Coleção de novelas ganha mais dois títulos

Captura de Tela 2017-06-05 às 16.57.26A editora Grua lança mais dois títulos da coleção A arte da novela. O horlá, do francês Guy de Maupassant, traz um burguês que mora perto de Rouen, com vista para o Sena, narrando estranhos acontecimentos na forma de um diário. A edição apresenta pela primeira vez juntas em português as três versões da história: a versão final de 1887, que abre o volume, o texto de mesmo nome publicado um ano antes e o conto “Carta de um louco”, de 1885, evidenciando o longo caminho de criação que o escritor percorreu. Tradução de Sergio Flaksman. O outro lançamento é Na ilha de Falesá, do escocês Robert Louis Stevenson, tradução de Bernardo Ajzenberg, em que o aventureiro britânico Wiltshire conta a história que viveu na ilha para onde se mudou ao ser designado a ocupar um posto da empresa em que trabalhava. Originalmente censurado por sua editora britânica, o texto de Stevenson é ao mesmo tempo uma novela de ação e aventura e uma crítica mordaz ao colonialismo e ao imperialismo, trazendo à luz alguns temas sensíveis do século XIX: miscigenação, imperialismo e exploração econômica. Cada livro da coleção custa R$ 21,50. A editora tem uma promoção em seu site com os 20 títulos a R$ 345. Também é possível comprar 15 livros por R$ 260. Confira em http://www.grualivros.com.br/catalogo/a-arte-da-novela

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Martinho da Vila lança livro novo e abre série de debates sobre questões raciais

foto Martinho_LeoAversa-3.jpgO cantor, compositor e escritor Martinho da Vila, membro da Academia Carioca de Letras e autor de livros como Os lusófonosÓpera negra e Kizombas, andanças e festanças, lança na próxima segunda-feira na Livraria da Travessa do Leblon (Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – loja 205 A) seu 15º título, Conversas cariocas, (Malê), antologia de crônicas publicadas na imprensa ao longo de quatro anos. Fixando seu olhar a partir da Cidade Maravilhosa, Martinho observa as relações humanas e as mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais ocorridas no Brasil, em textos sobre vivências nas ruas do Rio, nas quadras das escolas de samba, em suas viagens pelo mundo e em seu refúgio em Duas Barras, cidade no interior do estado.

Capa Conversas CariocasO lançamento abre a série Encontros Malê na Travessa, que continua até quinta-feira, sempre às 19h. Os debates sobre questões raciais com escritores negros marcam o mês da abolição da escravatura no Brasil. O convidado de terça-feira, na Livraria da Travessa de Botafogo, é o jornalista, sociólogo, tradutor, professor e pesquisador da comunicação Muniz Sodré. Na quarta, é a vez da escritora e poeta Conceição Evaristo. O papo será na Biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil. A série termina com o ator e jornalista Ernesto Xavier, também na Travessa de Botafogo. Ele lança Senti na pele, projeto iniciado nas redes sociais, com depoimentos de vítimas do racismo.

Foto: Divulgação/ Leo Aversa

Romance discute relacionamentos femininos e questões de gênero com cultura pop

17776867_1645216435495068_1631965928_oA escritora e jornalista paulistana Cristina Judar lança seu primeiro romance, Oito do sete (Reformatório), com referências da cultura pop e do indie rock e reflexões sobre as mulheres contemporâneas e seus relacionamentos, sobre as pessoas LGBTs e as questões de gênero, sobre fé e estética, assim como sobre a cultura do consumo e a passagem do tempo. Marcado pela data 08/07, é estruturado em quatro partes/ personagens – as amantes Magda e Gloria, o anjo Serafim e a cidade de Roma – e traz um trabalho de linguagem que constitui uma das marcas da do trabalho da autora desde Roteiros para uma vida curta, livro de contos lançado há dois anos, que foi Menção Honrosa no Prêmio SESC de Literatura 2014. A sessão de autógrafos será nesta terça-feira, das 19h às 22h30, no UP Cozinha Bar (Rua Antonio Carlos, 395-A, esquina com a Rua Augusta -São Paulo).

