Experiência no jornalismo se reflete nas páginas de romance policial ambientado no Rio

Escritora Nathalia Alvitos - Credito fotografa Aline Machado (3)Nathalia Alvitos, 33 anos, está lançando seu segundo romance, Cidade perdida (Chiado). A trama tem como protagonista uma inspetora da polícia civil capaz de desvendar todos os crimes que caem em suas mãos. Para isso, conta com a ajuda do comissário Germano, a quem chama de mestre. Até ser escalada para investigar um serial killer, que tem como alvos homens poderosos de uma emissora nacional de TV. Jornalista especializada em segurança pública, a autora se vale de sua experiência como repórter policial nesta narrativa que tem como cenário o Rio de Janeiro.

SM – De que forma a atual crise pela qual o Rio de Janeiro vem passando – política, social, de segurança – foi essencial para a ideia de seu novo livro?

NA – Sim e não, explico: a violência, o tráfico e a corrupção são características comuns em todas as sociedades, e apesar de Cidade perdida ser ambientado no fictício Rio de Janeiro, quis trazer elementos que seriam entendidos por leitores de qualquer nacionalidade. O Rio de Janeiro traz no momento uma maior necessidade de discussão sobre as possíveis soluções para a violência, e isso só ajuda meu livro. A obra furta cuidadosamente todos os bons elementos para focar apenas no problema da criminalidade que, na ficção, transborda os limites com a presença até de um serial killer. A protagonista Lana Garcia é uma grande aposta num momento em que a literatura policial mundial pede protagonistas femininas fortes. É uma felicidade ver que a Garcia já nasce atendendo a esse desejo.

SM – Como é o seu processo de trabalho, que utiliza o material do dia a dia da cidade para se transformar em literatura?

NA – Apesar de ser ficcionista, faço questão de ter uma estética realista, então o material diário é essencial como ponto de partida, porém, quando os personagens e a história começam a se desenvolver, a ficção prevalece. Acredito que a experiência como repórter policial me permitiu, ainda que eu seja uma nova escritora, ter um diferencial, já que imaginar um tiroteio é bem diferente de sentir o cheiro de pólvora, correr e deitar no chão com colete à prova de balas com medo de morrer. Sem dúvida esses elementos enriquecem a escrita. Quando lemos Edgar Allan Poe acreditamos que qualquer daqueles contos, mesmo aqueles macabros ao extremo, podem acontecer, e é exatamente o diferencial dele, é o que atinge o leitor na alma e o assusta. Cidade perdida vem exatamente com essa pretensão. 

SM – Sendo repórter policial, mais próxima do livro que está lançando, você estreou com um romance em que refletia sobre a solidão e os valores da sociedade. O quanto ele também mostra as suas vivências?

NA – O Lavínia: no limite partiu de uma parte mais superficial ainda da minha experiência. Ela foi mais uma caminhada para a compreensão das diferenças de personalidades e do mundo da psicanálise que muito me atrai. Lavínia veio das lacunas que não consigo preencher quando conheço pessoas muito diferentes e, em vez de cobrar esclarecimentos, prefiro criar possibilidades, até porque compreender tudo e todos é uma ilusão. O livro protagonizado por Lavínia mostra que os mesmos elementos que nos aprisionam na infelicidade são os mesmos que nos libertam para a vida. 

Foto: Divulgação/ Aline Machado

capa CIDADE_PERDIDA.jpg

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