Sandra Pina: “A literatura para crianças e jovens tem um diferencial, por isso temos tanta coisa a debater”

sandraNa penúltima entrevista da série com os presidentes da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), que está completando 18 anos, quem conta um pouco dessa jornada é a escritora e tradutora Sandra Pina, autora de mais de 30 livros para crianças e jovens e que também ministra oficinas sobre literatura e o ofício da escrita. Vice-presidente de 2011 a 2013, na gestão de Hermes Bernardi Jr. (foto abaixo), assumiu a associação de 2013 a 2015, tendo Anielizabeth como vice. Aqui ela fala também sobre a gestão do escritor e ilustrador gaúcho, morto há dois anos.

SM – O que é a AEILIJ pra você?

SP – A AEILIJ é o ponto de encontro entre criadores de livros para crianças e adolescentes. Diferente de outras manifestações artísticas, a escrita e a ilustração são atividades muito solitárias, então, numa época em que não havia redes sociais, a AEILIJ possibilitou o contato direto entre os criadores. Ali podíamos (e ainda podemos) debater questões peculiares ao nosso ofício. São assuntos profissionais, como contratos, relações com editores etc., mas também questões relativas à criação. Mas você pode argumentar: literatura é literatura independente do público a quem se destina, certo? Concordo. Porém, a literatura para crianças e jovens tem um diferencial, uma vez que nossos livros são uma espécie de porta de entrada do leitor no universo das histórias. Talvez por isso, tenhamos tantas coisas a debater.

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

SP – Ainda na gestão da Anna Claudia (Ramos), descobrimos que a AEILIJ estava irregular burocraticamente. Ninguém tinha se preocupado em registrar atas etc. e tal. Na verdade, pensando bem, acho que ninguém tinha qualquer noção desse lado burocrático (risos). Durante a gestão do Hermes, planejamos inscrever a associação em editais de fomento a leitura. Claro! Não foi possível. Assim, quando eu e Anielizabeth assumimos, tomamos como prioridades número 1, 2 e 3 a regularização da associação, de modo que esse problema não limitasse mais qualquer ação que tivéssemos vontade de realizar.

SM – Qual foi a importância de sair do eixo Rio-SP?

SP – Na época, a AEILIJ já tinha completado mais de 10 anos e, até então, todos os presidentes e boa parte da diretoria tinham sido do eixo Rio-SP. Quando o Hermes decidiu se candidatar, apoiamos a iniciativa porque era importante que os associados sentissem que a associação é uma entidade nacional. É claro que a distância física acabou limitando algumas ações. Por outro lado, como vice, eu estava aqui no Rio e, portanto, disponível para representar a associação sempre que necessário.

SM – Como foi o processo de legalização da associação?

SP – Na verdade, a associação sempre foi legalizada. O que aconteceu foi uma total inabilidade de nossa parte em cuidar da burocracia constante que a AEILIJ demandava. Todos nós fazemos um mea-culpa por isso. Precisamos de um tempo para “entender” um pouco os meandros de todo o processo, mas, felizmente, tínhamos, eu e Anielizabeth, a Andrea Taubman ao nosso lado. E também a Naná Martins (as duas eram tesoureiras). Ambas estavam muito mais familiarizadas do que nós com o assunto. E foi a Andrea que deu a sugestão de levarmos a sede oficial AEILIJ para Teresópolis, onde o processo de regularização seria menos lento e complexo. Foram muitas idas e vindas de documentos. Foi muita economia financeira para custear todo o processo. Mas ao final valeu a pena. Hoje em dia a AEILIJ tem toda a sua documentação em ordem e pode participar de qualquer edital ou parceria, tanto com o poder público, quanto com a iniciativa privada.

SM – Fale sobre a exposição dos 15 anos.

SP – Quando a AEILIJ completou 10 anos de existência, demos uma festa. E foi linda! Quando chegou a época de comemorar os 15 anos, achamos que seria interessante homenagear alguns dos associados fundadores. Assim, convidamos escritores e ilustradores que, de alguma forma, foram importantes para que a associação chegasse até ali, e pedimos textos inéditos e as respectivas ilustrações, sempre com o tema livre. Duas pranchas saíram desse critério: o meu texto e a ilustração da Anielizabeth. No nosso caso, nos comprometemos a criar algo que meio que contasse a história da AEILIJ. O primeiro espaço dessa expo foi a Bienal do Livro de São Paulo. E depois ela circulou por outros espaços.

SM – Você foi vice do Hermes Bernardi Jr.: o que você destaca da parceria e o que aprendeu com ele que usou na sua gestão?

SP – Hermes era um bom amigo e colega de ofício. Não posso dizer que tenha sido fácil, já que praticamente todas as nossas reuniões eram feitas via internet e nossas agendas não eram tão sincronizadas assim. Porém, para a associação, foi importante “descentralizar” a presidência por um tempo. Entretanto, boa parte das entidades ligadas ao livro e à leitura têm sede no eixo Rio-SP, o que fez com que eu acabasse tendo um papel muito ativo como representante da AEILIJ, já que não era possível para ele vir para cá com tanta frequência.

hermes

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