Parceria para comemorar o Dia Internacional da Mulher

unnamedPara comemorar o Dia Internacional da Mulher, no próximo 8 de março, a Associação Nacional de Livrarias e a Rede de Escritoras Brasileiras firmaram parceria com a Campanha Semana Feminina de Literatura ANL e Rebra. O objetivo é ampliar a divulgação da literatura feita por mulheres, homenageando as escritoras clássicas e contemporâneas, com maior espaço nas principais vitrines literárias do país. As editoras também serão convidadas para atuar na semana de 6 a 11 de março. A ação sugere que elas desenvolvam eventos e ações de promoções especiais, divulgando obras de suas escritoras em parceria com as livrarias.
unnamed-1Entre as ações, a campanha sugere vitrines, gôndolas e demais pontos de destaque de lojas e mídias sociais dirigidas à data; encontro com escritoras nas livrarias; debates sobre o tema; e promoções comerciais. A ANL e a Rebra, que possui cerca de 5 mil associadas entre escritoras e apaixonados pela literatura feminina, realizarão um trabalho de divulgação através de seus mailings, mídias sociais e imprensa, estimulando a visita às livrarias incluídas na campanha.

 

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Clarice Lispector em ritmo carnavalesco

SAMSUNG CAMERA PICTURESNo ano em que completa 10 anos, o passeio O Rio de Clarice, que percorre a capital fluminense mostrando os pontos em que Clarice Lispector imortalizou em seus livros, homenageia a escritora entrando na folia. Teresa Montero, biógrafa de Clarice e idealizadora e guia dos passeios, convida os fãs da autora de A hora da estrela para lerem textos de Clarice com performances junto à sua estátua e de seu cão Ulisses, no Leme, neste sábado. Para embalar a festa carnavalesca, que começa às 11h e ganhou o nome de “Na folia com Clarice: contra a corrupção, mais educação”, Teresa compôs a Marchinha de Clarice, com arranjos de Miguel Montero. Haverá distribuição gratuita de 10 livros de Clarice Lispector e um kit Clarice carnaval para os 10 primeiros leitores que chegarem ao local.

Os livros da vida de Luís Henrique Pellanda

16833331_10206876661353970_1026240758_oO escritor e jornalista curitibano Luís Henrique Pellanda nos coloca dentro de sua cidade em Detetive à deriva (Arquipélago), com crônicas inspiradas nas ruas e janelas da capital paranaense. Na orelha do livro, Alvaro Costa e Silva, o Marechal, diz que o leitor se torna íntimo de lugares que talvez nunca tenha visitado e afirma: “Esse movimento de sair de casa tem tudo a ver. Ao contrário da tendência atual de transformar o espaço da crônica nos jornais, revistas e sites em tribuna de opinião, Pellanda prefere a rua como lugar de observação e inspiração.” Autor ainda de O macaco ornamental, Nós passaremos em branco e Asa de sereia, aqui ele conta um pouco sobre suas leituras e os caminhos que vem percorrendo.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

LHP – Deve ter sido uma das várias enciclopédias que meus pais, que não vinham de famílias leitoras, compraram para os filhos, no início dos anos 1970. A biblioteca da minha infância era enciclopédica, e não literária. Aprendi a ler nesses livros muito ilustrados sobre zoologia, botânica, geografia. Começou aí. Depois, ainda menino, passei a ler autores como Luis Fernando Verissimo e Sergio Porto, via Círculo do Livro. Os cronistas brasileiros foram a minha “estreia” na literatura. E também os romances policiais, em geral os da Agatha Christie, em papel-jornal, que eu comprava na banquinha diante da igreja do Capão Raso, bairro curitibano onde nasci. Foram esses dois gêneros inaugurais, digamos assim, a crônica e o policial, que juntei ao compor meu livro mais recente, Detetive à deriva.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

LHP – Aos 15 anos, li A montanha mágica, de Thomas Mann, pela primeira vez. Foi um terremoto. Eu vinha de leituras felizes, mas muito românticas, de Sartre, Camus e Kafka, de clássicos antigos, de poetas e prosadores brasileiros da virada do século. E A montanha mágica me desestruturou. Marcou o início da minha fase “adulta” de leitor. Foi realmente uma iniciação, o reconhecimento de uma imensa ignorância pessoal em relação ao mundo, à história, à cultura, às práticas sociais. Mann me ensinou a ler, a reler, a estudar, a pensar todos os lados de uma questão. Ele me ensinou a levar a sério quem discordava de mim. Quanto ao livro em si, ele foi muito importante na época de sua publicação, o período entreguerras na Alemanha, e continua relevante hoje, quase cem anos depois, quando vivemos um novo momento de grande instabilidade política e econômica, de polarização ideológica, de irritação e medo generalizados.

