Alexandre de Castro Gomes: “É bom ter a oportunidade de fazer a diferença e, quem sabe, iluminar o caminho de alguém”

alexA última entrevista da série que comemora os 18 anos da AEILIJ é com o atual presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, Alexandre de Castro Gomes, que está iniciando seu segundo mandato, que vai até 2019 (o primeiro foi de 2015 a 2017). Além de viajar pelo país com as oficinas literárias “Quero ser autor”, ele tem vários prêmios e títulos selecionados para programas de compras. Acaba de lançar Eu sou uma lagartixa (Editora do Brasil), livro em que a criança é convidada a se colocar no lugar do personagem e solucionar vários problemas – mais uma parceria com a mulher, a ilustradora Cris Alhadeff (com ele na foto abaixo)

SM – O que é a AEILIJ pra você?

ACG – A AEILIJ é uma oportunidade de engrossarmos a voz. De sermos ouvidos e de ter nossa importância reconhecida por todos os setores culturais. Isso vem acontecendo desde os primeiros anos, quando éramos chamados no MEC para conversar sobre a Lei de Direitos Autorais. Agora, durante a minha primeira gestão, estive em Brasília para discutir com o MinC os direitos autorais no ambiente digital. Firmamos nossa posição ao defender o que já conquistamos, o que, na época, aborreceu os representantes do Ministério. Além dessas conversas, redigimos cartas abertas em defesa de programas de leituras, firmamos parcerias em prol da literatura e fazemos barulho quando necessário. Para ter uma ideia da relevância da associação, já fomos convidados para dar sugestões para o Prêmio ALMA (Astrid Lindgren) e para o Nobel de Literatura. Eu sempre digo que a associação tem três objetivos principais: 1) A defesa do autor e de sua obra – como já expliquei acima; 2) A divulgação do livro e da leitura literária – por meio de palestras, mesas de discussões, exposições, defesa da qualificação de mediadores de leitura e outros; 3) O acolhimento dos autores. Oferecemos espaços físicos e virtuais para a discussão e confraternização de autores. Trocamos experiências. Dão-se dicas. Oferecemos espaços para a divulgação de suas obras em site, blog, anuário, antologia, exposição de imagens… É mais fácil lutarmos juntos do que lutarmos separados. 

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

ACG – Mantivemos as ações que davam certo e que são a cara da AEILIJ, como a Expo Cores e Formas, parcerias com a FNLIJ, a Câmara Rio-Grandense do Livro, a FLIST, a Flicepe… Firmamos novas parcerias com a LER e com a Flupp e reforçamos nossa parceria com a AGES, com quem assinamos cartas e campanhas. Reescrevemos o estatuto da associação, adequando-o aos novos tempos e leis. Trouxemos a AEILIJ de volta para o Rio para podermos nos inscrever em editais da Prefeitura. Com a ajuda sempre preciosa da ex-tesoureira e atual vice, Andrea Viviana Taubman, conseguimos espaço para a sede junto à FALARJ. Em São Paulo, fechamos parceria com o SESI e promovemos o LeituraMAIS, encontros literários organizados pela Penélope Martins e pela Rosana Rios. Unificamos todos os blogs em um novo endereço, http://aeilij.blogspot.com, para facilitar a consulta por todos. Ainda no blog, realizamos, com a ajuda da Patrícia Melo, mini entrevistas com os autores que ingressavam na AEILIJ. Aliás, quem se interessar em participar, é só entrar em contato que colocaremos a entrevista lá. Sobre as redes sociais, criamos a página da AEILIJ no Facebook (gerenciada pela Thais Linhares) e montamos nosso canal de vídeos no Youtube. Com apoio da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, promovemos a Blitz Literária, uma invasão de 30 autores em 30 escolas públicas municipais do Rio para conversas sobre livros e leitura. Criamos, com iniciativa da autora associada Cris Alhadeff, uma parceria com a Satrápia para a pintura de 10 casinhas que servem como ponto de trocas de livros, e que foram espalhadas por comunidades carentes do Rio de Janeiro. Criamos uma lista de propostas para o PMLLB do Rio, e através do nosso voto na reunião que definiu o grupo de trabalho, conseguimos colocar a incansável Marilia Pirillo como representante da cadeia criativa. Temos outra associada, a Anna Rennhack, que também foi eleita representante no GT do PELLLB do estado do Rio. Saiu nossa segunda antologia, Histórias no prato, organizada pela Cristina Villaça com projeto gráfico da Patrícia Melo e revisão da Flávia Côrtes, que veio se juntar ao Trem de histórias, que organizei em 2011. Criamos o Anuário da AEILIJ, um catálogo com todas as obras publicadas pelos associados durante o ano. Ao longo da gestão, a coordenação de Curitiba organizou vários eventos, sendo os últimos as participações da AEILIJ no Literatiba e na mostra de ilustradores Cores da Imaginação na Casa Polônia Brasil. Criamos a campanha “A LIJ forma leitores – valorize a literatura infantil e juvenil” que decorou imagens de perfis no Facebook e que virou adesivo nas camisas e mochilas dos frequentadores do Salão FNLIJ 2017. Criamos o Prêmio AEILIJ de Literatura Infantil e Juvenil, um sonho que nasceu lá nos primeiros anos da associação. E quase tudo isso foi só na primeira gestão!

