Os livros da vida de Ronaldo Bressane

Yo+PB_Rafael+RoncatoEscritor, jornalista e professor de escrita criativa, Ronaldo Bressane é autor de livros de vários gêneros – contos, poesia, romance e infantojuvenil. Recentemente, lançou Escalpo (Reformatório), romance sobre um desenhista em crise que empreende uma jornada por várias cidades, que foi escrito durante a primeira residência literária do Sesc em Paraty. Aqui, ele fala sobre suas leituras marcantes.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

RB – Dizem que não se lê um livro pela capa, o que é um lugar tão comum quanto mentiroso. Só uma pessoa muito superficial não se fia pelas aparências, já dizia Oscar Wilde. Portanto aquele livro de capa preta em que um personagem com pique de mago ou bruxo olhava ameaçadoramente para mim ao lado de seu gato – tudo isso sob as inscrições góticas em dourado Histórias extraordinárias – só podia ser bom. E, do alto das minhas espinhas de adolescente, eu vi que era bom. Até hoje releio todo ano a antologia de contos de Poe, pra ver se descubro algum mistério escondido (sempre descubro). Além de me ensinar todas as mumunhas do conto, da ficção de terror, da policial e da ficção científica, Poe me ensinou que as aparências nunca enganam.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

RB – Não dá pra dizer isso, porque afinal eu vivi 47 anos até agora, 44 deles lendo todo tipo de coisa, e a cada momento sendo jogado pra uma direção diferente. O Poe aí em cima foi um deles, aos 12, daí aos 15 teve os contos do Kafka, aos 18 os poemas do Baudelaire, aos 20 a obra do Drummond e de Mark Strand, depois vieram As armas secretas do Cortázar, as Ficções do Borges, as putarias de Hilst, Roth, Bataille e Miller, os androides do Philip K. Dick, os mutantes do Agrippino, os alumbramentos da Clarice e do Braga, os andarilhos do Noll, as mulheres do Sérgio Sant’Anna, lá pelos 30 os detetives do Bolaño… Não posso dizer que teve um livro que mudou minha vida, a cada dia posso pensar num nome.  Mas vou chutar um, nem tão canônico assim: Vastas emoções e pensamentos imperfeitos. Não é o melhor Rubem Fonseca, mas foi o primeiro que li dele, e um livro que me deu uma dica de como a beleza e a violência podem coexistir em uma escrita límpida e surpreendente.

SM – O que você está lendo agora?

RB – Leio muita coisa ao mesmo tempo e muita coisa eu sequer termino, dependendo da programação da Netflix. As últimas coisas que me impressionaram foram As coisas que perdemos no fogo, de Mariana Enríquez, O palácio da memória, do Nate DiMeo, e Morri por educação, da Nathalie Lourenço, três grandes contistas, e o romance Receita para se fazer um monstro, do Mário Rodrigues. Ontem terminei A coisa mais próxima da vida, de James Wood, excelente. No momento estou lendo os últimos do Sérgio Sant’Anna (Anjo noturno) e do Joca Terron (Noite dentro da noite: uma autobiografia); Zero K, do Don DeLillo; Acerto de contas (uma antologia de ficção latino-americana); Câmera lenta, da Marilia Garcia; e, para tirar ideias pro meu laboratório de ficções breves, reli Final do jogo, do Cortázar. Mas semana que vem tudo pode mudar…

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Os livros da vida de Heloisa Prieto

10608699_852415774769947_3564972013852424074_oEscritora, pesquisadora e tradutora, com mestrado em comunicação e semiótica, e doutorado em teoria literária, Heloisa Prieto tem mais de 70 livros, vários deles premiados. Os mais recentes são O guardião da floresta e outras histórias que você já conhece (Brinque Book), o quarto em parceria com a ilustradora Laurabeatriz, e Os castelos de Celeste (Bamzoozinho), ilustrado por Florence Breton. Aqui ela fala sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

HP – O primeiro livro marcante foi uma antologia de contos portugueses, da Vecchi. Ela me ofereceu a história da princesa que não queria aprender a ler, que mais tarde, já adulta, pude recontar.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

HP – O livro que mais marcou minha vida foi Tao Te king, de Lao Tse.

