Alexandre de Castro Gomes: “É bom ter a oportunidade de fazer a diferença e, quem sabe, iluminar o caminho de alguém”

alexA última entrevista da série que comemora os 18 anos da AEILIJ é com o atual presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, Alexandre de Castro Gomes, que está iniciando seu segundo mandato, que vai até 2019 (o primeiro foi de 2015 a 2017). Além de viajar pelo país com as oficinas literárias “Quero ser autor”, ele tem vários prêmios e títulos selecionados para programas de compras. Acaba de lançar Eu sou uma lagartixa (Editora do Brasil), livro em que a criança é convidada a se colocar no lugar do personagem e solucionar vários problemas – mais uma parceria com a mulher, a ilustradora Cris Alhadeff (com ele na foto abaixo)

SM – O que é a AEILIJ pra você?

ACG – A AEILIJ é uma oportunidade de engrossarmos a voz. De sermos ouvidos e de ter nossa importância reconhecida por todos os setores culturais. Isso vem acontecendo desde os primeiros anos, quando éramos chamados no MEC para conversar sobre a Lei de Direitos Autorais. Agora, durante a minha primeira gestão, estive em Brasília para discutir com o MinC os direitos autorais no ambiente digital. Firmamos nossa posição ao defender o que já conquistamos, o que, na época, aborreceu os representantes do Ministério. Além dessas conversas, redigimos cartas abertas em defesa de programas de leituras, firmamos parcerias em prol da literatura e fazemos barulho quando necessário. Para ter uma ideia da relevância da associação, já fomos convidados para dar sugestões para o Prêmio ALMA (Astrid Lindgren) e para o Nobel de Literatura. Eu sempre digo que a associação tem três objetivos principais: 1) A defesa do autor e de sua obra – como já expliquei acima; 2) A divulgação do livro e da leitura literária – por meio de palestras, mesas de discussões, exposições, defesa da qualificação de mediadores de leitura e outros; 3) O acolhimento dos autores. Oferecemos espaços físicos e virtuais para a discussão e confraternização de autores. Trocamos experiências. Dão-se dicas. Oferecemos espaços para a divulgação de suas obras em site, blog, anuário, antologia, exposição de imagens… É mais fácil lutarmos juntos do que lutarmos separados. 

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

ACG – Mantivemos as ações que davam certo e que são a cara da AEILIJ, como a Expo Cores e Formas, parcerias com a FNLIJ, a Câmara Rio-Grandense do Livro, a FLIST, a Flicepe… Firmamos novas parcerias com a LER e com a Flupp e reforçamos nossa parceria com a AGES, com quem assinamos cartas e campanhas. Reescrevemos o estatuto da associação, adequando-o aos novos tempos e leis. Trouxemos a AEILIJ de volta para o Rio para podermos nos inscrever em editais da Prefeitura. Com a ajuda sempre preciosa da ex-tesoureira e atual vice, Andrea Viviana Taubman, conseguimos espaço para a sede junto à FALARJ. Em São Paulo, fechamos parceria com o SESI e promovemos o LeituraMAIS, encontros literários organizados pela Penélope Martins e pela Rosana Rios. Unificamos todos os blogs em um novo endereço, http://aeilij.blogspot.com, para facilitar a consulta por todos. Ainda no blog, realizamos, com a ajuda da Patrícia Melo, mini entrevistas com os autores que ingressavam na AEILIJ. Aliás, quem se interessar em participar, é só entrar em contato que colocaremos a entrevista lá. Sobre as redes sociais, criamos a página da AEILIJ no Facebook (gerenciada pela Thais Linhares) e montamos nosso canal de vídeos no Youtube. Com apoio da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, promovemos a Blitz Literária, uma invasão de 30 autores em 30 escolas públicas municipais do Rio para conversas sobre livros e leitura. Criamos, com iniciativa da autora associada Cris Alhadeff, uma parceria com a Satrápia para a pintura de 10 casinhas que servem como ponto de trocas de livros, e que foram espalhadas por comunidades carentes do Rio de Janeiro. Criamos uma lista de propostas para o PMLLB do Rio, e através do nosso voto na reunião que definiu o grupo de trabalho, conseguimos colocar a incansável Marilia Pirillo como representante da cadeia criativa. Temos outra associada, a Anna Rennhack, que também foi eleita representante no GT do PELLLB do estado do Rio. Saiu nossa segunda antologia, Histórias no prato, organizada pela Cristina Villaça com projeto gráfico da Patrícia Melo e revisão da Flávia Côrtes, que veio se juntar ao Trem de histórias, que organizei em 2011. Criamos o Anuário da AEILIJ, um catálogo com todas as obras publicadas pelos associados durante o ano. Ao longo da gestão, a coordenação de Curitiba organizou vários eventos, sendo os últimos as participações da AEILIJ no Literatiba e na mostra de ilustradores Cores da Imaginação na Casa Polônia Brasil. Criamos a campanha “A LIJ forma leitores – valorize a literatura infantil e juvenil” que decorou imagens de perfis no Facebook e que virou adesivo nas camisas e mochilas dos frequentadores do Salão FNLIJ 2017. Criamos o Prêmio AEILIJ de Literatura Infantil e Juvenil, um sonho que nasceu lá nos primeiros anos da associação. E quase tudo isso foi só na primeira gestão!