SM – Fale um pouco sobre o Prêmio AEILIJ de Literatura Infantil e Juvenil.

AG – O Prêmio AEILIJ 2017 é um desejo antigo de diretorias passadas. Estudei os editais de diversos prêmios literários, entre eles os dos prêmios João de Barro e Cidade de Manaus, e conversei com o Christian David, presidente da associação gaúcha de escritores, para obter informações sobre o Prêmio AGES. O Christian foi muito generoso e me deu dicas preciosas para a criação do Prêmio AEILIJ. Participei de alguns concursos literários no início de minha carreira como autor. Eu estava acostumado com os editais e já sabia o que deveria evitar. Redigi o edital do Prêmio AEILIJ e mostrei para alguns membros da diretoria, entre eles a atual coordenadora de São Paulo, Simone Pedersen, que conheço desde a época em que participávamos juntos de tais concursos e prêmios. Simone me apontou um ou outro detalhe no texto do edital, e chegamos na redação final. A ideia era começar simples e dar três prêmios somente: Texto Infantil, Texto Juvenil e Conjunto de Ilustrações. Optei por criar um quarto prêmio, cujo vencedor seria escolhido pelos associados: o Livro do Ano. Sendo assim, teríamos três vencedores escolhidos por um trio de jurados renomados e um deles ganharia ainda o prêmio Livro do Ano, mas dessa vez através da escolha dos associados. Conversei com a minha diretoria e chegamos em alguns nomes para o corpo de jurados. Os convites foram aceitos e o que era uma possibilidade passou a ser uma realidade. Recebemos ideias para os selos dos prêmios e desenvolvemos o design de acordo com o conceito apresentado por um conselheiro. Para estimular a participação de todos, abrimos as inscrições para autores de fora da AEILIJ, mas estes precisariam pagar uma pequena taxa simbólica que ajudaria a pagar os jurados e os troféus. O resultado sairá em 18 de abril, Dia Nacional do Livro Infantil.

SM – Iniciando a segunda gestão, o que aprendeu com a primeira?

ACG – Eu constatei que tenho pessoas maravilhosas do meu lado. Gente que se doa em nome de uma causa e que faz isso sem ganhar nada em troca. Aprendi que sempre haverá críticas e que é necessário ouvi-las, por mais absurdas que pareçam ser. Ser parte da diretoria não é fácil. É cansativo. Toma um tempo precioso e atrasa a nossa produção autoral. Por outro lado é muito bom ter a oportunidade de fazer a diferença e, quem sabe, iluminar o caminho de alguém. Aprendi também que, para as coisas andarem, é preciso delegar e administrar. Quanto mais pessoas ajudando, melhor. Mas cada uma tem que ter uma função definida, ou nada será realizado.  

SM – O que você imagina que seja a sua marca na AEILIJ?

