Abertura da Flip terá Fernanda Montenegro e Jocy de Oliveira

A 16ª Flip vai começar reunindo a atriz Fernanda Montenegro (foto à esquerda), um dos maiores nomes da dramaturgia do país, e a maestrina, compositora e pianista Jocy de Oliveira, pioneira da música de vanguarda eletroacústica e da ópera multimídia. A ideia é fazer um tributo às duas artistas e também à homenageada deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty, a escritora Hilda Hilst, como é de praxe na abertura do evento, que este ano será de 25 a 29 de julho. Em Paraty, a atriz lança Fernanda Montenegro itinerário fotobiográfico (Sesc), livro organizado por ela própria, com imagens que contam sua vida pessoal e a profissional, que se misturam à memória da dramaturgia nacional. Também será lançado este ano Meus papéis (Companhia das Letras), livro de memórias em parceria com a jornalista e dramaturga Marta Góes. Jocy, por sua vez, lança um volume com textos sobre sua obra, Leituras de Jocy (Sesi-SP), uma amostra abrangente do estado atual da pesquisa musical que faz em seus múltiplos aspectos. “Fernanda e Jocy construíram suas trajetórias com primor: realizaram trabalhos com ousadia e transgressão, alcançaram prestígio tanto no Brasil quanto no exterior, e é impressionante acompanhar a sua produção de tanta vitalidade, as duas continuam a inventar, a atuar, a desafiar os limites, sem concessão ou desistir”, diz a curadora da Flip 2018, Joselia Aguiar. “A coincidência é que tinha pensado nas duas sem saber que já vinham realizando coisas juntas há mais de meio século, e ainda sem saber do quanto têm admiração pela Hilda Hilst.”

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Para entender um pouco mais a literatura russa

Literatura russaPuchkin, Gogol, Dostoiévski, Tolstói, Tchekhov e Gorki, entre outros, serão os autores estudados pela doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada Eva Leones no curso Literatura Russa: Panorama Histórico, Político e Cultural. O objetivo é traçar um panorama da literatura russa, desde seus primórdios, com destaque para os séculos XIX e XX, e enfatizar as relações desses autores com a literatura ocidental e com a formação, o fortalecimento e a crítica da sociedade russa (posteriormente soviética). As aulas serão em quatro sábados, no Espaço Cultural Lago de Histórias (Rua Marechal Cantuária, 18/ sobrado – Urca – Rio de Janeiro). Inscrições pelo e-mail contato@lagodehistorias.com.br ou pelo telefone (21) 3518-5549.

Inscrições para prêmio vão até o fim de fevereiro

Captura de Tela 2018-02-21 às 11.23.49Terminam no dia 28 as inscrições para o Prêmio Literário Cidade de Manaus, que vai condecorar livros inéditos em vários gêneros: romance ou novela, contos, poesia, crônicas, texto teatral, ensaios em várias categorias, jornalismo literário, livros de memória e infantil. O resultado está previsto para 1º de junho. Para acessar os editais e a ficha de inscrição, acesse http://concultura.manaus.am.gov.br/premio-literario-cidade-de-manaus.

Tráfico negreiro é tema de romance premiado de francesa de origem camaronesa

Captura de Tela 2018-02-21 às 10.56.56Escritora francesa de origem camaronesa, Léonora Miano tem publicado no Brasil seu A estação das sombras (Pallas), que em 2013 levou os prêmios Femina e Grand Prix do Roman Métis na França. O romance traz a tribo Mulongo como protagonista do enredo sobre o tráfico negreiro e a dizimação dos povos na costa africana no século XVI, baseado em um relatório da UNESCO intitulado “A lembrança da captura”, de 2010, que procura resgatar uma memória do tráfico transatlântico. A história parte de um grande incêndio na aldeia onde vive a tribo. Dez adolescentes e dois anciãos desaparecem e com o tempo fica claro que eles foram capturados e vendidos como escravos aos europeus. A tradução é de Celina Portocarrero. Léonora Miano já foi agraciada com o Prêmio Goncourt pelo romance Contornos do dia que vem vindo, de 2006, sobre uma menina disposta a encontrar a mãe em um país africano devastado por uma guerra, e que também foi publicado por aqui pela Pallas, três anos depois.

Os prazeres da mesa traduzidos em literatura e memória

flyer Degustando FridaComeça amanhã na Estação das Letras (Rua Marquês de Abrantes, 177 lojas 107/108 – Flamengo – Rio de Janeiro) mais uma temporada do Degustando Palavras, série de encontros sobre arte e literatura, em homenagem a grandes nomes da cultura universal e sua relação com a cozinha de seus locais de origem e sua época. A historiadora Ana Roldão comanda as cinco conversas, desta vez protagonizadas por Frida Kahlo, Fernando Pessoa, Simone de Beauvoir, Leonardo da Vinci e Agatha Christie. Os encontros são sempre às quartas-feiras, das 16h às 18h. Nesta quarta, será em torno da exímia cozinheira Frida Kahlo, que registrava suas receitas num caderno que ela chamou de Livro da erva santa, onde escreveu memórias, intimidades, seus pratos favoritos e modos de preparo. Inscrições pelo telefone (21) 3237-3947.

