Anna Claudia Ramos: “Nunca uma diretoria destruiu o que a anterior havia feito, mas deu continuidade e avançou um pouco mais”

annaDentro da série de entrevistas com os presidentes da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), que está completando 18 anos, é a vez de conhecer a gestão de Anna Claudia Ramos, uma das fundadoras e presidente da instituição por dois mandatos, de 2007 a 2009 e 2009 a 2011. Escritora, professora de oficinas literárias e diretora do Atelier Vila das Artes, tem mais de 75 livros publicados e alguns prêmios. Participa de diversos projetos literários e de incentivo à leitura e percorre o país dando palestras e oficinas.

SM – O que é a AEILIJ pra você?

ACR – A criação da AEILIJ representou um sonho dos autores que escrevem para crianças e jovens. Tudo começou em 1998, quando um grupo de escritores e ilustradores de literatura infantil e juvenil, a partir de conversas informais, constatou que, apesar de sermos uma das forças mais importantes do mercado editorial, não tínhamos uma associação que servisse como nossa porta-voz, um espaço onde pudéssemos dialogar e debater. Até então, os encontros e reuniões esporádicas aconteciam em salões e feiras de livros pelo Brasil afora, ou nas tradicionais visitas às escolas. Nossos contatos limitavam-se, quase sempre, aos autores que viviam nos grandes centros urbanos. Os autores que residiam em cidades de pequeno e médio porte praticamente não tínhamos notícias. Vale lembrar que ainda não exista banda larga, e a internet ainda era discada naquele momento. O mundo virtual estava apenas começando… Um primeiro levantamento que fizemos mostrou que um número expressivo de autores, entre 300 e 500 autores, publicava obras de literatura para crianças e jovens em várias editoras. Essa constatação fortaleceu a demanda por uma associação que fosse representativa desse conjunto de profissionais. Acredito que cada vez mais, a AEILIJ vai precisar voar mais alto, mais longe, se profissionalizar e continuar abrindo espaços em torno das discussões que tangem os assuntos ligados à LIJ nos mais diversos espaços, porque desde a sua criação muita coisa mudou. As novas mídias aproximaram pessoas, modificaram relações. Então, penso que a nova gestão deve dar um pulo em direção a projetos de incentivo à leitura, orientando cada vez mais os novos autores, mas sem perder de vista a discussão política e estética sobre o livro e a leitura. Mas no fundo, a AEILIJ é um ponto de encontro da turma que escreve para crianças e jovens.

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

ACR – A cada mandato, cada presidente e sua diretoria foram fortalecendo o nome da AEILIJ. Nunca uma nova diretoria destruiu o que a anterior havia feito, mas sim deu continuidade e avançou um pouco mais em suas ações e projetos e, claro, imprimindo sua marca mais pessoal. Com isso, a AEILIJ se estabeleceu como uma instituição séria e respeitada por diversos órgãos governamentais e instituições ligadas ao livro e leitura em diversos estados brasileiros. Minha gestão ficou marcada por diferentes frentes. A luta por um lugar especial para a literatura na escola. A continuidade e a presença forte da AEILIJ na Câmara Setorial do Livro, Literatura e Leitura e nas Discussões sobre a Lei dos Direitos Autorais (que estava “pegando fogo” na época), participando de diferentes fóruns e encontros junto com MINC. Conseguimos, inclusive, impulsionar um seminário que foi organizado pelo MEC e MINC e PNLL para debater sobre o papel da literatura na escola. Nossa presença e voz ativa nestes fóruns foi fundamental para a AEILIJ ganhar credibilidade perante outras instituições. Também criamos a Expo Cores e Formas, fizemos uma festa para comemorar os 10 anos da associação, com patrocínio de diversas editoras. Criamos o Discussões AEILIJ, fortalecemos ainda mais as regionais, sobretudo no RS, onde fizemos por anos o Seminário de LIJ da AEILIJ. Criamos a AEILIJ Solidária, fazendo parcerias com a Fundação Dorina Nowill para Cegos e o Solar Literário, um projeto de leitura para o Solar Meninos de Luz. Demos continuidade a tudo que já vinha acontecendo na AEILIJ, como as bem-sucedidas parcerias com o programa educativo da FLIP (Cirandas dos Autores, que bolamos quando eu estava de Coordenadora de Comunicação e Estética na gestão do Luiz Antonio Aguiar), com a FNLIJ (Seminários e Eventos, tais como Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens) e com o site Dobras da Leitura (Trevo de Leituras). Criamos um site novo, que para a época pré-redes sociais foi uma novidade, pois os autores tinham uma página no site, com espaços para textos, foto e imagens, e que poderia ser totalmente administrada de forma independente por cada um.

Captura de Tela 2017-09-26 às 23.26.43SM – Foi na AEILIJ que você criou a campanha Autor não é brinde!

ACR – Estávamos cansados de sermos chamados para eventos sem receber cachê, ou para ir a escolas que nem tinham adotado nossos livros, mas que queriam nossa presença. Estávamos cansados de ouvir que escolas levavam atores de TV para festas de fim de ano pagando um bom cachê e quando nos convidavam sequer tocavam neste assunto. O texto que produzi na época ainda está atual. (Leia em http://annaclaudiaramos.com.br/arquivos/16094)

SM – O que você deixou de legado para a gestão seguinte?