SM – O que você está lendo agora?

HP – Agora estou lendo Ireland´s wild plants, de Niall Mac Coitir, um livro sobre as plantas silvestres da Irlanda, seus mitos, lendas e folclore. Ele tem lindas ilustrações, é uma maravilha.

Os livros da vida de Sofia Silva

sofiaCom mais de um milhão de visualizações no Wattpad e mais de 700 mil leituras no Kindle Unlimited da Amazon, a jovem escritora portuguesa Sofia Silva vem lançar Sorrisos quebrados (Valentina) na Bienal do Livro Rio. Ela participa do evento neste sábado, às 11h, no Encontro com Autores, e depois autografa o livro na Praça Copacabana do Riocentro, das 15h às 18h. Nos dias 7 e 10, faz novas sessões de autógrafos no estande da editora, no pavilhão Azul, E18. O público paulista vai vê-la já nesta quarta-feira, na Saraiva do Shopping Center Norte (Travessa Casalbuono, 120), das 18h às 22h. O livro, que aborda temas como violência doméstica, depressão, deficiência física e abuso sexual, faz parte da série Quebrados, que reúne ainda outros três títulos. Corações quebrados será publicado pela Valentina em 2018. Aqui, Sofia fala sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

SS – A série Uma Aventura, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Livros infantis sobre as aventuras de cinco jovens por diversos lugares. 

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

SS – É complicado quando foram tantas as boas leituras, mas A lua de Joana, da Maria Teresa Maia Gonzalez, que retrata a vida de jovens e as consequências da toxicodependência, foi a minha primeira leitura de adolescente e o momento em que percebi o poder de uma história.

SM – O que você está lendo agora?

SS – Estou a reler Sozinhos na ilha, da autora Tracey Garvis-Graves.

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Os livros da vida de Leticia Sardenberg

IMG_4040É inverno todo o tempo no peito do protagonista de Coração de inverno, coração de verão (Zit), novo livro de Leticia Sardenberg, que trata do luto. A saudade do pai e da mãe espantaram qualquer resquício de primavera, outono ou verão do coração ainda pequeno do garoto, que só vê tristeza profunda, até que embarca numa viagem em busca de alguém que possa transformar essa paisagem. As ilustrações são de Alexandre Rampazo, que já assinou a arte de mais de 50 obras para crianças e jovens, e também escreveu algumas delas. Autora de Eu, meu cachorro e meus pais separados, que vendeu mais de 100 mil exemplares, Leticia conta aqui um pouco das leituras que marcaram sua vida.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

LS – Acho que o primeiro livro do qual tenho lembrança é Ou isto ou aquilo, da maravilhosa Cecília Meireles. Este livro teve um impacto muito forte na minha vida e na da minha irmã. Nós o líamos sozinhas, acompanhadas, em silêncio, em voz alta. A magia da literatura, sob a forma de poema, com sua musicalidade, delicadeza e poder de encantamento, está magistralmente eternizada neste livro.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

LS – Nossa, que pergunta dificílima! Não posso escolher apenas um, porque os livros que leio estão marcando minha vida de maneira indelével, e me transformando continuamente. Mas posso dizer que O menino do dedo verde, de Maurice Druon, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, O diário de Anne Frank, de Anne Frank, e Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez, me representam bem.

SM – O que você está lendo agora?

LS – Estou lendo Antes que aconteça, da Juliana Parrini, autora brasileira contemporânea, e Depois de você, da autora inglesa Jojo Moyes, também contemporânea. Ambas maravilhosas. Relendo Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós.

Foto: Divulgação/ Rodrigo Molina

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Os livros da vida de Ana Paula Maia

iA94pu0Sd3MBHNycwDOGzD3f7l4fCm86eI00Hizix7ka3qFVmZuAIQ397Z1ybtEYUpBBOcoMEaPnIyZ3Escritora e roteirista, Ana Paula Maia está lançando seu sexto romance, Assim na terra como embaixo da terra (Record). Sua literatura traz personagens que vivem realidades que em geral preferimos não enxergar, em narrativas que mostram de forma crua as sutilezas do dia a dia que eles carregam, em abatedouros, carvoarias, crematórios e aterros sanitários. Dessa vez, o cenário é uma colônia penal em vias de desativação. Aqui, ela fala um pouco sobre suas leituras marcantes.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

