Os livros da vida de Marcelo Moutinho

16325436_10210195188534380_879319111_oAutor de livros de contos, como Na dobra do dia e A palavra ausente, e do infantil A menina que perdeu as cores, integrante e organizador de antologias, o carioca de Madureira Marcelo Moutinho traz novas histórias em Ferrugem (Record), em que aborda os dramas de pessoas comuns. O livro será lançado nesta terça-feira às 19h no Rio de Janeiro, na Livraria da Travessa de Botafogo, e na quinta-feira em São Paulo, na Livraria da Vila da Fradique, no mesmo horário. Aqui, ele fala um pouco sobre suas leituras marcantes.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

MM – Flicts. Lembro com precisão do dia em que minha irmã Sandra me apresentou o livro escrito pelo Ziraldo. Eu estava triste em razão de algum conflito familiar e ela teve a sacada de me mostrar, por intermédio da história daquela estranha cor, que muitas vezes nos sentimos estranhos, alheios, sem lugar no mundo. A experiência do não pertencimento.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

MM -Difícil apontar apenas um. A metamorfose, de Franz Kafka, me marcou pela estranheza do protagonista, sua relativa invisibilidade, que logo se transformará em rejeição. Em Notas do subsolo (de Dostoiévski), fui tomado pela angústia do homem que se diz “doente” e se vê às voltas com pesados dilemas morais. O fragmentário Livro do desassossego, de Fernando Pessoa, me fez despertar para a relação sujeito/cidade – mediada, claro, pela literatura. E não poderia deixar de mencionar Felicidade clandestina, de Clarice Lispector. Pelo extraordinário domínio narrativo do gênero conto e pela temática das relações afetivas, que muito me interessa.

16325505_10210195186574331_723632023_oSM – O que você está lendo agora?

MM – Depois de me deliciar com o novo McEwan (Enclausurado), estou lendo o romance O amor dos homens avulsos, do Victor Heringer. A história se desenrola nos anos 1970 em um fictício bairro do subúrbio carioca. Com alta qualidade narrativa, Heringer escreveu um livro cuja potência está na ternura. E talvez, nesses tempos de tanto ódio, não haja nada mais revolucionário do que a ternura.

Foto: Divulgação/ Leo Aversa

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