Flip anuncia programação da Casa Amado e Saramago

Uma das novidades da 15ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Casa Amado e Saramago, que será instalada no centro histórico da cidade durante o evento, fruto de parceria entre a Fundação José Saramago e a Fundação Casa de Jorge Amado, vai oferecer uma ampla programação, com apresentações de livros, mesas redondas, concertos, sessões de leitura e exposições. A programação (ainda sujeita a alteração) é a seguinte:

27 de julho – Quinta-feira

10h – Abertura da Casa Amado e Saramago – Boas-vindas com um café português: abertura da exposição de fotos de Jorge Amado e José Saramago e da exposição de xilogravuras de J. Borges para o conto “O Lagarto”, por Sérgio Machado Letria, diretor da Fundação José Saramago

10h30 – Dois corações vermelhos  – Conversa entre Lilia Schwarcz, Paloma Amado e Pilar del Río sobre os universos literários, ideológicos e afetivos de Jorge Amado e José Saramago

15h – O sabor da palavra liberdade – Andrea Zamorano, autora de A Casa das Rosas, e José Eduardo Agualusa, de A Sociedade dos Sonhadores Involuntários, falam dos seus mais recentes livros – moderação de Francisco José Viegas

16h30 – Uma viagem até ao Alentejo de Peixoto e de Saramago – José Luís Peixoto, autor de Galveias, num passeio pelo espaço literário do Alentejo de Saramago, Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Manuel da Fonseca e Almeida Faria

18h – O que quer o que pode essa língua? – Uma conversa sobre as dificuldades de publicar em português do outro lado do Atlântico. Com Bárbara Bulhosa, Francisco José Viegas e Julia Bussius – moderação de Ricardo Viel

28 de julho – Sexta-feira

10h30 – Escreva e lute como uma mulher – Adelaide Ivanova e Djaimilia Pereira de Almeida conversam sobre literatura e feminismo nos dias de hoje – moderação de Schneider Carpegianni

15h – Revisitar os clássicos – Frederico Lourenço é entrevistado por Anabela Mota Ribeiro

15h – Em teu ventre – José Luís Peixoto conta o processo de construção do seu romance Em teu Ventre, sobre o fenómeno de Fátima, num encontro com o filósofo e historiador Lira Neto, autor de Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão

19h30 – Uma amizade em cartas – Apresentação do livro Com o mar por meio. Uma amizade em cartas – Jorge Amado e José Saramago. Com Paloma Amado, Pilar del Río e Luiz Schwarcz

21h – Antigamente aqui era o mar – A cantora Lívia Nestrovski e o guitarrista Fred Ferreira apresentam um concerto inspirado nas cartas e nos livros de Jorge Amado e José Saramago

29 de julho – Sábado

10h30 – O dever de exigir – Luiz Eduardo Soares, José António Pinto Ribeiro debatem sobre Direitos e Deveres Humanos na sociedade atual – moderação de Pilar del Río

15h – Invisível centena – Lançamento do catálogo Intelectuais Negras Visíveis. Com Giovana Xavier (UFRJ) e Janete Santos Ribeiro (ISERJ)

17h – O que se vê, o que se sente – Kiffer e Giovana Xavier numa conversa sobre racismo e empoderamento – moderação de Anabela Mota Ribeiro

19h – Como se fosse a casa – Ana Martins Marques e Eduardo Jorge, apresentação do livro de poemas “Como se fosse a casa”

2030h – Roçar a língua de Luís de Camões e de Pessoa – Sessão de leitura de poesia com vários autores

21h30 – Sobre o mar: Ondjaki e Marcello Magdaleno – Encerramento da casa com música e poesias(s) de Angola, Portugal e Brasil (com escrita ao vivo), e um copo de vinho português

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A Flip das mulheres

leilaPela primeira vez, a Festa Literária Internacional de Paraty terá mais mulheres do que homens em suas mesas. Serão 24 contra 22 em 22 mesas, incluindo a Flipinha, para crianças. Celebrando Lima Barreto (1881-1922), o evento também terá 30% de autores negros e foca na pluralidade de gêneros em que o homenageado exerceu o ofício – da reportagem ao romance, da crônica à memória e ao diário – e as questões que atravessaram sua obra – como a étnico-racial, a do artista como militante e a da etnografia da cidade. Durante a apresentação, nesta terça-feira, a curadora Joselia Aguiar destacou o novo olhar que imprimiu a esta edição. “Além de incluir mais mulheres, muitas mesas estão pensadas a partir do ponto de vista feminino”, disse. 