APM – Foi ainda na infância. A minha coleção de contos infantis. O meu favorito era “A chapeuzinho vermelho”, foi o que eu mais lia. E outra coleção de livros grandes das princesas: Branca de Neve, A Bela adormecida, Cinderella e Rapunzel. E eu tinha uma outra coleção de histórias não famosas e o que mais me marcou foi um conto em que a Morte era um personagem e levava a avó a menina, protagonista da história. Era bem triste.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

APM – Viagem ao centro da terra, de Julio Verne; “Noites brancas”, um conto de Dostoievski; O apanhador no campo de centeio, do J.D. Salinger; e O púcaro búlgaro, de Campos de Carvalho. Admito que há outros livros que me marcaram. Foram muitos. Sem contar os textos teatrais de Nelson Rodrigues.​

SM – O que você está lendo agora?

APM – Agora estou lendo duas escritoras argentinas: Siete casas vacias,  de Samantha Schweblin; e Los peligros de fumar en la cama, de Mariana Enriquez.

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Os livros da vida de Carpinejar

Carpinejar (11)Autor de mais de 40 livros de vários gêneros, com mais de 20 prêmios literários, comentarista de TV e colunista de jornais, Fabrício Carpinejar está lançando um novo volume de crônicas, Amizade é também amor (Betrand Brasil). O livro traz 122 textos, com reflexões de lições da infância como o banho de caneca ou os cadernos encapados pela mãe no início das aulas, à diferença que faz um ombro amigo para atravessar a fossa amorosa. “Comemoramos aniversário de namoro e de casamento e jamais lembramos de quando uma amizade nasceu”, diz ele, que inclui ainda duas crônicas emocionantes sobre a tragédia com o time da Chapecoense na Colômbia. Aqui, ele fala sobre suas leitura marcantes – e peculiares.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

C – A divina comédia, de Dante Alighieri, um livro dificílimo para uma criança. Eu tentava me apoiar nas gravuras de Gustave Doré,  da edição da Abril Cultural, para entender aquele inferno, os círculos… Eu desenhei os círculos do inferno na infância. Depois, foi muito Monteiro Lobato. A gente ainda tem a coleção que foi folheada, rabiscada, demolida pelos quatro irmãos.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

C – Vou falar um autor que está vivo e não é devidamente reconhecido, que é Vicente Franz Cecim, que me marcou muito. É um escritor da Amazônia, filosófico, reflexivo, enigmático, que cria lendas, uma espécie de Juan Rulfo de Belém do Pará. Li Os animais da terra, mas ele tem vários outros livros, como Silencioso como o paraísoÓ Serdespanto K O escuro da semente.

SM – O que você está lendo agora?

C – A biografia de Philip Roth (Roth libertado — Um escritor e seus livros, escrita por Claudia Roth Pierpont) e Múltipla escolha, de um cara que eu gosto muito, o chileno Alejandro Zambra. Me encontrei com ele na Flip e acho que li todos os livros dele que foram publicados aqui, Bonsai, Formas de voltar para casa, Meus documentos… Esse Múltipla escolha é como se fosse um vestibular para adultos.

Os livros da vida de Livia Garcia-Roza

Captura de Tela 2017-04-11 às 10.05.04Em seu novo romance, Meus queridos estranhos (Companhia das Letras), Livia Garcia-Roza investiga os dilemas de uma mulher após uma inesperada separação. Além de tentar entender os motivos do fim do casamento, a protagonista precisa lidar com a filha adolescente e as inseguranças de um novo amor. Psicanalista por 30 anos, Livia estreou na ficção com Quarto de menina, em 1995. De lá pra cá lançou vários romances, entre eles Meu marido e Milamor. Aqui, ela faz uma rápida revisão das leituras que a marcaram.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

LGR – Da minha infância o primeiro livro que me vem à lembrança é o de João Felpudo ou histórias divertidas com desenhos cômicos, do dr. Heinrich Hoffmann.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

LGR – Na sequência, o livro que mais me marcou foi O amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence.

SM – O que você está lendo agora?

LGR – Estou lendo atualmente a obra de Campos de Carvalho.