ACG – Acho que é cedo para pensar em uma marca. Tenho ainda quase dois anos de gestão e muitos planos pela frente. Entre eles há uma vontade de nos aproximar de congêneres da América do Sul. Um contato inicial, uma troca de entrevistas e de ideias. Quem sabe onde isso poderá nos levar? Quero criar também um Espaço Memória para autores da AEILIJ que não estejam mais conosco. Uma garantia de que sua imagem e sua biografia poderão ser acessadas mesmo que seus sites saiam do ar. Começaremos com homenagens à Hermes Bernardi Jr., Zé Zuca, Elvira Vigna, Michelle Behar, Elias José, Marciano Vasques e Liliana Iacocca… Quero incluir todos aqueles que já foram associados da AEILIJ em algum momento de suas vidas. Precisamos também nos concentrar em resolver a questão do Regimento Interno. Agora, se hoje fosse o meu último dia como presidente da associação, acredito que as minhas marcas seriam o registro e a organização das informações (em sites, blog, Facebook, e canal do Youtube – fui eu quem juntou todos os seminários, boletins, Discussões, livros da Dorina, doações, etc.), a modernização, no meio digital e no estatuto, possibilitando a inscrição em editais e a formação de novas parcerias, e a delegação das tarefas.

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Sandra Pina: “A literatura para crianças e jovens tem um diferencial, por isso temos tanta coisa a debater”

sandraNa penúltima entrevista da série com os presidentes da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), que está completando 18 anos, quem conta um pouco dessa jornada é a escritora e tradutora Sandra Pina, autora de mais de 30 livros para crianças e jovens e que também ministra oficinas sobre literatura e o ofício da escrita. Vice-presidente de 2011 a 2013, na gestão de Hermes Bernardi Jr. (foto abaixo), assumiu a associação de 2013 a 2015, tendo Anielizabeth como vice. Aqui ela fala também sobre a gestão do escritor e ilustrador gaúcho, morto há dois anos.

SM – O que é a AEILIJ pra você?

SP – A AEILIJ é o ponto de encontro entre criadores de livros para crianças e adolescentes. Diferente de outras manifestações artísticas, a escrita e a ilustração são atividades muito solitárias, então, numa época em que não havia redes sociais, a AEILIJ possibilitou o contato direto entre os criadores. Ali podíamos (e ainda podemos) debater questões peculiares ao nosso ofício. São assuntos profissionais, como contratos, relações com editores etc., mas também questões relativas à criação. Mas você pode argumentar: literatura é literatura independente do público a quem se destina, certo? Concordo. Porém, a literatura para crianças e jovens tem um diferencial, uma vez que nossos livros são uma espécie de porta de entrada do leitor no universo das histórias. Talvez por isso, tenhamos tantas coisas a debater.

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

SP – Ainda na gestão da Anna Claudia (Ramos), descobrimos que a AEILIJ estava irregular burocraticamente. Ninguém tinha se preocupado em registrar atas etc. e tal. Na verdade, pensando bem, acho que ninguém tinha qualquer noção desse lado burocrático (risos). Durante a gestão do Hermes, planejamos inscrever a associação em editais de fomento a leitura. Claro! Não foi possível. Assim, quando eu e Anielizabeth assumimos, tomamos como prioridades número 1, 2 e 3 a regularização da associação, de modo que esse problema não limitasse mais qualquer ação que tivéssemos vontade de realizar.

SM – Qual foi a importância de sair do eixo Rio-SP?

SP – Na época, a AEILIJ já tinha completado mais de 10 anos e, até então, todos os presidentes e boa parte da diretoria tinham sido do eixo Rio-SP. Quando o Hermes decidiu se candidatar, apoiamos a iniciativa porque era importante que os associados sentissem que a associação é uma entidade nacional. É claro que a distância física acabou limitando algumas ações. Por outro lado, como vice, eu estava aqui no Rio e, portanto, disponível para representar a associação sempre que necessário.

SM – Como foi o processo de legalização da associação?

SP – Na verdade, a associação sempre foi legalizada. O que aconteceu foi uma total inabilidade de nossa parte em cuidar da burocracia constante que a AEILIJ demandava. Todos nós fazemos um mea-culpa por isso. Precisamos de um tempo para “entender” um pouco os meandros de todo o processo, mas, felizmente, tínhamos, eu e Anielizabeth, a Andrea Taubman ao nosso lado. E também a Naná Martins (as duas eram tesoureiras). Ambas estavam muito mais familiarizadas do que nós com o assunto. E foi a Andrea que deu a sugestão de levarmos a sede oficial AEILIJ para Teresópolis, onde o processo de regularização seria menos lento e complexo. Foram muitas idas e vindas de documentos. Foi muita economia financeira para custear todo o processo. Mas ao final valeu a pena. Hoje em dia a AEILIJ tem toda a sua documentação em ordem e pode participar de qualquer edital ou parceria, tanto com o poder público, quanto com a iniciativa privada.