SM – O que você está lendo agora?

LHP – Estou lendo Milênio, do genial catalão Manuel Vázquez Montalbán, último livro da série protagonizada pelo detetive Pepe Carvalho, e que foi publicado em 2004, pouco depois da morte do autor. É um catatau “finíssimo”, sentimental e irônico ao mesmo tempo. Fugindo de assassinos, Carvalho e seu assistente Biscuter dão a volta ao mundo, passando por Itália, Grécia, Egito, Afeganistão, Turquia, Israel, Argentina, Brasil. O giro da dupla — que viaja sob os pseudônimos de Bouvard e Pécuchet — serve de pretexto para a análise de vários imbróglios contemporâneos (com os quais ainda teremos que nos entender): as paixões separatistas, o ódio aos imigrantes e refugiados, a especulação imobiliária, as consequências da globalização, a ascensão de novas formas de fascismo. Aliás, também estou lendo Globalização, democracia e terrorismo, de Eric Hobsbawn, e Medo, reverência, terror, de Carlo Ginzburg, ambos livros de ensaios.

Coleção resgata clássicos da literatura estrangeira

img_6448A Nova Fronteira iniciou uma coleção que resgata grandes obras de autores estrangeiros de seu catálogo, em edições de luxo e capas assinadas por Victor Burton. A Clássicos de Ouro terá 22 títulos, que serão lançados ao longo do ano. Os quatro primeiros já estão disponíveis nas livrarias: Memórias de uma moça bem-comportada, de Simone de Beauvoir; História do pensamento ocidental, de Bertrand Russell; Como vejo o mundo, de Albert Einstein; e Retrato do artista quando jovem, de James Joyce. Um dos fundadores do Modernismo, o livro de Joyce é referência para escritores de todo o mundo. Einstein reúne textos escritos entre 1930 e 1935 sobre temas como o respeito às minorias, desarmamento e a relação entre religião e ciência. A obra de Russell, Nobel de Literatura de 1950, acompanha o desenvolvimento histórico da filosofia. O livro de Simone de Beauvoir , há oito anos fora do mercado, é uma autobiografia de um dos ícones do feminismo. A lista conta ainda com Günter Grass, Edgar Allan Poe e Adam Smith, entre outros.

Três perguntas para Frini Georgakopoulos

frini-047-copyA jornalista e blogueira Frini Georgakopoulos, do blog cheirodelivro.com, aborda de forma interativa em Sou fã! E agora? – Um livro para quem é apaixonado por histórias (Seguinte) sua experiência no mercado de livros, desde a organização de eventos literários a como escrever fanfiction, passando por cosplay, mídias sociais, blogs. O livro mostra como obras literárias nacionais e internacionais e audiovisuais podem transformar personalidades e o olhar sobre o mundo.

SM – O subtítulo já dá uma pista do que é o livro, mas vamos esclarecer: é para quem gosta de ler e para quem gosta de escrever?

FG – Acho que Sou fã! E agora? é para todo mundo. Já tive mães que vieram me perguntar se o meu livro as ajudaria a entender seus filhos (que fazem maratona de seriados no Netfllix e viram a noite lendo). Disse que esperava que sim! (risos). Já tive relatos de leitores que não são fãs, mas que passaram a ver com outros olhos os gêneros que cito, que não tinham se atentado para alguns elementos de narrativa e como eles têm impacto na leitura. E já tive leitores muito jovens que se apaixonaram pelo livro porque, segundo eles, os fez sentir que não estão sozinhos. Então acho que quem já curte ler e escrever terá na leitura de Sou fã! E agora?”uma companhia de quem o entende. Quem ainda não se descobriu leitor pode ter na leitura uma chave ou talvez um mapa para um mundo que não conhecem, mas que são convidados a explorar. O livro não é apenas “mais um livro interativo”, mas apresenta uma teoria sobre cultura de fã aplicada à realidade nacional com exercícios práticos de como exercer isso. Fãs não são somente os apontados como fanáticos. Fãs são aqueles tocados pela arte alheia e que abraçam esse impacto que um livro, um filme, uma música tem em sua vida para buscar uma forma de escapar da realidade ou de torná-la melhor. Meu livro já divertiu muita gente e também ajudou várias pessoas a planejarem aulas, monografias e teses de mestrado. Então, como todo livro, ele é para o leitor. O seu impacto vai depender da vivência de cada um.

