Livro traz memórias de judia que se casou com oficial nazista

A mulher do oficial nazistaAté onde você iria para sobreviver a uma guerra? Esta é a pergunta respondida por A mulher do oficial nazista (HarperCollins), que traz as memórias de Edith Hahn Beer, com colaboração da escritora Susan Dworkin. É a história real da judia que se casou com um oficial nazista e sobreviveu ao Holocausto. Aprisionada em um gueto e obrigada a trabalhar como escrava em uma fazenda e em uma fábrica, a austríaca Edith conseguiu escapar e mudar de identidade, fingindo ser a alemã Grete Denner. Até conhecer Werner Vetter, membro do partido nazista que se apaixona por ela. Mesmo confessando ser judia, o oficial a pediu em casamento e manteve sua identidade em segredo. No livro, Edith conta como era viver em constante medo. Ela revela como os oficiais nazistas casualmente questionavam a linhagem de seus pais e descreve o momento em que seu marido foi capturado pelos soviéticos e ela foi expulsa de casa, escondendo-se em escombros porque soldados russos bêbados estupravam mulheres na rua. Apesar do risco que corria, Edith guardou documentos e fotografias, que hoje fazem parte da coleção permanente do Museu Memorial do Holocausto, em Washington. Após a guerra, ela se divorciou, recuperou sua verdadeira identidade, passou a viver em Londres e se casou novamente, dessa vez com um mercador judeu. Com a morte de seu segundo marido, Edith se mudou para Israel. Ela morreu em 2009.

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Maior sucesso de Clarice Lispector ganha edição comemorativa

c319ec22-cc92-40f1-8234-26c96c0b53dbAhoradaestrela_edicaocommanuscritoseensaiosineditosokClarice Lispector morreu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos. A hora da estrela tinha sido lançado há pouco mais de um mês e a escritora não chegou a vivenciar nada da popularidade que o romance conseguiu nestes 40 anos. Adaptada para o cinema e adotada nas escolas, a história de Macabéa ganha agora de sua editora, a Rocco, uma bela edição comemorativa, em capa dura e sobrecapa, com o texto original, manuscritos de Clarice e ensaios sobre o livro. O primeiro é uma apresentação da escritora Paloma Vidal, que esmiúça os rascunhos originais, deixados pela autora, que formaram o romance. Ao final, a publicação reúne uma fortuna crítica sobre o grande best-seller de Clarice: um texto da crítica francesa Hélène Cixous, publicado em 1987 pela revista Travessia, da Universidade Federal de Santa Catarina, em que ela afirma que A hora da estrela “é um dos maiores livros do mundo”; a introdução que o escritor irlandês Colm Tóibín fez para a edição americana de 2011; o posfácio assinado pela pesquisadora argentina Florencia Garramuño para uma edição em 2010 em seu país; um texto de Nádia Battela Gotlib, biógrafa de Clarice, para a revista Organon, da Universidade Federal do Ro Grande do Sul, em 1989; a apresentação da professora Clarisse Fukelman para uma edição de 1984 do livro; e a apresentação do acadêmico Eduardo Portella para a primeira edição do livro, na qual ele diz que a narrativa do último livro de Clarice “é também a alegoria da esperança possível”.

Livro adaptado para os cinemas ganha nova edição no Brasil

Zoologico_de_Varsovia_CAPA_v02.inddA HarperCollins Brasil está relançando O zoológico de Varsóvia, que tinha saído por aqui pela Nova Fronteira e estava fora de catálogo. O best-seller da escritora americana Diane Ackerman ganhou uma adaptação cinematográfica, estrelada pela atriz Jessica Chastain e pelo ator Daniel Brühl, que acaba de estrear nos Estados Unidos mas ainda não tem data de lançamento no Brasil. Baseado em fatos reais, o livro mostra como Jan e Antonina Zabinski, responsáveis pelo zoológico da capital polonesa, salvaram mais de 300 judeus durante a Segunda Guerra Mundial, depois que o país foi invadido pela Alemanha e passou por diversos bombardeios que devastaram a cidade. Com a maior parte dos animais mortos, o casal passou a esconder judeus que fugiam do exército de Hitler nas celas vazias do zoológico. Jan, participante ativo da Resistência Polonesa, enterrava munição na jaula dos elefantes e ocultava explosivos no hospital dos animais. Antonina contava com a ajuda do filho Ryszard, uma criança sensível e corajosa, que não se deixou contaminar em meio à atmosfera tensa da guerra. Diane Ackerman mostra que a resistência ao nazismo foi feita por gente comum, que não hesitou diante da possibilidade de ajudar os judeus perseguidos. Usando o diário de Antonina, outras fontes contemporâneas e sua própria pesquisa na Polônia, a autora transporta o leitor ao gueto de Varsóvia e ao Levante Judeu de 1943, além de descrever a revolta dos poloneses contra os ocupantes nazistas em 1944.