Prêmio Oceanos abre inscrições nesta sexta-feira

Captura de Tela 2018-02-08 às 00.35.46Começam nesta sexta-feira e vão até 18 de março as inscrições para o Prêmio Oceanos de Literatura. Podem concorrer obras nos gêneros poesia, romance, conto, crônica e dramaturgia, que tenham sido publicadas pela primeira vez em 2017, de autores de língua portuguesa de qualquer lugar do mundo. O Oceanos premia quatro vencedores, concedendo R$ 100 mil para o primeiro colocado, R$ 60 mil para o segundo, R$ 40 mil para o terceiro e R$ 30 mil para o quarto. Na primeira fase, um Júri de Avaliação formado por convidados elege 50 obras semifinalistas entre os livros inscritos validados pela curadoria e escolhe, por votação, os membros dos júris subsequentes. O Júri Intermediário vai selecionar os 10 finalistas, e o Júri Final, os premiados de 2018, que serão anunciados no dia 29 de novembro. No ano passado, o primeiro lugar foi para Karen, romance da portuguesa Ana Teresa Pereira. Ela foi a primeira mulher a obter o prêmio máximo nas 15 edições do prêmio, criado em 2003 como Portugal Telecom. O brasileiro Silviano Santiago ficou em segundo lugar com o romance Machado. Golpe de teatro, do poeta português Helder Moura Pereira, foi o terceiro colocado. O quarto foi dividido entre a poeta portuguesa Maria Teresa Horta, autora de Anunciações, e o romancista brasileiro Bernardo Carvalho, com Simpatia pelo Demônio. As inscrições serão feitas no site www.itaucultural.org.br/oceanos/2018.

Amor e morte, com pitadas de filosofia

foto eu_amortalha

Autor de um livro de contos e um romance, Matheus Arcaro está lançando um novo volume de contos, Amortalha (Patuá), com 21 histórias que falam de amor ou de morte – ou as duas coisas juntas. Graduado em Comunicação Social e Filosofia, vai mais no caminho desta última, como mestrando na Unicamp e professor. Também é artista plástico e pós-graduado em História da Arte. Um pouco disso tudo está nos livros, como você confere na entrevista a seguir.

SM – Depois de um romance, você retorna aos contos, em histórias que mostram uma menina com seu cachorro, um casal que se ama sem palavras, uma tentativa inusitada de suicídio. Os personagens se conectam pelo desamparo? 

MA – Assim que publiquei meu primeiro livro, Violeta velha e outras flores (contos), e ele começou a receber críticas positivas, senti-me impelido a testar meu fôlego narrativo. Escrevi, então, o romance O lado imóvel do tempo e me senti satisfeito com o resultado. Agora, retorno ao conto mais maduro e menos preso ao formalismo. Especificamente sobre a sua pergunta: acho que na maioria dos contos, os personagens se conectam, sim, pelo desamparo. Heidegger escreveu que o desamparo é a condição existencial dos seres humanos: estamos “lançados” num mundo sem propósito, sem sentido prévio e, se não quisermos recorrer a consolos metafísicos, temos que enfrentar tal condição. Mas como? Aí Platão responde: com o amor. O amor é o sentimento responsável pela reunião, só ele tem a capacidade de subsidiar a vida, para darmos conta de uma existência absurda: o amor é a condição para vivermos nossa finitude. 

SM – De que forma a filosofia se aproxima da evolução da sua literatura?

MA – Na minha concepção, filosofia não é algo distante do dia-a-dia, fora do mundo. Muito pelo contrário: filosofia e vida são praticamente sinônimos, o que não quer dizer que ela trate de banalidades. Conflitos existenciais, questões profundas sobre o conhecimento, o comportamento, os desejos, as mazelas e as possibilidades humanas são matéria-prima tanto para a filosofia, quanto para a literatura. Mas o produto de ambas é bem diferente; são praticamente idiomas distintos. Digamos que a literatura encena e dramatiza os problemas; veste-os de maneira bem mais excitante que a filosofia. Gosto muito de uma passagem do escritor argentino Ernesto Sabato: “Os seres de carne e osso não podem representar as angústias metafísicas sob o estado de ideias puras: fazem-no sempre encarnando essas ideias”. Concordo. A literatura é o meio mais adequado de mergulharmos na condição humana.

SM – O quanto de jogo de palavras envolve o título do livro, que pode significar morte, mas também o amor?

MA – Um dia, ouvindo a música Pedaço de mim, do Chico Buarque (que, aliás, é mote de um dos contos do livro), o verso “eu não quero levar comigo a mortalha do amor” estremeceu as paredes da minha alma. Percebi que os textos que eu vinha escrevendo nos últimos meses – já tinha uns 12 contos –, de um modo ou de outro, versavam sobre amor e morte. Aí, nos demais contos, procurei seguir essa linha estético-existencial. Neste dia, a partir do verso do Chico, criei a palavra “amortalha” que sintetiza o que há no livro: a simbiose entre amor e morte. Acredito que amor e morte são irmãos e precisam se reconciliar no interior dos seres humanos. Nietzsche, em seu livro Humano, demasiado humano, escreveu: “Com a perspectiva segura da morte, uma deliciosa gota de leviandade poderia ser mesclada a cada vida — mas vocês, estranhas almas de farmacêutico, dela fizeram uma gota de veneno de mau sabor, com que toda a vida se torna repugnante!”A morte é um dado da natureza, não temos como mudar isso. A única coisa que nos resta é amar o fato de sermos mortais, ou seja, aceitarmos tal fardo e vivermos de modo potente o “enquanto isso”. Apenas quando o ser humano aceita sua mortalidade é que ele se torna capaz de amar a eternidade de cada instante.

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