A Flip das mulheres

leilaPela primeira vez, a Festa Literária Internacional de Paraty terá mais mulheres do que homens em suas mesas. Serão 24 contra 22 em 22 mesas, incluindo a Flipinha, para crianças. Celebrando Lima Barreto (1881-1922), o evento também terá 30% de autores negros e foca na pluralidade de gêneros em que o homenageado exerceu o ofício – da reportagem ao romance, da crônica à memória e ao diário – e as questões que atravessaram sua obra – como a étnico-racial, a do artista como militante e a da etnografia da cidade. Durante a apresentação, nesta terça-feira, a curadora Joselia Aguiar destacou o novo olhar que imprimiu a esta edição. “Além de incluir mais mulheres, muitas mesas estão pensadas a partir do ponto de vista feminino”, disse. 

Destaque para a argentina Leila Guerriero (foto), um dos grandes nomes do jornalismo narrativo na América Latina ao preferir a periferia e os coadjuvantes, e não o centro e os protagonistas; o islandês Sjón, apontado como o grande romancista do norte europeu e letrista de sucesso em parcerias com Björk, indicado ao Oscar pela trilha do filme Dançando no Escuro (2000), de Lars von Trier; e o encontro inédito do jamaicano Marlon James e do americano Paul Beatty, dois autores negros que venceram, em dois anos consecutivos (2015 e 2016), o Man Booker Prize, o prêmio mais prestigioso da língua inglesa.

O evento apresentará uma série de intervenções poéticas intitulada Fruto Estranho, em que, individualmente e durante 15 minutos, seis autores vão se apresentar antes de seis mesas ao longo do programa. O nome da série remete à música imortalizada por Billie Holiday (Strange fruit) e ao fato de cada autor trabalhar com formas híbridas – combinações de poesia, fotografia, vídeo, performance, teatro. A convite da curadoria da Flip, o Grupo Intelectuais Negras UFRJ lançará em Paraty, durante a festa literária, a obra Intelectuais negras. Trata-se de um catálogo-portfólio que reúne informações biográficas e profissionais de mulheres negras atuantes em todo o Brasil. O lançamento ocorrerá dentro da programação da Casa Amado e Saramago, no sábado, dia 29/07. A Flip vai de 26 a 30 de julho. Confira a programação completa:

 

 

quarta-feira

  • 19h15 Mesa 1 – Sessão de abertura – Lima Barreto: triste visionário

Vida e obra de Lima Barreto são apresentadas nesta aula ilustrada, comparando o Brasil que viu em sua época e o futuro que previa, com leituras e imagens inéditas de uma nova biografia.

Lázaro Ramos

Lilia Schwarcz

dir.: Felipe Hirsch

 

quinta-feira

  • 10h território Flip | Flipinha – Mesa Zé Kleber: Aldeia

A convivência e a fruição do território que vêm de sabedorias ancestrais são os principais temas desse diálogo entre três pensadores líderes de suas comunidades – dois indígenas e uma quilombola – que têm cada vez mais ressonância em todo o país.

Álvaro Tukano

Laura Maria dos Santos

Ivanilde Kerexu Pereira

  • 12h Mesa 2: Arqueologia de um autor

Entre a paixão e a minúcia, recupera-se a obra dispersa de um autor à margem e se define o lugar de Lima Barreto entre os clássicos e no cânone afro-brasileiro, nesta conversa que soma história e crítica literária.

Beatriz Resende

Edimilson de Almeida Pereira

Felipe Botelho Corrêa

  • 15h Mesa 3: Pontos de fuga

[Fruto Estranho: Josely Vianna Baptista]

Três premiadas vozes da novíssima literatura em língua portuguesa falam de suas influências, técnicas e experiências: como lidam com a tradição e a renovam, seus modelos e perspectivas.

Carol Rodrigues

Djaimilia Pereira de Almeida

Natalia Borges Polesso

  • 17h15 Mesa 4: Fuks & Fux

A autoficção é um dos eixos deste diálogo, bem como as parcerias e rivalidades na história da literatura. Como pano de fundo, imigração, resistência, vanguarda francesa, matemática.

Julián Fuks

Jacques Fux

  • 19h15 Mesa 5: Odi et amo

[Fruto Estranho: Grace Passô]

A tradição greco-latina, seus mitos, poesia e narrativas, a Bíblia grega, a literatura e a cultura medieval: nesta conversa entre dois grandes tradutores do latim e do grego, tem-se uma breve história das ideias e dos sentimentos do Ocidente.

Frederico Lourenço

Guilherme Gontijo

  • 21h30 Mesa 6: Em nome da mãe

Histórias de guerras e de sobrevivência, de invenções e reconstruções artísticas a partir do ponto de vista feminino, no encontro entre uma brasileira filha de uma sobrevivente de Auschwitz e de uma ruandesa tutsi que perdeu a família no genocídio e é influenciada pela literatura do holocausto.

Noemi Jaffe

Scholastique Mukasonga

 

sexta-feira

  • 10h território Flip | Flipinha – A pele que habito

As identidades e as relações de cor nos países da lusofonia são o principal tema desta conversa, que parte da trajetória artística de um ator de sucesso no Brasil e uma jornalista portuguesa autora de premiado livro-documentário sobre o racismo em português.

Joana Gorjão Henriques

Lázaro Ramos

  • 12h Mesa 7: Moderno antes dos modernistas

A singularidade da linguagem de Lima Barreto é evidenciada a partir de sua aversão ao bacharelesco e da visão da arte como militância, na sua escrita para jornal e nos diários do hospício. No debate, são lembrados autores que foram seus contemporâneos e autores posteriores sob sua influência.

