliar, Silviano Santiago, Antonio Cícero e Ivo Barroso leram os originais dos meus romances. Por isso eu os convidei para escrever os posfácios ou os textos para as orelhas dos livros. Todos estes autores e os escritores que releio sempre me ajudam a desvendar a minha sintaxe. Aliás, o autor é antes de tudo um leitor. Confesso-lhe que sou melhor leitor do que autor.