Os livros da vida de “Oliver Rei”

Oliver Rei

Em sete meses, ele teve a primeira parte de seu romance Um segredo vulgar baixada 20 mil vezes, se tornando o sétimo título mais pedido gratuitamente no Google Play Brasil no gênero literatura erótica. O livro sobre uma apimentada brincadeira a três, que começou a ser publicado pela Bibliomundi, plataforma de autopublicação de e-books, ganhou uma segunda parte por apenas R$ 1 e a terceira e última custando R$ 3,50. Quem seria Oliver Rei, 30 anos, um brasiliense que se esconde atrás de um pseudônimo? Aqui, ele conta um pouco sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

OR – Minhas primeiras leituras foram as histórias em quadrinhos. Lembro-me quando a minha mãe comprava revistinhas da Turma da Mônica ou do Tio Patinhas e eu as levava para tudo quanto é lugar, imaginando “viver” entre os personagens, suas aventuras e os diálogos. Eu era um “pequeno viciado”, tanto que eu tinha uma caixa de papelão com os meus “tesouros”, lendo e relendo, revistas em bancas de jornais, sempre procurando as edições que eu não tinha. Como eu não sou lá muito bom de memória, a minha outra lembrança são os livros “Para gostar de ler” nos tempos de colégio. Eu era fascinado por esses livros. Não sei se li todos, mas a cada volume eu procurava os livros dos autores e continuava a ler contos, crônicas, histórias de detetive, de humor, de autores estrangeiros, enfim, fui conhecendo vários nomes e me tornando fã de alguns cronistas e contistas.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

OR – Olha, eu nunca pensei em ser escritor. Ou seja, eu não “nasci” com esse “dom” e nem pensava nisso como “profissão” ou futuro quando era criança ou adolescente. A verdade é que eu sempre fui um leitor e nunca houve um “sonho” em escrever um livro ou ser o escritor, até eu conhecer os livros de Martha Medeiros, Charles Bukowski, Nelson Rodrigues e suas biografias, assim como de vários outros escritores, como Balzac, Salinger, Poe, Jane Austen, Saramago, Vargas Llosa, Dostoiévski e outros tantos. Percebi, lendo, principalmente os três primeiros autores, que eu tenho vontade de criar mundos e histórias, personagens que tornam-se reais, de escrever para o entretenimento, para a mais pura diversão, ou seja, eu quero “tirar” da realidade, dura e cruel, quem lê meus livros.

SM – O que você está lendo agora?

OR – Então. Alguns poucos livros ao mesmo tempo. Livros que “ensinam” a escrever, tais como: Sobre a escrita, de Stephen King, Grande Magia, de Elizabeth Gilbert, Palavra por palavra, de Anne Lamott, A bíblia do escritor, de Alexandre Lobão, e Escrever melhor, de Dad Squarisi. Para, abrir a mente, A sutil arte de ligar o foda-se (de Mark Manson) e para relaxar em alguma fila, A vida como ela é, de Nelson Rodrigues.

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Os livros da vida de Cesar Cardoso

Foto Cesar Cardoso (2)O carioca Cesar Cardoso lançou recentemente seu terceiro livro, Urubus em círculos cada vez mais próximos (Oito e Meio), uma reunião de histórias curtas, certeiras e divertidas. Ele é autor também de vários infantis, como O gigante do Maracanã, selecionado para o catálogo da prestigiada Feira de Bolonha, e títulos de poesia e humor – é roteirista de programas de TV do gênero, atualmente do Zorra. Aqui, ele conta um pouco sobre os autores que mais gosta e sobre as leituras que o marcaram.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

CC – Meu avô foi meu primeiro livro, me contando histórias que ele inventava ou histórias de reis e rainhas da terra dele, Portugal. Depois aprendi a ler e descobri uns objetos de um palmo de altura chamados livros. E eles estavam cheios de histórias como as que meu avô me contava. Na minha casa havia um armário embutido cheio de livros. Adorava abrir aquelas portas e sentir o cheiro do papel. Meu pai tinha uma coleção, de sua infância, chamada O Tesouro da Juventude, cheia de fábulas, poemas, histórias do mundo e dos mundos inventados. E nessa estante eu também descobri os livros de Monteiro Lobato. E me encantei. Até hoje releio.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