SM – Fale um pouco sobre o Prêmio AEILIJ de Literatura Infantil e Juvenil.

AG – O Prêmio AEILIJ 2017 é um desejo antigo de diretorias passadas. Estudei os editais de diversos prêmios literários, entre eles os dos prêmios João de Barro e Cidade de Manaus, e conversei com o Christian David, presidente da associação gaúcha de escritores, para obter informações sobre o Prêmio AGES. O Christian foi muito generoso e me deu dicas preciosas para a criação do Prêmio AEILIJ. Participei de alguns concursos literários no início de minha carreira como autor. Eu estava acostumado com os editais e já sabia o que deveria evitar. Redigi o edital do Prêmio AEILIJ e mostrei para alguns membros da diretoria, entre eles a atual coordenadora de São Paulo, Simone Pedersen, que conheço desde a época em que participávamos juntos de tais concursos e prêmios. Simone me apontou um ou outro detalhe no texto do edital, e chegamos na redação final. A ideia era começar simples e dar três prêmios somente: Texto Infantil, Texto Juvenil e Conjunto de Ilustrações. Optei por criar um quarto prêmio, cujo vencedor seria escolhido pelos associados: o Livro do Ano. Sendo assim, teríamos três vencedores escolhidos por um trio de jurados renomados e um deles ganharia ainda o prêmio Livro do Ano, mas dessa vez através da escolha dos associados. Conversei com a minha diretoria e chegamos em alguns nomes para o corpo de jurados. Os convites foram aceitos e o que era uma possibilidade passou a ser uma realidade. Recebemos ideias para os selos dos prêmios e desenvolvemos o design de acordo com o conceito apresentado por um conselheiro. Para estimular a participação de todos, abrimos as inscrições para autores de fora da AEILIJ, mas estes precisariam pagar uma pequena taxa simbólica que ajudaria a pagar os jurados e os troféus. O resultado sairá em 18 de abril, Dia Nacional do Livro Infantil.

SM – Iniciando a segunda gestão, o que aprendeu com a primeira?

ACG – Eu constatei que tenho pessoas maravilhosas do meu lado. Gente que se doa em nome de uma causa e que faz isso sem ganhar nada em troca. Aprendi que sempre haverá críticas e que é necessário ouvi-las, por mais absurdas que pareçam ser. Ser parte da diretoria não é fácil. É cansativo. Toma um tempo precioso e atrasa a nossa produção autoral. Por outro lado é muito bom ter a oportunidade de fazer a diferença e, quem sabe, iluminar o caminho de alguém. Aprendi também que, para as coisas andarem, é preciso delegar e administrar. Quanto mais pessoas ajudando, melhor. Mas cada uma tem que ter uma função definida, ou nada será realizado.  

SM – O que você imagina que seja a sua marca na AEILIJ?

ACG – Acho que é cedo para pensar em uma marca. Tenho ainda quase dois anos de gestão e muitos planos pela frente. Entre eles há uma vontade de nos aproximar de congêneres da América do Sul. Um contato inicial, uma troca de entrevistas e de ideias. Quem sabe onde isso poderá nos levar? Quero criar também um Espaço Memória para autores da AEILIJ que não estejam mais conosco. Uma garantia de que sua imagem e sua biografia poderão ser acessadas mesmo que seus sites saiam do ar. Começaremos com homenagens à Hermes Bernardi Jr., Zé Zuca, Elvira Vigna, Michelle Behar, Elias José, Marciano Vasques e Liliana Iacocca… Quero incluir todos aqueles que já foram associados da AEILIJ em algum momento de suas vidas. Precisamos também nos concentrar em resolver a questão do Regimento Interno. Agora, se hoje fosse o meu último dia como presidente da associação, acredito que as minhas marcas seriam o registro e a organização das informações (em sites, blog, Facebook, e canal do Youtube – fui eu quem juntou todos os seminários, boletins, Discussões, livros da Dorina, doações, etc.), a modernização, no meio digital e no estatuto, possibilitando a inscrição em editais e a formação de novas parcerias, e a delegação das tarefas.

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