Destaque para a argentina Leila Guerriero (foto), um dos grandes nomes do jornalismo narrativo na América Latina ao preferir a periferia e os coadjuvantes, e não o centro e os protagonistas; o islandês Sjón, apontado como o grande romancista do norte europeu e letrista de sucesso em parcerias com Björk, indicado ao Oscar pela trilha do filme Dançando no Escuro (2000), de Lars von Trier; e o encontro inédito do jamaicano Marlon James e do americano Paul Beatty, dois autores negros que venceram, em dois anos consecutivos (2015 e 2016), o Man Booker Prize, o prêmio mais prestigioso da língua inglesa.

O evento apresentará uma série de intervenções poéticas intitulada Fruto Estranho, em que, individualmente e durante 15 minutos, seis autores vão se apresentar antes de seis mesas ao longo do programa. O nome da série remete à música imortalizada por Billie Holiday (Strange fruit) e ao fato de cada autor trabalhar com formas híbridas – combinações de poesia, fotografia, vídeo, performance, teatro. A convite da curadoria da Flip, o Grupo Intelectuais Negras UFRJ lançará em Paraty, durante a festa literária, a obra Intelectuais negras. Trata-se de um catálogo-portfólio que reúne informações biográficas e profissionais de mulheres negras atuantes em todo o Brasil. O lançamento ocorrerá dentro da programação da Casa Amado e Saramago, no sábado, dia 29/07. A Flip vai de 26 a 30 de julho. Confira a programação completa:

 

 

quarta-feira

  • 19h15 Mesa 1 – Sessão de abertura – Lima Barreto: triste visionário

Vida e obra de Lima Barreto são apresentadas nesta aula ilustrada, comparando o Brasil que viu em sua época e o futuro que previa, com leituras e imagens inéditas de uma nova biografia.

Lázaro Ramos

Lilia Schwarcz

dir.: Felipe Hirsch

 

quinta-feira

  • 10h território Flip | Flipinha – Mesa Zé Kleber: Aldeia

A convivência e a fruição do território que vêm de sabedorias ancestrais são os principais temas desse diálogo entre três pensadores líderes de suas comunidades – dois indígenas e uma quilombola – que têm cada vez mais ressonância em todo o país.

Álvaro Tukano

Laura Maria dos Santos

Ivanilde Kerexu Pereira

  • 12h Mesa 2: Arqueologia de um autor

Entre a paixão e a minúcia, recupera-se a obra dispersa de um autor à margem e se define o lugar de Lima Barreto entre os clássicos e no cânone afro-brasileiro, nesta conversa que soma história e crítica literária.

Beatriz Resende

Edimilson de Almeida Pereira

Felipe Botelho Corrêa

  • 15h Mesa 3: Pontos de fuga

[Fruto Estranho: Josely Vianna Baptista]

Três premiadas vozes da novíssima literatura em língua portuguesa falam de suas influências, técnicas e experiências: como lidam com a tradição e a renovam, seus modelos e perspectivas.

Carol Rodrigues

Djaimilia Pereira de Almeida

Natalia Borges Polesso

  • 17h15 Mesa 4: Fuks & Fux

A autoficção é um dos eixos deste diálogo, bem como as parcerias e rivalidades na história da literatura. Como pano de fundo, imigração, resistência, vanguarda francesa, matemática.

Julián Fuks

Jacques Fux

  • 19h15 Mesa 5: Odi et amo

[Fruto Estranho: Grace Passô]

A tradição greco-latina, seus mitos, poesia e narrativas, a Bíblia grega, a literatura e a cultura medieval: nesta conversa entre dois grandes tradutores do latim e do grego, tem-se uma breve história das ideias e dos sentimentos do Ocidente.

Frederico Lourenço

Guilherme Gontijo

  • 21h30 Mesa 6: Em nome da mãe

Histórias de guerras e de sobrevivência, de invenções e reconstruções artísticas a partir do ponto de vista feminino, no encontro entre uma brasileira filha de uma sobrevivente de Auschwitz e de uma ruandesa tutsi que perdeu a família no genocídio e é influenciada pela literatura do holocausto.

Noemi Jaffe

Scholastique Mukasonga

 

sexta-feira

  • 10h território Flip | Flipinha – A pele que habito

As identidades e as relações de cor nos países da lusofonia são o principal tema desta conversa, que parte da trajetória artística de um ator de sucesso no Brasil e uma jornalista portuguesa autora de premiado livro-documentário sobre o racismo em português.

