Resgatado primeiro livro de poeta aclamada por Machado de Assis

Capa NebulosasNascida em São João da Barra (RJ) em 1852, primeira mulher a atuar como profissional de imprensa no país, colaborando com diversos jornais, Narcisa Amália também foi tradutora de contos e ensaios de autores franceses. A Gradiva, editora que agora se relança no Rio de Janeiro após três anos de atuação em Porto Alegre, e que tem como missão publicar escritores esgotados ou inéditos, traz um pouco da fascinante obra desta republicana e abolicionista, defensora dos direitos femininos, em Nebulosas, seu único livro de poesia. A publicação de seus 44 poemas, em 1872, pela editora Garnier, foi celebrada por Machado de Assis e pelo Imperador D. Pedro II. “A leitura das Nebulosas causou-me a este respeito excelente impressão. Achei uma poetisa, dotada de sentimento verdadeiro e real inspiração, a espaços de muito vigor, reinando em todo o livro um ar de sinceridade e modéstia que encanta, e todos estes predicados juntos, e os mais que lhe notar a crítica, é certo que não são comuns a todas as cultoras de poesia”, escreveu Machado, no jornal carioca Semana Illustrada, lembrando que Narcisa Amália era a primeira poeta cuja edição foi bancada pela própria editora, e não pela autora, o que era comum na época. Nebulosas é o segundo volume da coleção Illuminatio, que busca resgatar escritores dos dois últimos séculos que caíram no esquecimento. O livro, em coedição com a Fundação Biblioteca Nacional, resgata o prefácio do escritor Pessanha Póvoa, da primeira edição, e conta ainda com apresentação e posfácio da doutora em Teoria da Literatura Anna Faedrich. Confira um dos poemas:

 

Sadness 

 

Meu anjo inspirador não tem nas faces

As tintas coralíneas  da manhã;

Nem tem nos lábios as canções vivaces

          Da cabocla pagã!

 

Não lhe pesa na fronte deslumbrante

Coroa de esplendor e maravilhas,

Nem rouba ao nevoeiro flutuante

         As nítidas mantilhas.

 

Meu anjo inspirador é frio e triste

Como o sol que enrubesce o céu polar!

Trai-lhe o semblante pálido – do antiste

         O acerbo meditar!

 

Traz na cabeça estema de saudades,

Tem no lânguido olhar a morbideza;

Veste a clâmide eril das tempestades,

         E chama-se – Tristeza!…

 

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