Edição de luxo reúne dois títulos de Lima Barreto

Captura de Tela 2017-07-04 às 15.33.53Dois livros de Lima Barreto (1881-1922), Os bruzundangas e Numa e a ninfa, acabam de ser lançados em edição única pela Carambaia. Os textos do grande homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty 2017, que ironizam a vida política do Brasil da República Velha, foram publicados em folhetins no início do século XX e não perderam a atualidade, passados 100 anos. A organização e o posfácio são de Beatriz Resende, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), crítica literária e especialista em Lima Barreto, que vai participar de duas mesas da Flip, discutindo a obra do escritor. Os bruzundangas é uma reunião de crônicas publicadas de janeiro a maio de 1917 no semanário A.B.C., que depois saiu em livro, lançado um ano após a morte de Lima Barreto. São relatos em tom de paródia sobre um país fictício, a República dos Estados Unidos da Bruzundanga, que muito se se assemelha ao Brasil. Já Numa e a ninfa, que começou a ser publicado, na forma de folhetins, em março de 1915, foi anunciado pelo jornal A Noite como um texto que “romanceava vários escândalos dos milhares que assinalaram o governo Hermes (da Fonseca) como o mais corrupto da história”. A obra retrata a trajetória de Numa Pompílio de Castro, um bacharel em Direito medíocre, acomodado, que conquista uma cadeira de deputado federal ao se casar com a filha do governador – a ninfa do título. O livro tem projeto gráfico de Fernando Vilela, que estruturou o volume como um folioscópio (ou flip book). Suas ilustrações são organizadas em sequência, de modo que, quando o volume é folheado rapidamente, tem-se a ilusão de ver as imagens e o próprio texto em movimento. A capa traz uma colagem de xilogravuras feitas especialmente pelo artista.

Anúncios

Entre o racional e o espiritual

FOTO LIVROEm tempos difíceis como os que estamos vivendo no Brasil e no mundo, expandir nossa percepção em relação ao que acontece ao nosso redor e elevar a consciência espiritual é fundamental, e é essa experiência que o curitibano Renato Candemil busca passar em Uma jornada em busca da verdade espiritual (Insular). O livro mostra que a maioria de nossas ações cotidianas são fruto do que acontece no campo da racionalidade, mas muitas também acontecem sob o prisma da espiritualidade. Candemil, que sempre conviveu com experiências espirituais das mais diversas, seleciona dez episódios para demonstrar que pequenos detalhes podem mudar toda uma existência. A narrativa começa por um episódio ocorrido em 2012 no alto das montanhas de La Salette, nos Alpes Franceses. O prefácio é do escritor e jornalista Marcelo Passamai.

Volume de cartas abre coleção com aspectos menos conhecidos de grandes escritores

313942d7-2f65-44cb-9913-7f7c48bc6d77Aaventuradoestilook2A aventura do estilo (Rocco) reúne pela primeira vez no Brasil a correspondência entre dois grandes nomes da literatura de língua inglesa, o americano Henry James (1843-1916) e o britânico Robert Louis Stevenson (1850-1894). Com organização e tradução de Marina Bedran, o volume inaugura a coleção Marginália, com curadoria do jornalista Miguel Conde, que tem como objetivo revelar aspectos menos conhecidos de alguns dos maiores escritores modernos a partir de cartas, bilhetes, ensaios, artigos e outros textos avulsos. O livro celebra a amizade entre dois autores tão diferentes por meio de uma troca de cartas, com discussões sobre o oficio da escrita, que durou uma década. O título da coleção se refere às anotações deixadas pelos leitores nas margens dos manuscritos e páginas impressas. O segundo título, A perda de si, traz uma seleção de cartas tiradas das obras completas de Antonin Artaud organizada por Ana Kiffer, com tradução dela e de Mariana Patrício.

Livro traz memórias de judia que se casou com oficial nazista

A mulher do oficial nazistaAté onde você iria para sobreviver a uma guerra? Esta é a pergunta respondida por A mulher do oficial nazista (HarperCollins), que traz as memórias de Edith Hahn Beer, com colaboração da escritora Susan Dworkin. É a história real da judia que se casou com um oficial nazista e sobreviveu ao Holocausto. Aprisionada em um gueto e obrigada a trabalhar como escrava em uma fazenda e em uma fábrica, a austríaca Edith conseguiu escapar e mudar de identidade, fingindo ser a alemã Grete Denner. Até conhecer Werner Vetter, membro do partido nazista que se apaixona por ela. Mesmo confessando ser judia, o oficial a pediu em casamento e manteve sua identidade em segredo. No livro, Edith conta como era viver em constante medo. Ela revela como os oficiais nazistas casualmente questionavam a linhagem de seus pais e descreve o momento em que seu marido foi capturado pelos soviéticos e ela foi expulsa de casa, escondendo-se em escombros porque soldados russos bêbados estupravam mulheres na rua. Apesar do risco que corria, Edith guardou documentos e fotografias, que hoje fazem parte da coleção permanente do Museu Memorial do Holocausto, em Washington. Após a guerra, ela se divorciou, recuperou sua verdadeira identidade, passou a viver em Londres e se casou novamente, dessa vez com um mercador judeu. Com a morte de seu segundo marido, Edith se mudou para Israel. Ela morreu em 2009.