ACR – A certeza que poderíamos trabalhar em equipe, sem competições internas, mas nos fortalecendo cada vez mais. Trabalhamos o tempo todo compartilhando ações, pensamentos e nos fortalecendo, sabendo que deveríamos estar sempre unidos e lutando pelo que acreditávamos. Mas acho que as respostas anteriores já falam um pouco sobre o que deixamos como legado.

 

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Finalistas do Jabuti saem na próxima terça

unnamedNa próxima terça-feira, a Câmara Brasileira do Livro faz a apuração da primeira fase do Jabuti e anuncia os 10 finalistas de cada uma das 29 categorias do prêmio. A apuração é aberta e pode ser conferida a partir das 10h na sede da CBL, que fica na Avenida Ipiranga, 1.267/ 10o. andar, em São Paulo.

Campanha na internet busca manter jornal de resenhas literárias

Caparascunho_208_book-1O Rascunho, uma das mais importantes publicações literárias do país, criada em Curitiba em 8 de abril de 2000 pelo jornalista e escritor Rogério Pereira, está com uma campanha de crowdfunding, que conta com o apoio de escritores como João Carrascoza, Luiz Ruffato e Milton Hatoum. A ideia é garantir a longevidade e relevância do jornal, que reúne resenhas, ensaios, entrevistas e textos de ficção há 208 edições. Além de aperfeiçoar o projeto gráfico, o jornal precisa reestruturar a área comercial, investir em um novo site, melhorar as plataformas digitais e, o mais importante, ampliar o número de páginas. Para ajudar a viabilizar esses avanços, é só acessar https://www.catarse.me/jornalrascunho?ref=ctrse_explore_pgsearch&project_id=61846&project_user_id=800804As doações começam em R$ 20. A meta é atingir R$ 80 mil até o dia 9 de outubro.

Os livros da vida de Heloisa Prieto

10608699_852415774769947_3564972013852424074_oEscritora, pesquisadora e tradutora, com mestrado em comunicação e semiótica, e doutorado em teoria literária, Heloisa Prieto tem mais de 70 livros, vários deles premiados. Os mais recentes são O guardião da floresta e outras histórias que você já conhece (Brinque Book), o quarto em parceria com a ilustradora Laurabeatriz, e Os castelos de Celeste (Bamzoozinho), ilustrado por Florence Breton. Aqui ela fala sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

HP – O primeiro livro marcante foi uma antologia de contos portugueses, da Vecchi. Ela me ofereceu a história da princesa que não queria aprender a ler, que mais tarde, já adulta, pude recontar.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

HP – O livro que mais marcou minha vida foi Tao Te king, de Lao Tse.

SM – O que você está lendo agora?

HP – Agora estou lendo Ireland´s wild plants, de Niall Mac Coitir, um livro sobre as plantas silvestres da Irlanda, seus mitos, lendas e folclore. Ele tem lindas ilustrações, é uma maravilha.

Sumiço de estátua é o ponto de partida de nova série investigativa para jovens leitores

image006O sumiço de uma grande estátua de bronze, que enfeitava a praça do condomínio, é o pretexto para a aprendiz de detetive Cecília iniciar uma investigação com seus amigos. E é também investindo na curiosidade em solucionar um enigma que o escritor Luis Eduardo Matta busca estimular novos leitores, em Detetive Cecília e a águia de bronze (Editora do Brasil), nova série de aventuras. “Como leitor adolescente de séries, não foi à toa que me tornei um escritor de séries para adolescentes”, diz o autor, que publicou seu primeiro livro com 18 anos. Com ilustrações de Fábio Sgroi, o livro começa quando a grande águia de bronze desaparece do chafariz da praça do condomínio e a protagonista resolve então solucionar o caso com seus amigos. Construído numa antiga fazenda, o condomínio possui a Casa Velha, antiga sede da propriedade, onde os personagens fazem incursões e descobrem o mistério que envolve o sumiço da estátua. Com personagens de diferentes idades e grupos sociais diversos, a narrativa abraça temas como ética, cidadania, sociabilidade, amizade e justiça.

 

Coletivo de poesia celebra cinco anos com novo espetáculo em São Paulo

poetas ambulantes_foto_renata armelinSem palco e sem microfone, os Poetas Ambulantes celebram cinco anos de atuação na capital paulista às quartas e quintas-feiras no Sesc 24 de Maio (Rua 24 de Maio, 109 – República – São Paulo). O espetáculo gratuito, com novo repertório, pode ser conferido nos dias 27 e 28 de setembro e 04 e 05 de outubro. Inspirados nos vendedores ambulantes que atuam nos transportes públicos, comercializando diferentes produtos, o grupo composto por seis poetas aposta na informalidade e na interatividade, distribuindo poemas impressos e declamando versos que discutem sobre política, feminismo, amor, fé e humor, contando com a energia do público, que influencia o ritmo do sarau ambulante.