Antonio Arnoni Prado

Luciana Hidalgo

  • 15h Mesa 8: Subúrbio

[Fruto Estranho: Prisca Agustoni]

Uma visita aos lugares por onde Lima Barreto passou no Rio de Janeiro, com seus personagens de crônicas, contos e romances, seguindo a linha do trem e arrabaldes de ontem e hoje, a etnografia e a poética das ruas, a partir de dois olhares: o de uma especialista em sua obra e em literatura contemporânea e o de um historiador que entende de Ifá, encantados, samba e cultura popular carioca.

Beatriz Resende

Luiz Antonio Simas

  • 17h15 Mesa 9: Na contracorrente

A resistência feminina e os projetos realizados em campos periféricos da cultura e da ciência: neste encontro-depoimento, tem-se a trajetória de uma dos maiores nomes da arqueologia no mundo, a partir do Piauí, e de uma espanhola presidenta de uma instituição que tem como bandeiras a literatura em língua portuguesa, os direitos humanos e o meio-ambiente.

Niéde Guidon

Pilar del Río

  • 19h15 Mesa 10: A contrapelo

[Fruto Estranho: Ricardo Aleixo]

Uma escritora experimental chilena referência na crítica feminista e um refinado documentarista brasileiro, que contou a trajetória do poeta Wally Salomão e do pintor Leonilson, conversam sobre linguagens na fronteira e resistência artística.

Carlos Nader

Diamela Eltit

  • 21h30 Mesa 11: Por que escrevo

Um jornalista que cobriu conflitos na África e que, nas horas vagas, praticava obsessivamente o surf e fez dessa experiência um premiado livro de memórias se encontra com uma escritora nascida na África do Sul do apartheid: uma conversa sobre as diferentes motivações de um escritor e a entrega ao ofício.

Deborah Levy

William Finnegan

 

sábado

  • 10h território Flip | Flipinha – VOCO

Improvisações vocais entremeadas a poemas com interação do público. Sem se dar conta, as pessoas passam por uma série de procedimentos vocais extraídos tanto do contexto da música e da poesia experimentais quanto das práticas ritualísticas africanas e ameríndias. Efeitos eletrônicos, como os de pedais, são usados para a diversão das crianças.

Ricardo Aleixo

  • 12h Mesa 12: Foras de série

Personagens singulares da história e da literatura brasileiras, como ex-escravos que triunfaram e mulheres revolucionárias no Brasil do século 19, permeiam este debate sobre vozes dissonantes e as técnicas de pesquisa e escrita que reúne uma romancista e um historiador da escravidão – a invenção da liberdade até chegar ao período do pós-abolição de Lima Barreto.

Ana Miranda

João José Reis

  • 15h Mesa 13: Kanguei no Maiki – Peguei no microfone

[Fruto Estranho: Adelaide Ivánova]

O ativismo e a literatura — ao gosto de Lima Barreto —, a resistência e a liberdade: eis o pano de fundo da conversa entre um rapper que fez um diário da prisão em Angola quando foi preso com livros considerados subversivos e uma escritora que, entre indas e vindas ao exterior, se dedicou à educação popular no sertão durante a ditadura.

Luaty Beirão

Maria Valéria Rezende

  • 17h15 Mesa 14: Mar de histórias

Borges é o ponto comum entre os dois autores, um da Islândia e outro do Rio, que conversam sobre contos de fada, mitologias, narrativas antigas que viajam e surrealismo.

Alberto Mussa

Sjón

  • 19h15 Mesa 15: Trótski e os trópicos

[Fruto Estranho: André Vallias]

Os limites da ficção e da não ficção, os protagonistas e os coadjuvantes, o local e o global são os temas desta conversa entre um escritor viajante francês e uma jornalista que, baseada na Argentina, escreve para toda a América Latina.

Leila Guerriero

Patrick Deville

  • 21h30 Mesa 16: O grande romance americano

Dois autores de uma mesma editora independente venceram, em anos sucessivos, o mais prestigioso prêmio de língua inglesa, o Man Booker Prize (2015 e 2016). Esta conversa revelará em que medida renovam a tradição a partir do seus pontos de vista particulares, a de um americano negro e a de um jamaicano negro que migrou para os EUA, onde ambos lecionam escrita criativa.

Marlon James

Paul Beatty

  

domingo

  • 10h território Flip | Flipinha – Ler o mundo

Aprender a olhar e escutar pelos livros infantis: duas escritoras brasileiras e um poeta e escritor negro conversam sobre leitura e olhares que lançam ao mundo e levam a suas obras para esse público.

Ana Miranda

Edimilson de Almeida Pereira

Maria Valéria Rezende

  • 12h Mesa 17: Amadas

Ao refazer sua trajetória com imagens e leituras, Conceição Evaristo, em conversa com Ana Maria Gonçalves, presta um tributo a outras vozes femininas africanas e da diáspora negra, como Angela Davis, Audre Lorde, Carolina de Jesus, Josefina Herrera, Nina Simone, Noêmia de Sousa, Odete Semedo, Paulina Chiziane e Toni Morrison.

Ana Maria Gonçalves

Conceição Evaristo

  • 15h Mesa 18: Livro de cabeceira

Na sessão de despedida da Flip, conduzida tradicionalmente por Liz Calder, autores convidados leem trechos de seus livros prediletos.

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