Ficção e realidade se misturam em narrativa crua sobre a vida na capital paulista

erika balbino - foto gal oppidoAutora do infantil Num tronco de iroko vi a iúna cantar, a escritora paulistana Erika Balbino estreia na literatura adulta com O osso: poder e permissão (Cosmos), um romance de ‘ficção-realidade’, que capta pontos da vida na metrópole por meio de personagens fictícios e outros que ela admira. Moradora desde a infância do Bosque da Saúde, bairro da Zona Sul de São Paulo, a autora aborda a sujeição produzida pela miséria – material e espiritual –, a redenção como projeto de uma vida outra –, a insurreição do grito de alerta, da insurgência. O lançamento será logo mais, às 19h, na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509 – São Paulo).

SM – São Paulo é pano de fundo para seu livro. Por outro lado, no prefácio o rapper GOG lembra o verso que escreveu, “periferia é periferia em qualquer lugar”. As histórias que você conta poderiam ter acontecido em outra cidade ou são emblemáticas da zona sul da capital paulista?

EB – Acredito que algumas delas poderiam acontecer em qualquer lugar. Digo isso, pois, nesse livro, a presença do Metropolitano é bem marcante. O encontro entre as pessoas, a dinâmica da utilização do transporte público aqui na cidade. Somente nessa perspectiva. No entanto, em outro local pode ser a praia como o encontro de personagens, pode ser a feira. O importante é esse corpo político que circula e faz escolhas mediante situações, de poder ou permissivas.

Capa aberta Osso - poder e permissão - Divulgação.jpgSM – O livro foi escrito em 2006. Por que só agora você resolveu publicar, depois de ter estreado como autora infantil?

EB – Porque quando ele ficou pronto tinha muita gente publicando coisa boa, filmes retratando a periferia estavam sendo produzidos. Muitos trabalhos relevantes em ação. Quando publiquei o infanto-juvenil, em 2015,  vi 3 mil exemplares vendidos e pensei que, talvez, esse livro tivesse uma chance. Mostrei para um editor e um amigo jornalista e, após alguns ajustes, muito mais referentes a datas, afinal havia se passado mais de dez anos, resolvi que era hora de publicar.

SM – O quanto tem de real nessa ficção e como foi o trabalho de mexer nessas lembranças e vivências? 

EB – Bastante. Muitas das histórias e personagens eu observei tomando o transporte público, em rodas de capoeira, em ambientes de samba e centros religiosos de matriz africana. São Paulo me fascina. Quando reli o trabalho, fiquei surpresa como certas situações não mudaram em dez anos. Só pioraram. Isso me causou um certo desconforto e a certeza de que era o momento de publicar.

Foto: Divulgação/ Gal Oppido

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