SM – Você mediou debates com grandes nomes da literatura jovem, nacionais e estrangeiros. Tem alguma história curiosa que você viu ou viveu com algum deles e que não está no livro?

FG – Bem, não diria curiosa, mas foi engraçada. Aconteceu na Bienal do Livro de São Paulo, em 2016, quando lancei Sou fã! E agora?, então não chegou a entrar no livro. Durante o evento, mediei várias autoras internacionais e uma delas foi Lucinda Riley. A autora ama o Brasil, já veio várias vezes para cá e até escreveu um romance que se passa por aqui. Bem, antes de começar qualquer debate, sempre converso com os autores e contei a ela que pediria para os fãs fazerem perguntas, mas que não poderiam contar spoilers dos livros (ou seja, fatos-chave do desenrolar da trama). Lucinda (que me pediu para chamá-la de Lulu) concordou. Então ela disse que gostaria de tirar uma selfie com os fãs. Disse a ela que tudo bem, que do palco dava para tirar porque para descer ficaria perigoso, já que os fãs são muito empolgados e a autora estava com uma costela quebrada na ocasião. Tudo certo! Subimos ao palco e qual foi a primeira coisa que Lucinda fez? Desceu para tirar foto com os fãs! Foi uma correria, seguranças, pessoal da editora, uma zona! Comecei a falar para o pessoal ir com cuidado, que ela estava machucada e tal e todo mundo realmente seguiu a orientação. Foram cuidadosos com ela, tiraram fotos e ela voltou inteira para o palco. Nenhum fã soltou spoilers nas perguntas, mas adivinha quem soltou nas respostas? Lulu! Pois é! A gente conversa com os fãs, mas quem puxa nosso tapete é a autora! Claro que falei isso para ela. No microfone. Todos rimos e foi ótimo. 🙂

capaSM – O que de mais importante você aprendeu com os leitores?

FG – Que julgar um livro pela capa não é tão ruim quanto julgar uma pessoa pelo seu gosto literário. Quando se lida com fãs e quando se é um fã, levamos tudo para o pessoal. Insultar um livro ou um ator é como se falassem mal da nossa avó, sabe? Dói, revolta e instiga uma resposta. Mas temos que levar em conta que gostamos das mesmas coisas ou de coisas diferentes por motivos iguais ou diferentes. E isso é incrível! Não cabe a ninguém julgar ou insultar os outros, muito menos pelo seu gosto literário ou pela banda que mais curte ou pelo seriado favorito. Em mais de 10 anos de experiência com eventos voltados para fãs, aprendi isso com leitores, autores e profissionais de mercado. Aprendi a ser mais generosa e eu procuro passar isso adiante. Hoje, temos informação na palma de nossa mão, mas é preciso refletir e questionar e não apenas aceitar o que é dito. Então o que procuro fazer é me esforçar ao máximo para promover uma discussão de relevância entre leitores, mas de forma divertida. O foco é todos sairmos com mais conhecimento. Uma cabeça mais aberta é a estratégia ideal contra os “pré-conceitos”.

Foto: Divulgação/ Daniela Conti

Inscrições para o prêmio Sesc terminam amanhã

captura-de-tela-2017-01-10-acc80s-16-10-38Termina amanhã o prazo para se inscrever no Prêmio Sesc de Literatura. Escritores podem concorrer com seus romances ou livros de contos inéditos, podendo ter um livro em cada uma das categorias, desde que nunca tenham publicado obras nos gêneros. O processo seletivo será realizado via internet e os vencedores terão suas obras publicadas pela editora Record. O resultado sai em junho. No ano passado, o prêmio teve 1.503 livros inscritos, sendo 709 de contos e 794 romances. Os vencedores foram Franklin Carvalho com Céus e terra e Mário Rodrigues com Receita para se fazer um monstro. O edital para 2017 pode ser acessado no site http://www.sesc.com.br/portal/site/premiosesc/premio/

Destaque infantojuvenil

46335124Em O trenzinho do Dioniso (Oficina), o escritor, poeta e professor de literatura portuguesa Luis Maffei se inspira no filho de seis anos para descrever uma aventura pelo planeta Terra. A ideia inicial era criar uma história que dialogasse com “O trenzinho do caipira”, poema que Ferreira Gullar fez para a música de Villa-Lobos, que integra as Bachianas Brasileiras no. 2, mas Dioniso, o filho de Maffei, achou que o protagonista das ilustrações criadas pela portuguesa Sara Paz se parecia com ele. Então, o menino virou o personagem que corre de trem pela terra, pela serra e pelo mar até o céu, contando com ajuda dos amigos. Luis Maffei é autor de outro infantil, Valdemar e James: uns macacos muito amigos.