Emoção e diversão de um tempo que não volta mais

14179_ggMaysa, Machado de Assis, Tarsila do Amaral e dom Pedro II são alguns dos personagens tão marcantes quanto diversificados presente em Cartas brasileiras (Companhia das Letras). Inspirado em Cartas extraordinárias, em que o britânico Shaun Usher reuniu 125 missivas de notáveis como Gandhi, Virginia Woolf e a rainha Elizabeth, o jornalista e escritor Sérgio Rodrigues selecionou correspondências curiosas de brasileiros, em narrativas históricas, engraçadas, ameaçadoras, amorosas, muitas inéditas ou pouco conhecidas. A primorosa edição traz as cartas datadas e contextualizadas, e ainda fotografias e fac-símiles. Autor do almanaque Viva a língua brasileira! e de livros de ficção como o premiado romance O drible, ele fez um livro divertido e emocionante, ainda mais em um mundo digital em que cartas já são uma raridade. Destaque para um bilhete de Lampião chantageando o prefeito de Mossoró, a carta que Elis Regina escreveu para o filho João Marcelo ler aos 18 anos mas que ele só recebeu recentemente, e a que selou o rompimento do então vice-presidente Michel Temer com Dilma Rousseff.

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Lançamento narra nova guerra civil americana em 2074

Guerra americana_Capa SAÍDA CURVAS_171003Uma guerra americana (Harper Collins) se passa no ano de 2074, durante a segunda guerra civil nos Estados Unidos, detonada porque o governo federal decide banir o uso de combustíveis fósseis devido aos efeitos do aquecimento global. O conflito começa quando alguns estados do Sul decidem se separar em vez de aceitar a proibição. No livro, o autor, o premiado jornalista Omar El Akkad, usa elementos que já aconteceram em algum momento da história em algum lugar do mundo. “Minha única intenção era criar um cenário onde não é mais possível dizer: isso está acontecendo lá longe e nunca vai me afetar”, explicaA história é contada a partir da perspectiva de uma família, das emoções e das decisões desesperadas que as pessoas tomam quando a prioridade é sobreviver. A protagonista da trama é a menina Sarat Chestnut, que tem apenas seis anos quando o terror da guerra invade sua casa. El Akkad nasceu no Egito e cresceu no Catar, antes de se mudar para o Canadá. Foi jornalista no The Globe and Mail, onde recebeu o National Newspaper Award por seu trabalho de investigação. Vive nos EUA.

Série apresenta novos nomes da cena literária portuguesa

9788556620804_frontcover1-8c5f0dcef6040315ed15024501379056-640-0A série Lusofonia, da Editora Jaguatirica, busca apresentar aos leitores brasileiros autores de língua portuguesa contemporâneos ainda não publicados por aqui. E começa logo com cinco lançamentos, com novos nomes da cena literária portuguesa. O romance Gnaisse, de Luís Carmelo, publicado em Lisboa pela Abysmo, que traz um professor apaixonado por uma aluna, é o primeiro de uma trilogia sobre o amor. Auto-retratos, também publicado pela Abysmo, traz poemas numerados em sequência de Paulo José Miranda, autor que também transita por outros gêneros literários. O amor e o tempo, publicado em Portugal pela Mosaico de Palavras, traz três contos do escritor e tradutor Albano Chaves.

9788556620828_frontcover1-5dbcdb9f3732205cc315016340656407-640-0Dois livros são inéditos, ambos de poesia: o volume Famosas últimas palavras, de Luís Filipe Cristóvão, o mais jovem dos autores da série; e Corvos cobras chacais, de António Carlos Cortez, versos em prosa que se assemelham a minicontos. As obras contaram com o apoio da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, do Governo de Portugal. O lançamento coincide com a comemoração do quinto aniversário da Jaguatirica e com o ano de fundação da Gato-Bravo, homóloga da editora em Portugal. A série Lusofonia terá outros lançamentos em 2018, entre eles o premiado Tragédia de Fidel Castro, de João Cerqueira, publicado em seis países.