SM – Fale sobre a exposição dos 15 anos.

SP – Quando a AEILIJ completou 10 anos de existência, demos uma festa. E foi linda! Quando chegou a época de comemorar os 15 anos, achamos que seria interessante homenagear alguns dos associados fundadores. Assim, convidamos escritores e ilustradores que, de alguma forma, foram importantes para que a associação chegasse até ali, e pedimos textos inéditos e as respectivas ilustrações, sempre com o tema livre. Duas pranchas saíram desse critério: o meu texto e a ilustração da Anielizabeth. No nosso caso, nos comprometemos a criar algo que meio que contasse a história da AEILIJ. O primeiro espaço dessa expo foi a Bienal do Livro de São Paulo. E depois ela circulou por outros espaços.

SM – Você foi vice do Hermes Bernardi Jr.: o que você destaca da parceria e o que aprendeu com ele que usou na sua gestão?

SP – Hermes era um bom amigo e colega de ofício. Não posso dizer que tenha sido fácil, já que praticamente todas as nossas reuniões eram feitas via internet e nossas agendas não eram tão sincronizadas assim. Porém, para a associação, foi importante “descentralizar” a presidência por um tempo. Entretanto, boa parte das entidades ligadas ao livro e à leitura têm sede no eixo Rio-SP, o que fez com que eu acabasse tendo um papel muito ativo como representante da AEILIJ, já que não era possível para ele vir para cá com tanta frequência.

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Anna Claudia Ramos: “Nunca uma diretoria destruiu o que a anterior havia feito, mas deu continuidade e avançou um pouco mais”

annaDentro da série de entrevistas com os presidentes da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), que está completando 18 anos, é a vez de conhecer a gestão de Anna Claudia Ramos, uma das fundadoras e presidente da instituição por dois mandatos, de 2007 a 2009 e 2009 a 2011. Escritora, professora de oficinas literárias e diretora do Atelier Vila das Artes, tem mais de 75 livros publicados e alguns prêmios. Participa de diversos projetos literários e de incentivo à leitura e percorre o país dando palestras e oficinas.

SM – O que é a AEILIJ pra você?

ACR – A criação da AEILIJ representou um sonho dos autores que escrevem para crianças e jovens. Tudo começou em 1998, quando um grupo de escritores e ilustradores de literatura infantil e juvenil, a partir de conversas informais, constatou que, apesar de sermos uma das forças mais importantes do mercado editorial, não tínhamos uma associação que servisse como nossa porta-voz, um espaço onde pudéssemos dialogar e debater. Até então, os encontros e reuniões esporádicas aconteciam em salões e feiras de livros pelo Brasil afora, ou nas tradicionais visitas às escolas. Nossos contatos limitavam-se, quase sempre, aos autores que viviam nos grandes centros urbanos. Os autores que residiam em cidades de pequeno e médio porte praticamente não tínhamos notícias. Vale lembrar que ainda não exista banda larga, e a internet ainda era discada naquele momento. O mundo virtual estava apenas começando… Um primeiro levantamento que fizemos mostrou que um número expressivo de autores, entre 300 e 500 autores, publicava obras de literatura para crianças e jovens em várias editoras. Essa constatação fortaleceu a demanda por uma associação que fosse representativa desse conjunto de profissionais. Acredito que cada vez mais, a AEILIJ vai precisar voar mais alto, mais longe, se profissionalizar e continuar abrindo espaços em torno das discussões que tangem os assuntos ligados à LIJ nos mais diversos espaços, porque desde a sua criação muita coisa mudou. As novas mídias aproximaram pessoas, modificaram relações. Então, penso que a nova gestão deve dar um pulo em direção a projetos de incentivo à leitura, orientando cada vez mais os novos autores, mas sem perder de vista a discussão política e estética sobre o livro e a leitura. Mas no fundo, a AEILIJ é um ponto de encontro da turma que escreve para crianças e jovens.

