Histórias de mulheres saem dos livros para virar poemas visuais e digitais

Capa_Mabel_3-728x444O Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro 63 – Flamengo – Rio de Janeiro) inaugura logo mais, às 19h, a exposição Cartas, de Mabel Velloso. Com curadoria de Alberto Saraiva, a mostra reúne cartas publicadas no livro Cartas de dor, cartas de alforria (Oiti, 2004), que falam da dor do amor, da prisão da alma feminina e de sua libertação. No livro, Mabel transforma em cartas 40 histórias femininas – a maioria delas recolhida em sua cidade natal, Santo Amaro da Purificação (BA). Para a mostra, dez escritoras gravaram esses textos, emprestando suas vozes à poesia de Mabel em projeções de grande porte, misturadas a imagens de Salvador e Rio de Janeiro, que vão ocupar a Galeria 1 do Oi Futuro. A mostra faz parte da quinta temporada do Programa Poesia Visual e Digital. Aos 84 anos, a baiana Mabel Velloso, irmã de Caetano Veloso e Maria Bethânia, tem mais de 30 livros publicados, diversas composições para a MPB e uma longa trajetória na Educação, tendo lecionado por mais de quatro décadas em escolas públicas na Bahia. Inspirado nas ideias da escritora, o projeto Poesia Visual e Digital vai levar a arte de escrever cartas a estudantes da rede pública do Rio. No Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, o projeto vai promover encontros com o curador Alberto Saraiva e professores de literatura, em que jovens de ensino médio vão criar suas próprias cartas, a serem postadas para a própria Mabel. Como parte do projeto, a escritora vai responder todas delas, que serão apresentadas ao longo da exposição. Cartas pode ser vista de terça a domingo, das 11h às 20h, com entrada franca, até o dia 27 de junho. Na noite de abertura, o Centro Cultural Oi Futuro fará uma projeção a céu aberto do poema inédito “Rio de Janeiro”, criado por Mabel especialmente para a ocasião, em que ela faz uma reflexão sobre a situação atual do Rio. Confira o poema:

No céu da Cidade o sol se esconde

Os olhos fitam os raios se apagando

E eis que aparece lá, brincando

Uma estrela que sinaliza luz e cor

Uma prece soa sobre a tarde

Pedindo um dia novo sem maldade

E o sol arde com vontade de atender

Mas já é noite. O sol perdeu seu brilho

E a prece escorre procurando o trilho

De esperança que foi jogado no azul

A reza repetida traz uma luz acesa

Uma certeza se estende no horizonte escuro

A noite se espalhou atrás das pedras

A Cidade escureceu e foi dormir

A esperança teima, espera e reza

Um outro dia vai nascer. A prece cresce:

Sol! Traga a paz que anda perdida atrás do muro.

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