Os livros da vida de Cesar Cardoso

Foto Cesar Cardoso (2)O carioca Cesar Cardoso lançou recentemente seu terceiro livro, Urubus em círculos cada vez mais próximos (Oito e Meio), uma reunião de histórias curtas, certeiras e divertidas. Ele é autor também de vários infantis, como O gigante do Maracanã, selecionado para o catálogo da prestigiada Feira de Bolonha, e títulos de poesia e humor – é roteirista de programas de TV do gênero, atualmente do Zorra. Aqui, ele conta um pouco sobre os autores que mais gosta e sobre as leituras que o marcaram.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

CC – Meu avô foi meu primeiro livro, me contando histórias que ele inventava ou histórias de reis e rainhas da terra dele, Portugal. Depois aprendi a ler e descobri uns objetos de um palmo de altura chamados livros. E eles estavam cheios de histórias como as que meu avô me contava. Na minha casa havia um armário embutido cheio de livros. Adorava abrir aquelas portas e sentir o cheiro do papel. Meu pai tinha uma coleção, de sua infância, chamada O Tesouro da Juventude, cheia de fábulas, poemas, histórias do mundo e dos mundos inventados. E nessa estante eu também descobri os livros de Monteiro Lobato. E me encantei. Até hoje releio.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

CC – É difícil destacar um livro. Posso destacar alguns autores. Dalton Trevisan, Sergio Sant’Anna, Jacques Prévert, é uma longa lista. Mas quando eu fiz vestibular, em 1973, tive a sorte de ter como leitura obrigatória as obras completas de Drummond e Bandeira: Reunião e Estrela da vida inteira. Essas leituras marcaram a minha escolha por fazer Letras e ser escritor. Portanto, marcaram a minha vida. São livros que estou sempre relendo. Como disse Bandeira:

Vi terras da minha terra.

Por outras terras andei.

Mas o que ficou marcado

No meu olhar fatigado,

Foram terras que inventei.  

SM – O que você está lendo agora?

CC – Gosto sempre de ler mais de um livro ao mesmo tempo. Na prosa, estou acabando de ler Não está mais aqui quem falou, da Noemi Jaffe, que já começa bem pelo título. Li e estou relendo Alfabeto escalafobético – um abecedário poético, texto de Claudio Fragata e ilustrações de Raquel Matsushita, um livro belíssimo, que ganhou o Prêmio Jabuti em 2014. E Pura anarquia, reunião de textos do Woody Allen. Por fim, fui ver uma exposição de quatro fotógrafos soviéticos, retratando o país no período de 1950 a 2000, mais ou menos. Lá pelo final havia uma foto de uma mulher bem velha e muito magra, com um olhar que me chamou atenção. Vi que se tratava de Lilja Brik, a grande paixão do poeta Vladimir Maiakovski. Então peguei para reler uma obra fantástica que tenho há muito tempo, chamada Cartas de amor a Lilja Brik, do Maiakovski.

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