Peça inspirada em livro de Gonçalo M. Tavares questiona o real sentido da humanidade

eomar_heitormuniz (1)A Cia. Bagagem Ilimitada apresenta no Teatro Rogério Cardoso, na Casa de Cultura Laura Alvim (Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema – Rio de Janeiro), sempre às terças e quartas-feiras, às 20h, o espetáculo E o mar já não existe. A peça é livremente inspirada no livro Um homem: Klaus Klump, do premiado escritor português Gonçalo M. Tavares, narrando a história de duas mulheres e um soldado que se encontram em meio à guerra. Escondidas em meio a escombros do que costumava ser um lar, Simòne (Ana Pinto) e Irina (Jacyara de Carvalho) tentam seguir em frente quando o encontro com o soldado Vince (Hugo Grativol) faz o cotidiano ficar ainda mais assustador. O episódio fará com que todos repensem o real sentido da humanidade e se questionem: é possível renovar as esperanças em meio ao caos? O autor e diretor PV Israel conta que a dramaturgia busca universalizar o tema da violência contra a mulher e que o cenário da guerra aparece como uma hipérbole para os pequenos conflitos do cotidiano. “Na guerra, a mulher torna-se vítima de atrocidades que também acontecem em favelas do Rio, em condomínios de luxo e em empresas multinacionais. São histórias que se repetem o tempo todo.” Para recriar esse ambiente, o grupo optou por uma encenação enxuta: todo o cenário e figurinos cabem em uma mala, privilegiando o corpo dos atores como motor para a representação. A peça pode ser vista até o dia 22/11. Ingressos: R$ 30.

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Melhor romance do Jabuti é de Silviano Santiago

Captura de Tela 2017-10-31 às 23.34.20Machado, de Silviano Santiago, livro que recria os últimos anos de vida de Machado de Assis, levou o primeiro lugar na categoria Romance na 59a edição do Prêmio Jabuti. O segundo colocado foi A tradutora, de Cristovão Tezza, seguido por Outros cantos, de Maria Valéria Rezende. A apuração foi nesta terça-feira, na sede da Câmara Brasileira do Livro, em São Paulo. O vencedor em Contos e Crônicas foi Sul, de Verônica Stigger. Quase todas as noites, de Simone Brantes, ganhou em Poesia. A lista com todos os vencedores está disponível em www.premiojabuti.com.br/apuracao/f2-dt311017-1507. Os três primeiros colocados em cada uma das 29 categorias levam o troféu Jabuti. O vencedor de cada uma delas leva R$ 3,5 mil, exceto o de Livro Brasileiro Publicado no Exterior, A cup of rage, tradução de Um copo de cólera, de Raduan Nassar, contemplado com a vinda do representante da editora estrangeira, a Penguin Random House UK, para a cerimônia, e a promoção de um Projeto Comprador junto às editoras do Brazilian Publishers dos segmentos que a casa editorial do livro vencedor publica, realizado com apoio da Apex-Brasil. A cerimônia de entrega do Jabuti será no dia 30 de novembro, no Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer. Na premiação, também serão revelados os vencedores do Livro do Ano – Ficção e Livro do Ano – Não Ficção, que levarão mais R$ 35 mil, além da estatueta dourada. A escritora Ruth Rocha será homenageada com o prêmio Personalidade Literária pelo conjunto de sua obra e contribuição à formação de gerações de leitores.

Os livros da vida de Cristina Peri Rossi

Barcelona (78 ND)Considerada uma das mais importantes escritoras em língua espanhola da atualidade, a premiada uruguaia Cristina Peri Rossi é tem livros de poesia, contos, crônicas, romances e artigos jornalísticos traduzidos para mais de 15 idiomas, mas ainda não tinha sido lançada no Brasil. O volume de contos Espaços íntimos (Gradiva), vencedor do Prêmio Internacional de Relatos Mario Vargas Llosa (2010), chega para apresentar um pouco de sua obra por aqui. As dez histórias curtas integram a coleção Enquanto Conto, que reúne autores cujas obras possibilitem elos inquietantes entre a ficção e a realidade. Grande amiga de Julio Cortázar, Cristina foi proibida de publicar em seu país e se exilou na Espanha. Em seus escritos militou contra as ditaduras uruguaia e a favor do feminismo e dos direitos dos homossexuais. Conhecedora da língua portuguesa, é tradutora de Clarice Lispector. Ao blog, Cristina Peri Rossi falou sobre suas leituras marcantes.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

CPR – Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Li com 11 anos, como muitas meninas da minha geração, e me identifiquei com Jo, a irmã “rara”, que não brinca com bonecas, sobe em árvores e quer ser escritora. Possivelmente não foi o primeiro livro que li, mas o primeiro a me mostrar que era possível ser mulher e escritora.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

CPR – O segundo sexo, de Simone de Beauvoir, que li aos 16 anos e me ensinou a história da discriminação do sexo feminino, suas lutas pela igualdade e pelas injustiças às quais somos submetidas. Continua sendo um pilar fundamental para qualquer mulher que queira conhecer seu gênero e seu sexo. Por sorte não é mais o único.