Eventos marcam lançamento de roteiro de J.K. Rowling

Animais fantasticos_O roteiro originalDepois do sucesso nas telas, o roteiro de Animais fantásticos e onde habitam (Rocco) chega às prateleiras, como parte do novo programa de publicação do Mundo Bruxo de J.K. Rowling. Em edição de luxo, com capa dura, sobrecapa em papel couché e miolo em papel off-white, o livro, com tradução de Anna Vicentini, apresenta uma variedade de personagens e criaturas mágicas marca a estreia como roteirista para o cinema da autora da série Harry Potter. Rio de Janeiro (na Saraiva Rio Sul – Rua Lauro Müller, 116, Botafogo) e São Paulo (Saraiva Center Norte – Av. Casalbuono, 120, Vila Guilherme) terão eventos gratuitos para os fãs no dia 9 de abril, às 16h. Os eventos, com concurso de Cosplay, distribuição de brindes, quiz e outras atividades, serão conduzidas por representantes de fã-clubes, marcando também a chegada do filme em Blu-ray 3D, Blu-ray e DVD. Primeiro de uma franquia de cinco filmes, Animais fantásticos e onde habitam chegou aos cinemas em novembro passado, e recebeu em fevereiro deste ano o Oscar de Melhor Figurino.

Novo livro de Elena Ferrante chega este mês às livrarias brasileiras

capa_umamorincomodo_mainEnquanto não sai História da menina perdida, o último volume da tetralogia Napolitana (que segue A amiga genial, História do novo sobrenome e História de quem vai e de quem fica), Elena Ferrante tem mais um romance fora da série lançado por aqui. Um amor incômodo (Intrínseca), publicado em 2012, primeiro da misteriosa italiana que escreve com pseudônimo, chega até o dia 20 às livrarias brasileiras. Ela é autora também de A filha perdida e Dias de abandono, além do infantil Uma noite na praia. No novo romance, uma mulher retorna à cidade natal para enterrar a mãe, encontrada morta numa praia em circunstâncias suspeitas: a humilde costureira que se acostumou a esconder a beleza com peças simples e sem graça estava vestindo nada além de um sutiã caro e sofisticado no momento da morte. Uma série de telefonemas e encontros estranhos leva a revelações perturbadoras a respeito dos últimos dias da mãe. O cenário mais uma vez é Nápoles, cidade retratada na série famosa. A editora disponibilizou um trecho do livro. Confira:

“Minha mãe se afogou na noite de 23 de maio, dia do meu aniversário, no mar de um lugar chamado Spaccavento, a poucos quilômetros de Minturno. Precisamente naquela área, no final dos anos cinquenta, quando meu pai ainda morava conosco, alugávamos no verão um quarto em uma casa de temporada e passávamos o mês de julho dormindo os cinco em poucos metros quadrados escaldantes. Toda manhã, nós, meninas, comíamos ovos crus, partíamos rumo à praia por trilhas de terra e areia ladeadas por juncos altos e íamos tomar banho de mar. Na noite em que minha mãe morreu, a dona da casa, que se chamava Rosa e já tinha mais de setenta anos, ouviu alguém bater à porta, mas não abriu temendo ladrões e assassinos.

Minha mãe pegara o trem para Roma dois dias antes, em 21 de maio, mas nunca havia chegado. Nos últimos tempos, vinha ficar comigo durante alguns dias pelo menos uma vez por mês. Eu não gostava de ouvi-la pela casa. Ela acordava ao raiar do dia e, seguindo seus hábitos, lustrava de cima a baixo a cozinha e a sala de estar. Eu tentava voltar a dormir, mas não conseguia: enrijecida entre os lençóis, eu tinha a impressão de que, enquanto ela se ocupava, meu corpo era transformado no de uma menina enrugada. Quando chegava com o café, eu me encolhia em um canto para evitar que ela tocasse em mim ao se sentar na beirada da cama. A sociabilidade dela me incomodava: saía para fazer compras e se enturmava com os comerciantes com os quais, em dez anos, eu não havia trocado mais do que duas palavras; ia passear pela cidade com alguns conhecidos ocasionais; fazia amizade com meus amigos, aos quais contava histórias de sua vida, sempre as mesmas. Com ela, eu só sabia ser contida e insincera.