Joana Gorjão Henriques

Lázaro Ramos

  • 12h Mesa 7: Moderno antes dos modernistas

A singularidade da linguagem de Lima Barreto é evidenciada a partir de sua aversão ao bacharelesco e da visão da arte como militância, na sua escrita para jornal e nos diários do hospício. No debate, são lembrados autores que foram seus contemporâneos e autores posteriores sob sua influência.

Antonio Arnoni Prado

Luciana Hidalgo

  • 15h Mesa 8: Subúrbio

[Fruto Estranho: Prisca Agustoni]

Uma visita aos lugares por onde Lima Barreto passou no Rio de Janeiro, com seus personagens de crônicas, contos e romances, seguindo a linha do trem e arrabaldes de ontem e hoje, a etnografia e a poética das ruas, a partir de dois olhares: o de uma especialista em sua obra e em literatura contemporânea e o de um historiador que entende de Ifá, encantados, samba e cultura popular carioca.

Beatriz Resende

Luiz Antonio Simas

  • 17h15 Mesa 9: Na contracorrente

A resistência feminina e os projetos realizados em campos periféricos da cultura e da ciência: neste encontro-depoimento, tem-se a trajetória de uma dos maiores nomes da arqueologia no mundo, a partir do Piauí, e de uma espanhola presidenta de uma instituição que tem como bandeiras a literatura em língua portuguesa, os direitos humanos e o meio-ambiente.

Niéde Guidon

Pilar del Río

  • 19h15 Mesa 10: A contrapelo

[Fruto Estranho: Ricardo Aleixo]

Uma escritora experimental chilena referência na crítica feminista e um refinado documentarista brasileiro, que contou a trajetória do poeta Wally Salomão e do pintor Leonilson, conversam sobre linguagens na fronteira e resistência artística.

Carlos Nader

Diamela Eltit

  • 21h30 Mesa 11: Por que escrevo

Um jornalista que cobriu conflitos na África e que, nas horas vagas, praticava obsessivamente o surf e fez dessa experiência um premiado livro de memórias se encontra com uma escritora nascida na África do Sul do apartheid: uma conversa sobre as diferentes motivações de um escritor e a entrega ao ofício.

Deborah Levy

William Finnegan

 

sábado

  • 10h território Flip | Flipinha – VOCO

Improvisações vocais entremeadas a poemas com interação do público. Sem se dar conta, as pessoas passam por uma série de procedimentos vocais extraídos tanto do contexto da música e da poesia experimentais quanto das práticas ritualísticas africanas e ameríndias. Efeitos eletrônicos, como os de pedais, são usados para a diversão das crianças.

Ricardo Aleixo

  • 12h Mesa 12: Foras de série

Personagens singulares da história e da literatura brasileiras, como ex-escravos que triunfaram e mulheres revolucionárias no Brasil do século 19, permeiam este debate sobre vozes dissonantes e as técnicas de pesquisa e escrita que reúne uma romancista e um historiador da escravidão – a invenção da liberdade até chegar ao período do pós-abolição de Lima Barreto.

Ana Miranda

João José Reis

  • 15h Mesa 13: Kanguei no Maiki – Peguei no microfone

[Fruto Estranho: Adelaide Ivánova]

O ativismo e a literatura — ao gosto de Lima Barreto —, a resistência e a liberdade: eis o pano de fundo da conversa entre um rapper que fez um diário da prisão em Angola quando foi preso com livros considerados subversivos e uma escritora que, entre indas e vindas ao exterior, se dedicou à educação popular no sertão durante a ditadura.

Luaty Beirão

Maria Valéria Rezende

  • 17h15 Mesa 14: Mar de histórias

Borges é o ponto comum entre os dois autores, um da Islândia e outro do Rio, que conversam sobre contos de fada, mitologias, narrativas antigas que viajam e surrealismo.

Alberto Mussa

Sjón

  • 19h15 Mesa 15: Trótski e os trópicos

[Fruto Estranho: André Vallias]

Os limites da ficção e da não ficção, os protagonistas e os coadjuvantes, o local e o global são os temas desta conversa entre um escritor viajante francês e uma jornalista que, baseada na Argentina, escreve para toda a América Latina.

Leila Guerriero

Patrick Deville

  • 21h30 Mesa 16: O grande romance americano

Dois autores de uma mesma editora independente venceram, em anos sucessivos, o mais prestigioso prêmio de língua inglesa, o Man Booker Prize (2015 e 2016). Esta conversa revelará em que medida renovam a tradição a partir do seus pontos de vista particulares, a de um americano negro e a de um jamaicano negro que migrou para os EUA, onde ambos lecionam escrita criativa.