Paula Hawkins lança novo thriller no primeiro sábado da Bienal do Livro

unnamedUma das convidadas da Bienal do Livro Rio é a escritora britânica Paula Hawkins, autora do thriller A garota no trem (Record), que vendeu 20 milhões de exemplares pelo mundo sendo 300 mil no Brasil. Ela vem lançar seu livro mais recente, Em águas sombrias. Se no romance anterior três narradoras se revezam para contar a história do desaparecimento de uma delas, acompanhado das janelas do trem pela protagonista, neste mais uma vez vários personagens se revezam para desvendar um aparente suicídio ocorrido em um lugar específico de um rio, conhecido como Poço dos Afogamentos, na pequena e fictícia Beckford, no interior da Inglaterra. No livro, ela aproveita para falar sobre machismo e misoginia em suas mais diversas formas, e da maneira que a sociedade ainda enxerga e silencia as mulheres. Assim como A garota do trem, que virou filme (nem de longe bom como o livro), Em águas sombrias teve os direitos vendidos para o cinema. Paula Hawkins estará na Bienal no sábado, dia 2. Às 15h, ela participa do Encontro com autores, em uma conversa sobre o processo de escrita e criação. Logo depois, às 18h30, recebe os fãs na Área de autógrafos do Riocentro.

Edição de luxo reúne dois títulos de Lima Barreto

Captura de Tela 2017-07-04 às 15.33.53Dois livros de Lima Barreto (1881-1922), Os bruzundangas e Numa e a ninfa, acabam de ser lançados em edição única pela Carambaia. Os textos do grande homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty 2017, que ironizam a vida política do Brasil da República Velha, foram publicados em folhetins no início do século XX e não perderam a atualidade, passados 100 anos. A organização e o posfácio são de Beatriz Resende, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), crítica literária e especialista em Lima Barreto, que vai participar de duas mesas da Flip, discutindo a obra do escritor. Os bruzundangas é uma reunião de crônicas publicadas de janeiro a maio de 1917 no semanário A.B.C., que depois saiu em livro, lançado um ano após a morte de Lima Barreto. São relatos em tom de paródia sobre um país fictício, a República dos Estados Unidos da Bruzundanga, que muito se se assemelha ao Brasil. Já Numa e a ninfa, que começou a ser publicado, na forma de folhetins, em março de 1915, foi anunciado pelo jornal A Noite como um texto que “romanceava vários escândalos dos milhares que assinalaram o governo Hermes (da Fonseca) como o mais corrupto da história”. A obra retrata a trajetória de Numa Pompílio de Castro, um bacharel em Direito medíocre, acomodado, que conquista uma cadeira de deputado federal ao se casar com a filha do governador – a ninfa do título. O livro tem projeto gráfico de Fernando Vilela, que estruturou o volume como um folioscópio (ou flip book). Suas ilustrações são organizadas em sequência, de modo que, quando o volume é folheado rapidamente, tem-se a ilusão de ver as imagens e o próprio texto em movimento. A capa traz uma colagem de xilogravuras feitas especialmente pelo artista.

Entre o racional e o espiritual

FOTO LIVROEm tempos difíceis como os que estamos vivendo no Brasil e no mundo, expandir nossa percepção em relação ao que acontece ao nosso redor e elevar a consciência espiritual é fundamental, e é essa experiência que o curitibano Renato Candemil busca passar em Uma jornada em busca da verdade espiritual (Insular). O livro mostra que a maioria de nossas ações cotidianas são fruto do que acontece no campo da racionalidade, mas muitas também acontecem sob o prisma da espiritualidade. Candemil, que sempre conviveu com experiências espirituais das mais diversas, seleciona dez episódios para demonstrar que pequenos detalhes podem mudar toda uma existência. A narrativa começa por um episódio ocorrido em 2012 no alto das montanhas de La Salette, nos Alpes Franceses. O prefácio é do escritor e jornalista Marcelo Passamai.

Volume de cartas abre coleção com aspectos menos conhecidos de grandes escritores

313942d7-2f65-44cb-9913-7f7c48bc6d77Aaventuradoestilook2A aventura do estilo (Rocco) reúne pela primeira vez no Brasil a correspondência entre dois grandes nomes da literatura de língua inglesa, o americano Henry James (1843-1916) e o britânico Robert Louis Stevenson (1850-1894). Com organização e tradução de Marina Bedran, o volume inaugura a coleção Marginália, com curadoria do jornalista Miguel Conde, que tem como objetivo revelar aspectos menos conhecidos de alguns dos maiores escritores modernos a partir de cartas, bilhetes, ensaios, artigos e outros textos avulsos. O livro celebra a amizade entre dois autores tão diferentes por meio de uma troca de cartas, com discussões sobre o oficio da escrita, que durou uma década. O título da coleção se refere às anotações deixadas pelos leitores nas margens dos manuscritos e páginas impressas. O segundo título, A perda de si, traz uma seleção de cartas tiradas das obras completas de Antonin Artaud organizada por Ana Kiffer, com tradução dela e de Mariana Patrício.