SM – O que você está lendo agora?

CPR – Un día en la vida de una mujer sonriente (Um dia na vida de uma mulher sorridente, sem tradução no Brasil), de Margaret Drabble, recentemente traduzido para o castelhano. É uma narradora excelente, quase desconhecida fora de seu país, e que escreve uns relatos tão penetrantes sobre a psicologia feminina quanto Clarice Lispector, por exemplo. E Contos completos, de Lydia Davis. Outra norte-americana, esta contemporânea, que reelabora a estrutura do gênero conto e às vezes é fascinante.

Foto: Divulgação/ Lil Castagnet

Livro explica de forma literária como evitar abuso sexual na infância

NAO ME TOCA CAPAA programação infantil da Primavera Literária desta vez é oferecida pelo Clube de Leitura Quindim, clube de assinaturas de livros infantis que mantém, entre os selecionadores de suas obras conveniadas, personalidades do quilate de Ziraldo, Roger Mello e Marina Colasanti. Entre os destaques da programação deste fim de semana está o lançamento de Não me toca, seu boboca! (Aletria), de Andrea Viviana Taubman, que trata de um tema difícil de lidar com as crianças: o abuso sexual. A ideia é mostrar o que é a situação de violência sexual e o que fazer para evitá-la. Uma forma de oferecer segurança e informação às crianças sem perder o encantamento próprio da literatura.

As ilustrações são de Thais Linhares. O lançamento será com um bate-papo neste domingo, às 10h. Confira o que mais há na programação do Espaço Infantil Quindim, até domingo na Casa França-Brasil (Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro – Rio de Janeiro):

Sábado

10h

Oficina de desenho / Caldo Verde

Daniele Geammal e Bruno Dante (Revan)

12h

Contação de histórias, leitura dramatizada, roda de conversa / Xavier

Carlos Carvalho e Venicio Ribeiro (Gramma)

Oficina de artes

16h

Arte Brasileira para Crianças

Isabel Diegues, Márcia Fortes, Mini Kerti ePriscila Lopes (Cobogó)

18h

Oficina especial Clube Quindim

Domingo

12h

Espetáculo Musical e Jogos Iogues /As Aventuras do Menino Iogue

Antônio Tigre e Gustavo Peres (Memória Visual)

14h

Workshop com o autor /Turma da Página Pirata em Tirinhas

Marcelo Amaral (Bambolê)

16h

Contação de Histórias e Oficina de Ilustrações / A Joaninha e a Sombrinha

(Maria Elaine Altoé) / A Caverna do Tempo(Regina Frota) com ilustrações de Fran Junqueira (Semente)

18h

Oficina Especial Clube Quindim

Primavera Literária de casa nova

arteprimaveraAté domingo, a Casa França-Brasil (Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro – Rio de Janeiro) recebe a Primavera Literária 2017, evento itinerante promovido pela Liga Brasileira de Editoras (LIBRE), que tem como principal objetivo principal a promoção da bibliodiversidade. No Rio, vinha sendo realizado nos jardins do Museu da República e desta vez embarca, com sua festejada programação cultural e estandes de livros com desconto, para a construção projetada pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny e inaugurada em 1820 como a primeira Praça do Comércio da cidade. O espaço fica aberto das 10h às 20h, com entrada franca. Confira a programação:

Sexta feira

16h

Edição e autopublicação

Leandro Müller, Paula Cajaty, Mariana Warth e mediação de Leonardo Cazes

18h

SHOW MUSICAL

Música Exteporânea Brasileira (MEB)