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

ACR – A cada mandato, cada presidente e sua diretoria foram fortalecendo o nome da AEILIJ. Nunca uma nova diretoria destruiu o que a anterior havia feito, mas sim deu continuidade e avançou um pouco mais em suas ações e projetos e, claro, imprimindo sua marca mais pessoal. Com isso, a AEILIJ se estabeleceu como uma instituição séria e respeitada por diversos órgãos governamentais e instituições ligadas ao livro e leitura em diversos estados brasileiros. Minha gestão ficou marcada por diferentes frentes. A luta por um lugar especial para a literatura na escola. A continuidade e a presença forte da AEILIJ na Câmara Setorial do Livro, Literatura e Leitura e nas Discussões sobre a Lei dos Direitos Autorais (que estava “pegando fogo” na época), participando de diferentes fóruns e encontros junto com MINC. Conseguimos, inclusive, impulsionar um seminário que foi organizado pelo MEC e MINC e PNLL para debater sobre o papel da literatura na escola. Nossa presença e voz ativa nestes fóruns foi fundamental para a AEILIJ ganhar credibilidade perante outras instituições. Também criamos a Expo Cores e Formas, fizemos uma festa para comemorar os 10 anos da associação, com patrocínio de diversas editoras. Criamos o Discussões AEILIJ, fortalecemos ainda mais as regionais, sobretudo no RS, onde fizemos por anos o Seminário de LIJ da AEILIJ. Criamos a AEILIJ Solidária, fazendo parcerias com a Fundação Dorina Nowill para Cegos e o Solar Literário, um projeto de leitura para o Solar Meninos de Luz. Demos continuidade a tudo que já vinha acontecendo na AEILIJ, como as bem-sucedidas parcerias com o programa educativo da FLIP (Cirandas dos Autores, que bolamos quando eu estava de Coordenadora de Comunicação e Estética na gestão do Luiz Antonio Aguiar), com a FNLIJ (Seminários e Eventos, tais como Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens) e com o site Dobras da Leitura (Trevo de Leituras). Criamos um site novo, que para a época pré-redes sociais foi uma novidade, pois os autores tinham uma página no site, com espaços para textos, foto e imagens, e que poderia ser totalmente administrada de forma independente por cada um.

Captura de Tela 2017-09-26 às 23.26.43SM – Foi na AEILIJ que você criou a campanha Autor não é brinde!

ACR – Estávamos cansados de sermos chamados para eventos sem receber cachê, ou para ir a escolas que nem tinham adotado nossos livros, mas que queriam nossa presença. Estávamos cansados de ouvir que escolas levavam atores de TV para festas de fim de ano pagando um bom cachê e quando nos convidavam sequer tocavam neste assunto. O texto que produzi na época ainda está atual. (Leia em http://annaclaudiaramos.com.br/arquivos/16094)

SM – O que você deixou de legado para a gestão seguinte?

ACR – A certeza que poderíamos trabalhar em equipe, sem competições internas, mas nos fortalecendo cada vez mais. Trabalhamos o tempo todo compartilhando ações, pensamentos e nos fortalecendo, sabendo que deveríamos estar sempre unidos e lutando pelo que acreditávamos. Mas acho que as respostas anteriores já falam um pouco sobre o que deixamos como legado.

 

Luiz Antonio Aguiar: “Esforço para ganharmos voz na decisão de questões importantes para os autores”

luizContinuamos com a série de entrevistas com os presidentes da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), que está completando 18 anos. Quem conta agora um pouco dessa trajetória é Luiz Antonio Aguiar, presidente da associação em dois mandatos, de 2003 a 2005 e de 2005 a 2007. Escritor, professor de literatura, palestrante e consultor editorial, tem vários livros publicados e vários prêmios, entre eles dois Jabutis. Na gestão dele, foram criados os boletins informativos da entidade, que podem ser acessados em http://www.aeilij.org.br/boletins.

SM – O que é a AEILIJ pra você?

LAA – Acima de tudo uma oportunidade de unirmos forças para causas comuns, profissionais e políticas, e para democratização da LIJ. Sempre vi a AEILIJ como um espaço que pode concentrar esforços para fazermos coisas acontecerem.

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

LAA – Creio que a AEILIJ ganhou uma projeção política importante naqueles anos. Tinha a ver com o momento que o país passava, com um certo otimismo em relação ao que tínhamos pela frente, mas também com um esforço de todos os que participavam da entidade no sentido de ganharmos voz nas diferentes instâncias de decisão de questões importantes para os autores, a LIJ, a Literatura.