Voltava para Nápoles ao meu primeiro sinal de intolerância. Recolhia suas coisas, dava uma última arrumada na casa e prometia que logo retornaria. Eu andava pelos cômodos rearrumando ao meu gosto tudo o que ela havia disposto ao gosto dela. Retornava o saleiro ao compartimento no qual eu o guardava havia anos, devolvia o detergente ao lugar que sempre me pareceu mais adequado, bagunçava sua ordem dentro das minhas gavetas, devolvia ao caos o aposento onde eu trabalhava. Também o cheiro da sua presença — um perfume que deixava a casa com uma sensação de inquietude — passava depois de um tempo, como o de uma rápida chuva de verão.

Muitas vezes, ela perdia o trem. Geralmente chegava no trem posterior, ou até mesmo no dia seguinte, mas eu não conseguia me acostumar a isso e ficava preocupada do mesmo jeito. Ligava para ela, aflita. Quando finalmente ouvia sua voz, a repreendia com certa dureza: como assim não havia partido, por que não me avisara? Ela se justificava sem empenho, questionando em tom divertido o que eu achava que poderia acontecer na sua idade. “De tudo”, eu respondia. Sempre imaginei uma trama de emboscadas tecida de propósito para fazê-la sumir do mundo. Quando criança, enquanto ela estava fora, eu a esperava na cozinha, atrás da janela. Ficava ansiosa esperando ela reaparecer no fim da rua, como uma figura em uma bola de cristal. Eu respirava junto ao vidro, embaçando-o, para não ver a rua sem ela. Se demorava, a ansiedade se tornava tão irrefreável que transbordava em tremores no meu corpo. Então, eu fugia para um quartinho de despejo sem janelas e sem luz elétrica, bem ao lado do quarto dela e do meu pai, fechava a porta e ficava no escuro, chorando em silêncio. O cômodo funcionava como um antídoto eficaz. Inspirava-me um terror que mantinha sob controle a ansiedade em relação ao destino da minha mãe. No breu sufocante por causa do cheiro do pesticida eu era agredida por formas coloridas que lambiam por poucos segundos as minhas pupilas, deixando-me sem fôlego. “Quando voltar, mato você”, eu pensava, como se tivesse sido ela a me deixar fechada ali dentro. Mas, assim que eu ouvia sua voz no corredor, esgueirava-me para fora rapidamente e ficava rodeando-a com indiferença. Voltou-me à mente aquele quartinho de despejo quando descobri que ela partira no horário correto, mas ainda não havia chegado.

À noite, recebi o primeiro telefonema. Minha mãe disse com um tom tranquilo que não podia me contar nada: havia um homem com ela que a impedia de fazer isso. Depois, começou a rir e desligou. Na hora, prevaleceu a perplexidade. Achei que estava brincando e me resignei a esperar por um segundo telefonema. Deixei as horas passarem em conjecturas, sentada inutilmente ao lado do telefone. Só após a meia-noite procurei um amigo policial, que foi muito gentil: disse para eu não me preocupar, ele cuidaria de tudo. Mas a noite passou sem notícias da minha mãe. De concreto, havia apenas sua partida: a sra. De Riso, uma vizinha viúva da mesma idade dela com a qual minha mãe alternava havia quinze anos períodos de boa vizinhança e de inimizade, disse-me ao telefone que a acompanhara à estação. Enquanto minha mãe estava na fila da bilheteria, a viúva comprara para ela uma garrafa de água mineral e uma revista. O trem estava lotado, mas, mesmo assim, minha mãe encontrara um lugar à janela em um vagão abarrotado de militares de licença. Despediram-se, recomendando-se que se cuidassem. Como ela estava vestida? Como de costume, com as roupas que usava havia anos: saia e blazer azul-escuros, uma bolsinha de couro preto, velhos sapatos de salto médio, uma maleta surrada.

Às sete da manhã, minha mãe telefonou outra vez. Embora eu a tivesse bombardeado de perguntas (“Onde você está? De onde está ligando? Quem está com você?”), ela se limitou a desfiar em voz muito alta uma série de expressões obscenas em dialeto, enunciando-as com prazer. Depois desligou. Aquelas obscenidades me causaram uma regressão desorientadora. Liguei novamente para o meu amigo, surpreendendo-o com uma mistura confusa de italiano e expressões dialetais. Ele quis saber se minha mãe andava particularmente deprimida nos últimos tempos. Eu não sabia. Admiti que ela não era mais como antigamente: tranquila, pacatamente divertida. Ria sem motivo, falava demais; porém, os idosos muitas vezes fazem isso. Meu amigo concordou: acontecia com frequência que os velhos, ao primeiro sinal de calor, fizessem coisas estranhas. Não havia motivo para preocupação. Mas eu continuei a me preocupar e percorri a cidade de cima a baixo, procurando sobretudo nos lugares em que eu sabia que ela gostava de passear.