Maior sucesso de Clarice Lispector ganha edição comemorativa

c319ec22-cc92-40f1-8234-26c96c0b53dbAhoradaestrela_edicaocommanuscritoseensaiosineditosokClarice Lispector morreu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos. A hora da estrela tinha sido lançado há pouco mais de um mês e a escritora não chegou a vivenciar nada da popularidade que o romance conseguiu nestes 40 anos. Adaptada para o cinema e adotada nas escolas, a história de Macabéa ganha agora de sua editora, a Rocco, uma bela edição comemorativa, em capa dura e sobrecapa, com o texto original, manuscritos de Clarice e ensaios sobre o livro. O primeiro é uma apresentação da escritora Paloma Vidal, que esmiúça os rascunhos originais, deixados pela autora, que formaram o romance. Ao final, a publicação reúne uma fortuna crítica sobre o grande best-seller de Clarice: um texto da crítica francesa Hélène Cixous, publicado em 1987 pela revista Travessia, da Universidade Federal de Santa Catarina, em que ela afirma que A hora da estrela “é um dos maiores livros do mundo”; a introdução que o escritor irlandês Colm Tóibín fez para a edição americana de 2011; o posfácio assinado pela pesquisadora argentina Florencia Garramuño para uma edição em 2010 em seu país; um texto de Nádia Battela Gotlib, biógrafa de Clarice, para a revista Organon, da Universidade Federal do Ro Grande do Sul, em 1989; a apresentação da professora Clarisse Fukelman para uma edição de 1984 do livro; e a apresentação do acadêmico Eduardo Portella para a primeira edição do livro, na qual ele diz que a narrativa do último livro de Clarice “é também a alegoria da esperança possível”.

Livro adaptado para os cinemas ganha nova edição no Brasil

Zoologico_de_Varsovia_CAPA_v02.inddA HarperCollins Brasil está relançando O zoológico de Varsóvia, que tinha saído por aqui pela Nova Fronteira e estava fora de catálogo. O best-seller da escritora americana Diane Ackerman ganhou uma adaptação cinematográfica, estrelada pela atriz Jessica Chastain e pelo ator Daniel Brühl, que acaba de estrear nos Estados Unidos mas ainda não tem data de lançamento no Brasil. Baseado em fatos reais, o livro mostra como Jan e Antonina Zabinski, responsáveis pelo zoológico da capital polonesa, salvaram mais de 300 judeus durante a Segunda Guerra Mundial, depois que o país foi invadido pela Alemanha e passou por diversos bombardeios que devastaram a cidade. Com a maior parte dos animais mortos, o casal passou a esconder judeus que fugiam do exército de Hitler nas celas vazias do zoológico. Jan, participante ativo da Resistência Polonesa, enterrava munição na jaula dos elefantes e ocultava explosivos no hospital dos animais. Antonina contava com a ajuda do filho Ryszard, uma criança sensível e corajosa, que não se deixou contaminar em meio à atmosfera tensa da guerra. Diane Ackerman mostra que a resistência ao nazismo foi feita por gente comum, que não hesitou diante da possibilidade de ajudar os judeus perseguidos. Usando o diário de Antonina, outras fontes contemporâneas e sua própria pesquisa na Polônia, a autora transporta o leitor ao gueto de Varsóvia e ao Levante Judeu de 1943, além de descrever a revolta dos poloneses contra os ocupantes nazistas em 1944.

 

Guia com curiosidades sobre super-heróis é um dos lançamentos de evento sobre mundo geek

capaA identidade secreta dos super-heróis – A história e as origens dos maiores sucessos das HQs: do Super-Homem aos Vingadores (Valentina) explora o início do fenômeno dos super-heróis a partir de gibis descartáveis lançados na época da Grande Depressão norte-americana. O livro revela o impacto do surgimento do Super-Homem, em 1938, que estabeleceria características e parâmetros canônicos do que representa um herói com grandes poderes. Brian J. Robb, autor de livros sobre o cinema mudo, os filmes de Philip K. Dick e Wes Craven e Jornada nas Estrelas e biografias dos atores Leonardo DiCaprio, Johnny Depp e Brad Pitt, apresenta um panorama de quase um século de construção, descontinuidade, reinvenção destes personagens, processos de criação dos autores, contextos em que foram criados e desdobramentos de consumo e comportamento em gerações de leitores até o século XXI, com blockbusters e gibis em aplicativos. Entre as curiosidades, Robb conta que o Capitão América surgiu socando Adolph Hitler em sua revista de estreia, que a inspiração inicial para o uso do tema do morcego em Batman foi o ornitóptero de Leonardo da Vinci, e que o Quarteto Fantástico foi a primeira nova equipe de super-heróis da Era de Prata que não foi lançada pela DC, que até então se contentou em reciclar super-heróis-chave da Era de Ouro. A tradução do jornalista André Gordirro amplia o entendimento do leitor em notas e informações que contextualizam termos e situações citados na obra.
Captura de Tela 2017-04-20 às 16.27.00O livro é um dos destaques da Rio Geek & Game Rio Festival, que será realizado neste feriadão no Riocentro, zona oeste do Rio de Janeiro, para os apaixonados por quadrinhos, games, livros, filmes e séries. O evento terá ainda bate-papos. Destaque para o painel especial “O universo expandido de Warcraft”, no domingo às 15h30, que vai reunir a americana Christie Golden (foto) e o dublador e ator Gustavo Nader. Ela é uma das maiores especialistas em World of Warcraft e autora de mais de 35 romances e diversos contos nos gêneros de ficção científica, fantasia e terror. Confira a programação completa em http://www.ggrf.com.br/
Foto: Divulgação/ Record