Marlon James

Paul Beatty

  

domingo

  • 10h território Flip | Flipinha – Ler o mundo

Aprender a olhar e escutar pelos livros infantis: duas escritoras brasileiras e um poeta e escritor negro conversam sobre leitura e olhares que lançam ao mundo e levam a suas obras para esse público.

Ana Miranda

Edimilson de Almeida Pereira

Maria Valéria Rezende

  • 12h Mesa 17: Amadas

Ao refazer sua trajetória com imagens e leituras, Conceição Evaristo, em conversa com Ana Maria Gonçalves, presta um tributo a outras vozes femininas africanas e da diáspora negra, como Angela Davis, Audre Lorde, Carolina de Jesus, Josefina Herrera, Nina Simone, Noêmia de Sousa, Odete Semedo, Paulina Chiziane e Toni Morrison.

Ana Maria Gonçalves

Conceição Evaristo

  • 15h Mesa 18: Livro de cabeceira

Na sessão de despedida da Flip, conduzida tradicionalmente por Liz Calder, autores convidados leem trechos de seus livros prediletos.

Sul-africana radicada em Londres é mais um nome confirmado para a Flip

Deborah Levy 27.2.17A escritora Deborah Levy, sul-africana de Joanesburgo radicada em Londres que publica romance, teatro e poesia, está confirmada para a Festa Literária Internacional de Paraty, que será realizada de 26 a 30 de julho. Duas vezes nomeada ao Man Booker Prize,  ela tem sido apontada pela crítica literária londrina como parte de uma geração de autores brilhantes que vai ocupar a cena internacional na próxima década. Ela terá dois lançamentos no Brasil: Coisas que não quero saber (Autêntica), uma resposta aos ensaios de Por que escrevo, de George Orwell, e ao mesmo tempo um diálogo com Um teto todo seu, de Virginia Woolf; e Hot milk (Rocco), em que explora questões sobre identidade, exílio e deslocamento. Deborah Levy foi para a Inglaterra ainda criança, depois que o pai, o historiador Norman Levy, um judeu de origem lituana e membro do partido social-democrata African National Congress, que tinha sido preso devido à sua atuação política antiapartheid, foi libertado, ainda em regime de prisão domiciliar. Escreveu suas primeiras peças de teatro para a Royal Shakespeare Company. Em 1986, publicou Beautiful Mutants, primeiro dos seus seis romances, pelos quais recebeu diversos prêmios internacionais. A sugestão da escritora veio de Liz Calder, idealizadora da Flip. “Descobri então uma autora de fato muito inventiva. Vamos escutar suas reflexões sobre o que é escrever e seu processo criativo, sua trajetória como autora mulher em diversos gêneros e também sua experiência na África do Sul ainda no tempo do apartheid. Tudo isso nos interessa muito como leitores e leitoras neste momento”, disse a curadora, Joselia Aguiar.

Foto: Divulgação/ Sheila Burnett

 

Debates da Flip serão dentro da Igreja da Matriz

43537342195-925A Festa Literária Internacional de Paraty vai voltar a valorizar a Praça da Matriz, ponto central da cidade do sul fluminense. Não  haverá mais tenda dos autores e as mesas da programação principal serão realizadas dentro da Igreja da Matriz, patrimônio histórico nacional, local de forte identidade paratiense. O interior será adaptado e equipado com recursos cenográficos e técnicos que permitam ao público a manutenção do evento do jeito que ele é conhecido. Durante várias edições, as tendas do telão e dos autógrafos foram montadas ao lado da igreja, deixando somente a tenda principal para o espaço do outro lado do rio. Mas a Flip cresceu e acabou incorporando a nova orla de fora do centro histórico, melhorando o fluxo da cidade, com um alto número de visitantes nos cinco dias de festa, cerca de 10 mil pessoas. Para 2017, a programação será feita toda no entorno da Praça da Matriz. O telão, que passou a ser gratuito em 2014, será ampliado e contará com um palco, espaço de novos conceitos de mesas e apresentações. A 15ª edição da Flip será de 26 da 30 de julho. A curadoria é de Joselia Aguiar e o principal homenageado é Lima Barreto. Entre os convidados já confirmados estão Marlon James, Diamela Eltit, Scholastique Mukasonga, Luaty Beirão, Pilar del Río e Conceição Evaristo. A programação completa será anunciada na próxima terça-feira.