 

Guia com curiosidades sobre super-heróis é um dos lançamentos de evento sobre mundo geek

capaA identidade secreta dos super-heróis – A história e as origens dos maiores sucessos das HQs: do Super-Homem aos Vingadores (Valentina) explora o início do fenômeno dos super-heróis a partir de gibis descartáveis lançados na época da Grande Depressão norte-americana. O livro revela o impacto do surgimento do Super-Homem, em 1938, que estabeleceria características e parâmetros canônicos do que representa um herói com grandes poderes. Brian J. Robb, autor de livros sobre o cinema mudo, os filmes de Philip K. Dick e Wes Craven e Jornada nas Estrelas e biografias dos atores Leonardo DiCaprio, Johnny Depp e Brad Pitt, apresenta um panorama de quase um século de construção, descontinuidade, reinvenção destes personagens, processos de criação dos autores, contextos em que foram criados e desdobramentos de consumo e comportamento em gerações de leitores até o século XXI, com blockbusters e gibis em aplicativos. Entre as curiosidades, Robb conta que o Capitão América surgiu socando Adolph Hitler em sua revista de estreia, que a inspiração inicial para o uso do tema do morcego em Batman foi o ornitóptero de Leonardo da Vinci, e que o Quarteto Fantástico foi a primeira nova equipe de super-heróis da Era de Prata que não foi lançada pela DC, que até então se contentou em reciclar super-heróis-chave da Era de Ouro. A tradução do jornalista André Gordirro amplia o entendimento do leitor em notas e informações que contextualizam termos e situações citados na obra.
Captura de Tela 2017-04-20 às 16.27.00O livro é um dos destaques da Rio Geek & Game Rio Festival, que será realizado neste feriadão no Riocentro, zona oeste do Rio de Janeiro, para os apaixonados por quadrinhos, games, livros, filmes e séries. O evento terá ainda bate-papos. Destaque para o painel especial “O universo expandido de Warcraft”, no domingo às 15h30, que vai reunir a americana Christie Golden (foto) e o dublador e ator Gustavo Nader. Ela é uma das maiores especialistas em World of Warcraft e autora de mais de 35 romances e diversos contos nos gêneros de ficção científica, fantasia e terror. Confira a programação completa em http://www.ggrf.com.br/
Foto: Divulgação/ Record

Para alcançar a iluminação

image005Em A essência do budismo – Dez estágios para se tornar um Buda (Best Seller), a escritora americana Elizabeth Clare Prophet lista os passos que levam ao caminho da iluminação, já que, segundo as escrituras budistas, todos os seres carregam dentro de si a semente de buda e que, para despertá-la, é preciso iniciar a busca dentro de nós mesmos. Ela explica como os mantras budistas nos ajudam a superar obstáculos ao crescimento espiritual e a aumentar a sabedoria, a compaixão, o perdão e a alegria. O guia prático, com dicas para reflexões, transcende às diferenças de crenças religiosas, mostrando que todas têm o mesmo objetivo. Prophet, já falecida,  é autora de dezenas de obras como Anjos caídos e a origem do mal, Reencarnação: O elo perdido do cristianismo e A história de sua alma, muitas traduzidas para mais de 30 idiomas. Ela foi pioneira em técnicas e práticas de espiritualidade, incluindo o poder curativo dos sons para crescimento pessoal e transformação mundial.

Cantinho da leitura

bFruto de mais de uma década de trabalho, Beethoven: angústia e triunfo (Amarilys), do compositor, professor e escritor Jan Swafford, oferece um retrato detalhado da vida e da obra do compositor alemão. Além de buscar fontes até então pouco exploradas para traçar a vida íntima do homem, desfazendo mitos persistentes e descobrindo novos detalhes sobre as principais influências formadoras do autor da Nona Sinfonia, Swafford também analisa a evolução do trabalho do compositor. Símbolo do Romantismo europeu, colecionador de frustrações amorosas e vítima de uma surdez progressiva que se manifestou no auge da fama, Ludwig van Beethoven (1770-1827) personificou a formação de uma sensibilidade moderna na música. Autor de biografias premiadas e de obras musicais executadas por grandes orquestras, Jan Swafford é professor de história da música, teoria e composição musical no Boston Conservatory. O livro de capa dura, com tradução de Laura Folgueira, tem 1.056 páginas e custa R$ 189.

Cantinho da leitura

65b5cece-4228-47c6-b7ef-072a0f757e4eA nova edição de Poesias reunidas (Companhia das Letras) reúne toda a obra poética de Oswald de Andrade e traz ainda 22 poemas inéditos. O volume lançado pela primeira vez em 1945, que foi reeditado nos anos 1960 e 70, já trazia os livros Pau-brasil, Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade, Cântico dos cânticos para flauta e violão e Poemas menores. Dessa vez foram acrescentados não só novos versos, mas também uma fortuna crítica – com textos de Carlos Drummond de Andrade, Mário da Silva Brito e “Uma poética da radicalidade”, de Haroldo de Campos, escrita para a edição de 1966 – e ilustrações originais de Tarsila do Amaral, Lasar Segall e do próprio Oswald. Além de poemas, Oswald de Andrade escreveu manifestos, romances, peças teatrais, crônicas e ensaios, influenciando não só a literatura brasileira mas a música e as artes visuais, com forte impacto em movimentos como a Semana de Arte Moderna, da qual foi um dos principais nomes, o concretismo e a Tropicália. Confira um dos poemas inéditos do livro:

 

oswald_de_andrade004falar difícil

O moço entrou na secretaria de Palácio
Desfilaria no chapéu [?]
Tenho cumprido até hoje
Meu estrito dever de brasileiro
Quando se ensangueteram
Os gloriosos campos de Piratininga
Não peguei num bacamarte
Porque não tive oportunidade
Mas trabalhei com o cérebro
Sou 3o. escriptinio dos telégrafos