O terceiro telefonema foi às dez da noite. Minha mãe falou confusamente de um homem que a seguia para levá-la embora enrolada em um tapete. Pediu que eu fosse correndo ajudá-la. Supliquei que me dissesse onde estava. Ela mudou de tom, respondeu que era melhor não. “Tranque-se, não abra a porta para ninguém”, alertou. Aquele homem queria fazer mal a mim também. Depois, acrescentou: “Vá dormir. Agora vou tomar banho.” Não se ouviu mais nada.

No dia seguinte, dois rapazes viram o corpo de minha mãe boiando a poucos metros da praia. Vestia apenas o sutiã. A mala não foi encontrada. O tailleur azul-escuro não foi encontrado. Não foram encontrados nem mesmo a calcinha, as meias, os sapatos, a bolsinha com os documentos. Mas, no dedo, estavam o anel de noivado e a aliança. Nas orelhas, os brincos que meu pai lhe dera de presente meio século antes.

Vi o corpo e, diante daquele objeto lívido, senti que talvez devesse me agarrar a ele para não acabar sei lá onde. Não fora violado. Apresentava apenas algumas equimoses causadas pelas ondas, bastante suaves, aliás, que o empurraram durante toda a noite contra algumas rochas na superfície da água. Em volta dos olhos, pareceu-me haver traços de maquiagem pesada. Observei longamente, com incômodo, as pernas morenas, extraordinariamente jovens para uma mulher de sessenta e três anos. Com o mesmo incômodo, percebi que o sutiã nada tinha em comum com aqueles bastante gastos que ela costumava usar. As taças eram de renda fina e mostravam os mamilos. Eram unidas por três Vs bordados, a assinatura da loja das irmãs Vossi, uma marca napolitana cara de lingerie para senhoras. Quando o devolveram para mim, com os brincos e os anéis, cheirei-o por muito tempo. Tinha o forte aroma de tecido novo.”

Coleção resgata clássicos da literatura estrangeira

img_6448A Nova Fronteira iniciou uma coleção que resgata grandes obras de autores estrangeiros de seu catálogo, em edições de luxo e capas assinadas por Victor Burton. A Clássicos de Ouro terá 22 títulos, que serão lançados ao longo do ano. Os quatro primeiros já estão disponíveis nas livrarias: Memórias de uma moça bem-comportada, de Simone de Beauvoir; História do pensamento ocidental, de Bertrand Russell; Como vejo o mundo, de Albert Einstein; e Retrato do artista quando jovem, de James Joyce. Um dos fundadores do Modernismo, o livro de Joyce é referência para escritores de todo o mundo. Einstein reúne textos escritos entre 1930 e 1935 sobre temas como o respeito às minorias, desarmamento e a relação entre religião e ciência. A obra de Russell, Nobel de Literatura de 1950, acompanha o desenvolvimento histórico da filosofia. O livro de Simone de Beauvoir , há oito anos fora do mercado, é uma autobiografia de um dos ícones do feminismo. A lista conta ainda com Günter Grass, Edgar Allan Poe e Adam Smith, entre outros.

Anuário da Aeilij já está no ar

captura-de-tela-2017-02-01-as-16-31-08O Anuário 2017 da AEILIJ, a Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, acaba de ser lançado. A publicação pode ser visualizada no ISSUU, em formato de revista eletrônica, no endereço http://issuu.com/aeilij/docs/2017_anuario_aeilij. Quem preferir fazer o download , basta clicar em http://www.aeilij.org.br/_artigos/2017_anuario_aeilij.pdf. Além de reunir as obras que foram lançadas no ano passado pelos associados, o anuário relembra o trabalho feito pelos ilustradores no Ninho de Livros, traz uma linha do tempo com tudo o que foi feito pela Aeilij ao longo de 2016 (incluindo a festa que apresentou a nova sede) e traz uma entrevista com Ninfa Parreiras.