Flip vai celebrar Jorge Amado e José Saramago

A 15ª Festa Literária Internacional de Paraty vai destacar a literatura de países lusófonos e um dos eixos da programação, que vai de 26 a 30 de julho, é a Casa Amado e Saramago. Parceria entre a Fundação José Saramago, que está completando dez anos, e a Fundação Casa de Jorge Amado, com apoio do Ministério da Cultura de Portugal, o espaço terá uma exposição de fotografias dos dois autores e outra de xilogravuras que J. Borges fez para o livro O lagarto, de Saramago, além do lançamento de um livro inédito, ainda sem título, que reúne correspondências trocadas entre os escritores. A programa principal da Flip ainda a participação da jornalista e tradutora Pilar del Río, presidente da Fundação Saramago, viúva do autor português. O evento de Paraty contará ainda com dois angolanos, a jovem romancista Djaimilia Pereira de Almeida, que vive em Lisboa, e o rapper e ativista Luaty Beirão. Djaimilia surpreendeu o circuito literário lusófono com seu romance de estreia, Esse cabelo, que será lançado pela Leya durante a Flip. A partir da relação de uma garota negra com seu cabelo, o livro combina ficção, ensaio e memorialismo em uma discussão sobre cultura, identidade e pertencimento. Letrista, musicista e ativista político, Luaty Beirão chega ao Brasil junto com seu livro Sou eu então mais livre, então, pela Tinta-da-China, escrito durante os dias que passou como preso político numa prisão em Angola e fez greve de fome. Ele também lançará no Brasil, pelo selo Demônio Negro, Kanguei no maiki – a expressão, típica do linguajar da juventude angolana, quer dizer “peguei o microfone”.  O livro traz uma coletânea com letras que o autor, assinando como Ikonoklasta, compõe desde 1994.

Tradutor da Bíblia debate desafios da língua na Flip

Frederico Lourenço_crédito André NassifeTraduzindo a Bíblia, do grego antigo para a língua portuguesa, o professor, tradutor, ensaísta e ficcionista português Frederico Lourenço está lançando pela Companhia das Letras o primeiro dos seis volumes da empreitada e a edição brasileira de Livro aberto: Leituras da Bíblia (Oficina Raquel), coletânea de ensaios em que reflete sobre temas e passagens do livro sagrado à luz de sua importância para a cultura ocidental, indo além do tradicional olhar religioso sobre o assunto. Convidado da Festa Literária Internacional de Paraty, vai debater as possibilidades da tradução entre línguas separadas por séculos e os dilemas da condição humana que atravessam a cultura ocidental desde a Grécia Clássica até os dias de hoje, além de outros temas que permeiam todo o universo literário. Lourenço é autor de Pode um desejo imenso (primeira parte de uma trilogia que leva o mesmo nome, lançada posteriormente como volume único, que ainda inclui os romances O curso das estrelas e À beira do mundo); A formosa pintura do mundo, coletânea de contos ficcionais; e dois volumes autobiográficos, Amar não acaba A máquina do arcanjo. Pela tradução direta do grego antigo para o português de A Odisseia, de Homero, levou o Prêmio Dom Dinis da Casa de Mateus e também o Grande Prêmio da Associação Portuguesa de Tradutores. Publicou ainda coletâneas de ensaios sobre dança, cultura grega clássica e germanística, e livros de crônicas e poemas. A 15ª edição da Flip, com curadoria de Joselia Aguiar, homenageia Lima Barreto e já tem confirmados os nomes de Marlon James, Diamela Eltit, Scholastique Mukasonga, Lázaro Ramos, Lilia Schwarcz e Felipe Hirsch.

Foto: Divulgação/ André Nassife

Abertura da Flip terá Lázaro Ramos

 

Captura de Tela 2017-04-20 às 15.26.36Como acontece tradicionalmente na Festa Literária Internacional de Paraty, a mesa de abertura será uma celebração em torno do homenageado desta edição. Textos de Lima Barreto serão interpretados pelo ator Lázaro Ramos (foto), em uma apresentação criada pela historiadora Lilia Schwarcz, parte da pesquisa de mais de uma década que gerou a biografia Lima Barreto, triste visionário, que ela lança em junho. A direção de cena da sessão que abre a 15ª Flip, no dia 26 de julho, será de Felipe Hirsch. No ar atualmente com o programa Espelho, no Canal Brasil, no qual entrevista figuras de destaque na cultura e na intelectualidade afrobrasileiras, e como um dos protagonistas do seriado Mister Brau, na Rede Globo, Lázaro Ramos também vem encarnando no teatro o papel de Martin Luther King, na peça O topo da montanha. Na Flip 2017, o ator vai lançar o livro Na minha pele, no qual trata de sua trajetória como ator negro.