HQ transforma lenda amazônica em herói do bem contra o mal

Captura de Tela 2018-03-29 às 10.51.22Codinome: Boto (DataCoop), terceiro livro de André Barroso, traz uma história em quadrinhos inédita de Boto, ajudando a polícia contra um traficante no interior do estado do Rio de Janeiro. A ideia foi construir um personagem inspirado na mitologia brasileira, usando nossas características, e não dos heróis pop americanos, como costuma acontecer em HQs tradicionais. Reza a lenda amazônica que o boto tem a capacidade de se transformar num homem bonito e elegante, que seduz as mulheres nas noites de lua cheia. Depois da noite de amor, ele as abandona, deixando-as à espera de um filho seu. Assim, sempre que aparece alguém cujo pai é desconhecido, as pessoas dizem que se trata de um filho do Boto. O livro traz ainda outras histórias que Barroso publicou em jornais, revistas e blogs. O prefácio é do crítico de cinema e roteirista Rodrigo Fonseca e o projeto gráfico, de Wellington Pereira. André Barroso também é cantor, músico e compositor.

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Livro que inspirou filme que chega aos cinemas brasileiros amanhã ganha nova edição

image003Dirigido pela espanhola Isabel Coixet, o filme A livraria estreia amanhã no Brasil, contando a história de Florence Green, um mulher que desafia vários interesses para abrir um estabelecimento livreiro em uma pequena cidade do interior da Inglaterra, no fim dos anos 1950. O livro no qual ela se baseou, A livraria (Bertrand Brasil), de Penelope Fitzgerald, foi finalista do Booker Prize quando foi lançado, em 1978. A nova edição faz referência ao filme na capa e tem apresentação de David Nicholls, autor de Um dia, romance que também foi parar nas telas. A tradução é de Sonia Coutinho. Penelope Fitzgerald, um dos grandes nomes da literatura inglesa, foi romancista, poeta, ensaísta e biógrafa. Ganhou o Booker Prize em 1979 com Offshore. Em 1999, levou o Golden Pen Award por sua contribuição à literatura. Morreu no ano seguinte.

Tráfico negreiro é tema de romance premiado de francesa de origem camaronesa

Captura de Tela 2018-02-21 às 10.56.56Escritora francesa de origem camaronesa, Léonora Miano tem publicado no Brasil seu A estação das sombras (Pallas), que em 2013 levou os prêmios Femina e Grand Prix do Roman Métis na França. O romance traz a tribo Mulongo como protagonista do enredo sobre o tráfico negreiro e a dizimação dos povos na costa africana no século XVI, baseado em um relatório da UNESCO intitulado “A lembrança da captura”, de 2010, que procura resgatar uma memória do tráfico transatlântico. A história parte de um grande incêndio na aldeia onde vive a tribo. Dez adolescentes e dois anciãos desaparecem e com o tempo fica claro que eles foram capturados e vendidos como escravos aos europeus. A tradução é de Celina Portocarrero. Léonora Miano já foi agraciada com o Prêmio Goncourt pelo romance Contornos do dia que vem vindo, de 2006, sobre uma menina disposta a encontrar a mãe em um país africano devastado por uma guerra, e que também foi publicado por aqui pela Pallas, três anos depois.

Uma viagem de encantamento e suspense

CAPA PETROLINA site-240x360Em crise de meia idade, um compositor resolve atender ao pedido da ex-mulher, com quem tem uma relação mal resolvida, e leva o tio-avô dela de carro de São Paulo a Petrolina – além dos dois filhos do protagonista, uma adolescente e um menino ainda pequeno. A viagem conduz a narrativa de Petrolina (Grua), novo romance de Carlos Eduardo de Magalhães, autor de Pitanga, Trova e Super-homem, não-homem, Carol e os invisíveis, entre outros, escrito em parte durante um programa de residência na Índia. Os 2178,6km de estrada vão levando o leitor por uma história de encantamento e suspense, em que o compositor vai rememorando sua trajetória, redescobrindo novos jeitos de se relacionar com a família e desvendando o motivo pelo qual o principal passageiro do carro precisou sair dos Estados Unidos, onde mora há mais de 50 anos, para ir até o sertão. Em um mundo em que a rapidez e a tecnologia são a tônica do nosso dia a dia, quatro pessoas de idades tão diferentes em uma viagem de três dias dentro de um carro promete confusão, mas aqui produz ótima literatura. Destaque para a bela capa de Maribel Suarez, inspirada nos folhetos de cordel.