SM – Conte um pouco sobre as reuniões com o MEC, das quais vocês passaram a participar.

LAA – A AEILIJ passou a ser chamada para essas reuniões, e escutada, tanto no MEC quanto nos espaços criados a partir dali. Mais uma vez, era um outro momento no país. Tínhamos posições políticas claras, focadas na questão da democratização da literatura, a partir de nosso I Encontro Nacional, e ali houve ocasião de defendê-las. Se o país não tivesse desandado, acredito que continuaríamos dispondo desses espaços para discutir as políticas públicas em relação à Literatura. Faz falta algo assim hoje em dia e é uma luta que teremos cedo ou tarde de retomar. Não dá para os autores se isentarem, se distanciarem, dessas decisões.

SM – E como foi esse I Encontro Nacional AEILIJ, em novembro de 2003?

LAA – A ideia era unificar visões, termos propostas. Sentíamos, na Diretoria e nos debates da Associação, que logo precisaríamos de posições mais definidas sobre as políticas públicas em relação à Literatura e mesmo sobre nossas especificidades profissionais. Por exemplo, pode parecer pouco, mas não foi, a definição do “autor”, na AEILIJ, incluindo tanto o ilustrador como o escritor, nesse termo. Daí, decorreram desdobramentos importantes para nossa atuação. Mas houve muito mais. Foram dois dias de mesas e debates específicos, em São Paulo, com uma produção caprichada dos associados de lá. Na ocasião, nossa coordenadora era a Silvia Cintra Franco. Chamamos inclusive outras entidades próximas para o debate. Foi bastante produtivo.  

SM – Como foi a mudança da gestão do Rogério Andrade Barbosa, primeiro presidente da associação, para a sua?

LAA – Tranquilíssima. Quase uma continuidade. O Rogério Andrade Barbosa foi o sujeito que teve a ideia da AEILIJ e saiu por aí, percorrendo feiras, bienais, salões, estados, conversando com os autores. Naturalmente, foi nosso primeiro presidente. Eu fazia parte da chapa. E o Rogério se manteve na diretoria durante o meu mandato. Até hoje, sempre conversamos muito sobre questões do ofício.

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Rogério Andrade Barbosa: “Somos uma categoria mais unida e mais forte”

rogerioProfessor, escritor e contador de histórias, Rogério Andrade Barbosa não hesita em lembrar que a união faz a força para falar da criação da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), que está completando 18 anos. Para marcar a maioridade, iniciamos com ele uma série de entrevistas com os presidentes da associação, para contar um pouco dessa trajetória. Autor de mais de 90 livros, ele foi o primeiro a comandar a casa em dois mandatos, de 1999 a 2001 e de 2001 a 2003.

SM – O que é a AEILIJ pra você?

RAB – A AEILIJ é a concretização de um sonho antigo, ou seja, a de criar uma associação que tivesse como objetivo defender os direitos e os interesses de nossa categoria. E foi assim que, após inúmeros contatos, viagens e reuniões, realizamos uma histórica assembleia (foto abaixo) no auditório da Casa da Leitura (sede do Proler no RJ), no dia 30 de junho de 1999, na qual foi eleita a nossa primeira diretoria.

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

RAB – O grande destaque da minha gestão, acredito, foi dar o pontapé inicial para unir a nossa classe de escritores e ilustradores de literatura infantil e juvenil.

SM – Você foi o primeiro presidente da AEILIJ. Qual foi o principal desafio no começo?

RAB – O grande desafio foi convencer os autores da necessidade de termos uma associação que nos representasse a nível nacional. Um trabalho de formiguinha, nos reunindo, a princípio, em casa de um e outro no Rio e em vários estados do Brasil, numa verdadeira cruzada para conseguirmos adesões à nossa inciativa.

SM – O que você deixou de legado para a gestão seguinte?

RAB – O principal legado foi estabelecer uma base, de modo que as novas diretorias pudessem ampliá-la. Nesse longo caminho, conseguimos, ao longo dos últimos anos, firmar parcerias e alianças importantes com outras instituições, dando uma visibilidade cada vez maior à nossa associação. Foram muitas conquistas das quais me orgulho bastante. Valeu a luta, pois hoje somos uma categoria mais unida e mais forte, pois sempre acreditei no velho chavão de que a união faz a força.

 

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