No Sesc, sob a direção do poeta e ator Beto Belinatti, o coletivo composto por Mel Duarte, Carol Peixoto, Jefferson Santana, Mari Staphanato e Thiago Peixoto traz textos autorais e de outros autores, explorando as possibilidades da linguagem poética, com uma nova roupagem para as apresentações, trabalhando repertórios reconstruídos e divididos em temas.

Em Essepê, os textos de Daniel Minchoni, Miró da Muribeca, Racionais, Adoniran Barbosa e Marcelino Freire, entre outros, traduzem a cidade de São Paulo, com todos seus amores e desamores, reproduzindo o caos e as causas que vivem nela. Com Respeita as minas, o grupo propõe um momento de reflexão em torno do universo feminino, falando de feminismo e discutindo sobre machismo, com textos de nomes como Elisa Lucinda, Alice Ruiz, Anelis Assumpção e Itamar Assumpção.

Desde que foi criado, em 2012, o Poetas Ambulantes já realizou mais de 100 apresentações por todo o país,com destaque para as passagens por festivais como Festa Literário Internacional de Paraty, Festa Literária de Pernambuco (Fliporto) e VI Bienal de Jovens Criadores dos Países de Língua Portuguesa em Salvador (BA). Em São Paulo, o coletivo já rodou todas as linhas da CPTM e do metrô, bem como as principais avenidas. Além disso, uma vez por ano, sempre no mês de dezembro, os Poetas Ambulantes distribuem livros em locais públicos. Nesses cinco anos, já entregaram cerca de 3 mil exemplares de mão em mão. Para celebrar o aniversário, o grupo prepara agora um documentário.

Foto: Divulgação/ Renata Armelin

Luiz Antonio Aguiar: “Esforço para ganharmos voz na decisão de questões importantes para os autores”

luizContinuamos com a série de entrevistas com os presidentes da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), que está completando 18 anos. Quem conta agora um pouco dessa trajetória é Luiz Antonio Aguiar, presidente da associação em dois mandatos, de 2003 a 2005 e de 2005 a 2007. Escritor, professor de literatura, palestrante e consultor editorial, tem vários livros publicados e vários prêmios, entre eles dois Jabutis. Na gestão dele, foram criados os boletins informativos da entidade, que podem ser acessados em http://www.aeilij.org.br/boletins.

SM – O que é a AEILIJ pra você?

LAA – Acima de tudo uma oportunidade de unirmos forças para causas comuns, profissionais e políticas, e para democratização da LIJ. Sempre vi a AEILIJ como um espaço que pode concentrar esforços para fazermos coisas acontecerem.

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

LAA – Creio que a AEILIJ ganhou uma projeção política importante naqueles anos. Tinha a ver com o momento que o país passava, com um certo otimismo em relação ao que tínhamos pela frente, mas também com um esforço de todos os que participavam da entidade no sentido de ganharmos voz nas diferentes instâncias de decisão de questões importantes para os autores, a LIJ, a Literatura.

SM – Conte um pouco sobre as reuniões com o MEC, das quais vocês passaram a participar.

LAA – A AEILIJ passou a ser chamada para essas reuniões, e escutada, tanto no MEC quanto nos espaços criados a partir dali. Mais uma vez, era um outro momento no país. Tínhamos posições políticas claras, focadas na questão da democratização da literatura, a partir de nosso I Encontro Nacional, e ali houve ocasião de defendê-las. Se o país não tivesse desandado, acredito que continuaríamos dispondo desses espaços para discutir as políticas públicas em relação à Literatura. Faz falta algo assim hoje em dia e é uma luta que teremos cedo ou tarde de retomar. Não dá para os autores se isentarem, se distanciarem, dessas decisões.

SM – E como foi esse I Encontro Nacional AEILIJ, em novembro de 2003?

LAA – A ideia era unificar visões, termos propostas. Sentíamos, na Diretoria e nos debates da Associação, que logo precisaríamos de posições mais definidas sobre as políticas públicas em relação à Literatura e mesmo sobre nossas especificidades profissionais. Por exemplo, pode parecer pouco, mas não foi, a definição do “autor”, na AEILIJ, incluindo tanto o ilustrador como o escritor, nesse termo. Daí, decorreram desdobramentos importantes para nossa atuação. Mas houve muito mais. Foram dois dias de mesas e debates específicos, em São Paulo, com uma produção caprichada dos associados de lá. Na ocasião, nossa coordenadora era a Silvia Cintra Franco. Chamamos inclusive outras entidades próximas para o debate. Foi bastante produtivo.  

SM – Como foi a mudança da gestão do Rogério Andrade Barbosa, primeiro presidente da associação, para a sua?

LAA – Tranquilíssima. Quase uma continuidade. O Rogério Andrade Barbosa foi o sujeito que teve a ideia da AEILIJ e saiu por aí, percorrendo feiras, bienais, salões, estados, conversando com os autores. Naturalmente, foi nosso primeiro presidente. Eu fazia parte da chapa. E o Rogério se manteve na diretoria durante o meu mandato. Até hoje, sempre conversamos muito sobre questões do ofício.

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