Emoção e diversão de um tempo que não volta mais

14179_ggMaysa, Machado de Assis, Tarsila do Amaral e dom Pedro II são alguns dos personagens tão marcantes quanto diversificados presente em Cartas brasileiras (Companhia das Letras). Inspirado em Cartas extraordinárias, em que o britânico Shaun Usher reuniu 125 missivas de notáveis como Gandhi, Virginia Woolf e a rainha Elizabeth, o jornalista e escritor Sérgio Rodrigues selecionou correspondências curiosas de brasileiros, em narrativas históricas, engraçadas, ameaçadoras, amorosas, muitas inéditas ou pouco conhecidas. A primorosa edição traz as cartas datadas e contextualizadas, e ainda fotografias e fac-símiles. Autor do almanaque Viva a língua brasileira! e de livros de ficção como o premiado romance O drible, ele fez um livro divertido e emocionante, ainda mais em um mundo digital em que cartas já são uma raridade. Destaque para um bilhete de Lampião chantageando o prefeito de Mossoró, a carta que Elis Regina escreveu para o filho João Marcelo ler aos 18 anos mas que ele só recebeu recentemente, e a que selou o rompimento do então vice-presidente Michel Temer com Dilma Rousseff.

Lançamento narra nova guerra civil americana em 2074

Guerra americana_Capa SAÍDA CURVAS_171003Uma guerra americana (Harper Collins) se passa no ano de 2074, durante a segunda guerra civil nos Estados Unidos, detonada porque o governo federal decide banir o uso de combustíveis fósseis devido aos efeitos do aquecimento global. O conflito começa quando alguns estados do Sul decidem se separar em vez de aceitar a proibição. No livro, o autor, o premiado jornalista Omar El Akkad, usa elementos que já aconteceram em algum momento da história em algum lugar do mundo. “Minha única intenção era criar um cenário onde não é mais possível dizer: isso está acontecendo lá longe e nunca vai me afetar”, explicaA história é contada a partir da perspectiva de uma família, das emoções e das decisões desesperadas que as pessoas tomam quando a prioridade é sobreviver. A protagonista da trama é a menina Sarat Chestnut, que tem apenas seis anos quando o terror da guerra invade sua casa. El Akkad nasceu no Egito e cresceu no Catar, antes de se mudar para o Canadá. Foi jornalista no The Globe and Mail, onde recebeu o National Newspaper Award por seu trabalho de investigação. Vive nos EUA.

Série apresenta novos nomes da cena literária portuguesa

9788556620804_frontcover1-8c5f0dcef6040315ed15024501379056-640-0A série Lusofonia, da Editora Jaguatirica, busca apresentar aos leitores brasileiros autores de língua portuguesa contemporâneos ainda não publicados por aqui. E começa logo com cinco lançamentos, com novos nomes da cena literária portuguesa. O romance Gnaisse, de Luís Carmelo, publicado em Lisboa pela Abysmo, que traz um professor apaixonado por uma aluna, é o primeiro de uma trilogia sobre o amor. Auto-retratos, também publicado pela Abysmo, traz poemas numerados em sequência de Paulo José Miranda, autor que também transita por outros gêneros literários. O amor e o tempo, publicado em Portugal pela Mosaico de Palavras, traz três contos do escritor e tradutor Albano Chaves.

9788556620828_frontcover1-5dbcdb9f3732205cc315016340656407-640-0Dois livros são inéditos, ambos de poesia: o volume Famosas últimas palavras, de Luís Filipe Cristóvão, o mais jovem dos autores da série; e Corvos cobras chacais, de António Carlos Cortez, versos em prosa que se assemelham a minicontos. As obras contaram com o apoio da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, do Governo de Portugal. O lançamento coincide com a comemoração do quinto aniversário da Jaguatirica e com o ano de fundação da Gato-Bravo, homóloga da editora em Portugal. A série Lusofonia terá outros lançamentos em 2018, entre eles o premiado Tragédia de Fidel Castro, de João Cerqueira, publicado em seis países.