CC – É difícil destacar um livro. Posso destacar alguns autores. Dalton Trevisan, Sergio Sant’Anna, Jacques Prévert, é uma longa lista. Mas quando eu fiz vestibular, em 1973, tive a sorte de ter como leitura obrigatória as obras completas de Drummond e Bandeira: Reunião e Estrela da vida inteira. Essas leituras marcaram a minha escolha por fazer Letras e ser escritor. Portanto, marcaram a minha vida. São livros que estou sempre relendo. Como disse Bandeira:

Vi terras da minha terra.

Por outras terras andei.

Mas o que ficou marcado

No meu olhar fatigado,

Foram terras que inventei.  

SM – O que você está lendo agora?

CC – Gosto sempre de ler mais de um livro ao mesmo tempo. Na prosa, estou acabando de ler Não está mais aqui quem falou, da Noemi Jaffe, que já começa bem pelo título. Li e estou relendo Alfabeto escalafobético – um abecedário poético, texto de Claudio Fragata e ilustrações de Raquel Matsushita, um livro belíssimo, que ganhou o Prêmio Jabuti em 2014. E Pura anarquia, reunião de textos do Woody Allen. Por fim, fui ver uma exposição de quatro fotógrafos soviéticos, retratando o país no período de 1950 a 2000, mais ou menos. Lá pelo final havia uma foto de uma mulher bem velha e muito magra, com um olhar que me chamou atenção. Vi que se tratava de Lilja Brik, a grande paixão do poeta Vladimir Maiakovski. Então peguei para reler uma obra fantástica que tenho há muito tempo, chamada Cartas de amor a Lilja Brik, do Maiakovski.

Os livros da vida de Sandra Ronca

27294727_10213938262788817_2078586265_nA escritora e ilustradora Sandra Ronca tem 24 livros publicados, sendo sete como autora do texto. Em 2011, foi estudar ilustração na Itália, terra de seus pais e fundamental para seus primeiros passos na literatura. Seu livro mais recente é tenHo Um amiGO, lindo projeto inspirado no filho que se foi com apenas 12 anos de idade – o título destaca o nome dele nas maiúsculas. Além do texto, que resgata momentos e ideias do menino legal, esperto, que adorava ler e sabia guardar segredos, na definição do próprio Hugo Ronca Cavalcanti, a publicação é ilustrada com desenhos dele – autor também da foto de Sandra, reproduzida nesta entrevista sobre as leituras que marcaram sua vida.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

SR – Não lembrava do nome do livro e sim, do conteúdo. Até que o encontrei na casa dos meus pais: Il prestigiatore verde. É esse aí (abaixo), cheio de fitas adesivas sustentando as muitas janelas que se abriam. Foi uma alegria descobrir que seu autor é Bruno Munari, uma referência ainda super atual para o pessoal da área de design e ilustração, entre outras artes. Muito importante e da mesma época foi a coleção de clássicos que recebíamos pelo correio, Fiabe sonore, um volume por vez, vinda da Itália. Meus pais são italianos e, dessa forma, nos introduzimos à literatura e ao idioma italiano. Havia a expectativa, a alegria da chegada e a leitura compartilhada que com certeza foi importante na minha formação. A coleção era similar à Conte outra vez, que foi lançada no Brasil muitos anos depois. A italiana tinha mais volumes (quarenta) e acompanhávamos as histórias pelos discos de vinil de 45 rotações.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