Sábado

11h

O Rio de que temos e o Rio que queremos

Com Alba Zaluar, Orlando Zaccone, Adair Rocha e mediação de Lucas Alvares

14h

Poesia e música: experiências de poetas na música brasileira

Com Mauro Santa Cecília, Bruno Levinson e Zé Rinaldi

16h

A crise política e o poder no Brasil

Com Arnaldo Mourthé, Bernardo Kocher e mediação de Rudolph Hasan

18h

Toda comida tem uma história

Joana Monteleone, Tatiana Damberg, Pedro Asbeg e mediação de Camila Perlingeiro

Domingo

11h

Darcy Ribeiro, sempre

Com Paulo Ribeiro, Maria José Latgê e mediação de Jesus Chediak

14h

A poesia está na rua

Slam das Minas, Tupinambá Lambido e mediação de Luiz Guilherme Barbosa

16h

Conservadorismo e retrocesso nos dias de hoje

José do Nascimento Jr., Andrea Pachá, Wanderley Quedo e mediação de Fernando Molica

18h

Posto, logo existo: literatura em tempos de redes sociais

Cristiane Lisbôa, Crib Tanaka, Ernesto Xavier e mediação de Camila Perlingeiro

 

Dia nacional do livro é celebrado hoje nos trens do Rio de Janeiro

IG Caua Reymond - Dom QuixoteA terceira edição do Trem da Leitura comemora hoje o Dia Nacional do Livro, celebrado neste domingo, nos trens da Supervia, no Rio de Janeiro. O evento contará com a animação de personagens que fazem parte da campanha de valorização à leitura do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, a Leia.Seja., como Capitu, Emília, Sherlock Holmes e Dom Quixote (na foto, representado pelo ator Cauã Reymond). O grupo fantasiado estará na Central do Brasil. Quem passar pela estação poderá registrar o momento em uma cabine fotográfica disponibilizada pela editora Leya e levar para casa uma foto impressa com molduras temáticas do livro O segredo da Dinamarca. Ao longo do dia, haverá sessões de autógrafos e mais de 1,5 mil livros serão deixados aleatoriamente nos bancos de trens e estações. Em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Duque de Caxias, o Trem da Leitura também abre espaço para a divulgação de obras de artistas independentes. Poemas de escritores do município estarão disponíveis para a leitura dos passageiros nos quadros de informação de 12 estações do sistema. Além disso, haverá sessões de autógrafos de vários autores.

Resgatado primeiro livro de poeta aclamada por Machado de Assis

Capa NebulosasNascida em São João da Barra (RJ) em 1852, primeira mulher a atuar como profissional de imprensa no país, colaborando com diversos jornais, Narcisa Amália também foi tradutora de contos e ensaios de autores franceses. A Gradiva, editora que agora se relança no Rio de Janeiro após três anos de atuação em Porto Alegre, e que tem como missão publicar escritores esgotados ou inéditos, traz um pouco da fascinante obra desta republicana e abolicionista, defensora dos direitos femininos, em Nebulosas, seu único livro de poesia. A publicação de seus 44 poemas, em 1872, pela editora Garnier, foi celebrada por Machado de Assis e pelo Imperador D. Pedro II. “A leitura das Nebulosas causou-me a este respeito excelente impressão. Achei uma poetisa, dotada de sentimento verdadeiro e real inspiração, a espaços de muito vigor, reinando em todo o livro um ar de sinceridade e modéstia que encanta, e todos estes predicados juntos, e os mais que lhe notar a crítica, é certo que não são comuns a todas as cultoras de poesia”, escreveu Machado, no jornal carioca Semana Illustrada, lembrando que Narcisa Amália era a primeira poeta cuja edição foi bancada pela própria editora, e não pela autora, o que era comum na época. Nebulosas é o segundo volume da coleção Illuminatio, que busca resgatar escritores dos dois últimos séculos que caíram no esquecimento. O livro, em coedição com a Fundação Biblioteca Nacional, resgata o prefácio do escritor Pessanha Póvoa, da primeira edição, e conta ainda com apresentação e posfácio da doutora em Teoria da Literatura Anna Faedrich. Confira um dos poemas:

 

Sadness 

 

Meu anjo inspirador não tem nas faces

As tintas coralíneas  da manhã;

Nem tem nos lábios as canções vivaces

          Da cabocla pagã!

 

Não lhe pesa na fronte deslumbrante

Coroa de esplendor e maravilhas,

Nem rouba ao nevoeiro flutuante

         As nítidas mantilhas.

 

Meu anjo inspirador é frio e triste

Como o sol que enrubesce o céu polar!

Trai-lhe o semblante pálido – do antiste

         O acerbo meditar!

 

Traz na cabeça estema de saudades,

Tem no lânguido olhar a morbideza;

Veste a clâmide eril das tempestades,

         E chama-se – Tristeza!…