Três perguntas para Frini Georgakopoulos

frini-047-copyA jornalista e blogueira Frini Georgakopoulos, do blog cheirodelivro.com, aborda de forma interativa em Sou fã! E agora? – Um livro para quem é apaixonado por histórias (Seguinte) sua experiência no mercado de livros, desde a organização de eventos literários a como escrever fanfiction, passando por cosplay, mídias sociais, blogs. O livro mostra como obras literárias nacionais e internacionais e audiovisuais podem transformar personalidades e o olhar sobre o mundo.

SM – O subtítulo já dá uma pista do que é o livro, mas vamos esclarecer: é para quem gosta de ler e para quem gosta de escrever?

FG – Acho que Sou fã! E agora? é para todo mundo. Já tive mães que vieram me perguntar se o meu livro as ajudaria a entender seus filhos (que fazem maratona de seriados no Netfllix e viram a noite lendo). Disse que esperava que sim! (risos). Já tive relatos de leitores que não são fãs, mas que passaram a ver com outros olhos os gêneros que cito, que não tinham se atentado para alguns elementos de narrativa e como eles têm impacto na leitura. E já tive leitores muito jovens que se apaixonaram pelo livro porque, segundo eles, os fez sentir que não estão sozinhos. Então acho que quem já curte ler e escrever terá na leitura de Sou fã! E agora?”uma companhia de quem o entende. Quem ainda não se descobriu leitor pode ter na leitura uma chave ou talvez um mapa para um mundo que não conhecem, mas que são convidados a explorar. O livro não é apenas “mais um livro interativo”, mas apresenta uma teoria sobre cultura de fã aplicada à realidade nacional com exercícios práticos de como exercer isso. Fãs não são somente os apontados como fanáticos. Fãs são aqueles tocados pela arte alheia e que abraçam esse impacto que um livro, um filme, uma música tem em sua vida para buscar uma forma de escapar da realidade ou de torná-la melhor. Meu livro já divertiu muita gente e também ajudou várias pessoas a planejarem aulas, monografias e teses de mestrado. Então, como todo livro, ele é para o leitor. O seu impacto vai depender da vivência de cada um.

SM – Você mediou debates com grandes nomes da literatura jovem, nacionais e estrangeiros. Tem alguma história curiosa que você viu ou viveu com algum deles e que não está no livro?

FG – Bem, não diria curiosa, mas foi engraçada. Aconteceu na Bienal do Livro de São Paulo, em 2016, quando lancei Sou fã! E agora?, então não chegou a entrar no livro. Durante o evento, mediei várias autoras internacionais e uma delas foi Lucinda Riley. A autora ama o Brasil, já veio várias vezes para cá e até escreveu um romance que se passa por aqui. Bem, antes de começar qualquer debate, sempre converso com os autores e contei a ela que pediria para os fãs fazerem perguntas, mas que não poderiam contar spoilers dos livros (ou seja, fatos-chave do desenrolar da trama). Lucinda (que me pediu para chamá-la de Lulu) concordou. Então ela disse que gostaria de tirar uma selfie com os fãs. Disse a ela que tudo bem, que do palco dava para tirar porque para descer ficaria perigoso, já que os fãs são muito empolgados e a autora estava com uma costela quebrada na ocasião. Tudo certo! Subimos ao palco e qual foi a primeira coisa que Lucinda fez? Desceu para tirar foto com os fãs! Foi uma correria, seguranças, pessoal da editora, uma zona! Comecei a falar para o pessoal ir com cuidado, que ela estava machucada e tal e todo mundo realmente seguiu a orientação. Foram cuidadosos com ela, tiraram fotos e ela voltou inteira para o palco. Nenhum fã soltou spoilers nas perguntas, mas adivinha quem soltou nas respostas? Lulu! Pois é! A gente conversa com os fãs, mas quem puxa nosso tapete é a autora! Claro que falei isso para ela. No microfone. Todos rimos e foi ótimo. 🙂

capaSM – O que de mais importante você aprendeu com os leitores?

FG – Que julgar um livro pela capa não é tão ruim quanto julgar uma pessoa pelo seu gosto literário. Quando se lida com fãs e quando se é um fã, levamos tudo para o pessoal. Insultar um livro ou um ator é como se falassem mal da nossa avó, sabe? Dói, revolta e instiga uma resposta. Mas temos que levar em conta que gostamos das mesmas coisas ou de coisas diferentes por motivos iguais ou diferentes. E isso é incrível! Não cabe a ninguém julgar ou insultar os outros, muito menos pelo seu gosto literário ou pela banda que mais curte ou pelo seriado favorito. Em mais de 10 anos de experiência com eventos voltados para fãs, aprendi isso com leitores, autores e profissionais de mercado. Aprendi a ser mais generosa e eu procuro passar isso adiante. Hoje, temos informação na palma de nossa mão, mas é preciso refletir e questionar e não apenas aceitar o que é dito. Então o que procuro fazer é me esforçar ao máximo para promover uma discussão de relevância entre leitores, mas de forma divertida. O foco é todos sairmos com mais conhecimento. Uma cabeça mais aberta é a estratégia ideal contra os “pré-conceitos”.

Foto: Divulgação/ Daniela Conti

Anúncios

Um comentário sobre “Três perguntas para Frini Georgakopoulos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s