SR – São várias fases diferentes. Não me lembro especificamente de um. Provavelmente, após a postagem, surgirá algum “como posso ter esquecido deste?” Na infância, dentre os clássicos: O lobo e os sete cabritinhos. Depois, Memórias de um cabo de vassoura, de Orígenes Lessa; O menino do dedo verde, de Maurice Druon; e Uma rua como aquela, de Lucília Junqueira de Almeida Prado. Na adolescência, vários livros de Agatha Christie. Lembro também de um livro que me marcou muito, pois mostrava outra realidade do Brasil à época da ditadura, Seis dias no porão da humanidade, de Carlos Mesters. Eu estudava em igreja católica, e foi um problema para a freira que nos indicou. Nessa travessia, houve também O conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas; Admirável mundo novo, de Aldous Huxley; Kundu, de Morris West; A bolsa amarela, de Lygia Bojunga. Dos mais recentes, me marcaram Diário da montanha, de Roseana Murray; O vendedor de passados, de José Eduardo Agualusa; e vários livros da Clarissa Pinkola Estés, que dialogam muito com meu momento atual, em que estou me formando em Arteterapia.

SM – O que você está lendo agora?

SR – Como são livros que permitem esse navegar ora por um, ora por outro: Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés; Toda poesia, de Leminski; e O príncipe feliz e outros contos, de Oscar Wilde. Meu ritmo é lento e minha lista interminável. Intercalo também com livros teóricos de abordagem junguiana e maravilhosos livros de literatura dita infantil; com estes estou sempre em namoro.

Os livros da vida de Cristina Peri Rossi

Barcelona (78 ND)Considerada uma das mais importantes escritoras em língua espanhola da atualidade, a premiada uruguaia Cristina Peri Rossi é tem livros de poesia, contos, crônicas, romances e artigos jornalísticos traduzidos para mais de 15 idiomas, mas ainda não tinha sido lançada no Brasil. O volume de contos Espaços íntimos (Gradiva), vencedor do Prêmio Internacional de Relatos Mario Vargas Llosa (2010), chega para apresentar um pouco de sua obra por aqui. As dez histórias curtas integram a coleção Enquanto Conto, que reúne autores cujas obras possibilitem elos inquietantes entre a ficção e a realidade. Grande amiga de Julio Cortázar, Cristina foi proibida de publicar em seu país e se exilou na Espanha. Em seus escritos militou contra as ditaduras uruguaia e a favor do feminismo e dos direitos dos homossexuais. Conhecedora da língua portuguesa, é tradutora de Clarice Lispector. Ao blog, Cristina Peri Rossi falou sobre suas leituras marcantes.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

CPR – Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Li com 11 anos, como muitas meninas da minha geração, e me identifiquei com Jo, a irmã “rara”, que não brinca com bonecas, sobe em árvores e quer ser escritora. Possivelmente não foi o primeiro livro que li, mas o primeiro a me mostrar que era possível ser mulher e escritora.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

CPR – O segundo sexo, de Simone de Beauvoir, que li aos 16 anos e me ensinou a história da discriminação do sexo feminino, suas lutas pela igualdade e pelas injustiças às quais somos submetidas. Continua sendo um pilar fundamental para qualquer mulher que queira conhecer seu gênero e seu sexo. Por sorte não é mais o único.

SM – O que você está lendo agora?

CPR – Un día en la vida de una mujer sonriente (Um dia na vida de uma mulher sorridente, sem tradução no Brasil), de Margaret Drabble, recentemente traduzido para o castelhano. É uma narradora excelente, quase desconhecida fora de seu país, e que escreve uns relatos tão penetrantes sobre a psicologia feminina quanto Clarice Lispector, por exemplo. E Contos completos, de Lydia Davis. Outra norte-americana, esta contemporânea, que reelabora a estrutura do gênero conto e às vezes é fascinante.

Foto: Divulgação/ Lil Castagnet

Os livros da vida de Ronaldo Bressane

Yo+PB_Rafael+RoncatoEscritor, jornalista e professor de escrita criativa, Ronaldo Bressane é autor de livros de vários gêneros – contos, poesia, romance e infantojuvenil. Recentemente, lançou Escalpo (Reformatório), romance sobre um desenhista em crise que empreende uma jornada por várias cidades, que foi escrito durante a primeira residência literária do Sesc em Paraty. Aqui, ele fala sobre suas leituras marcantes.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

RB – Dizem que não se lê um livro pela capa, o que é um lugar tão comum quanto mentiroso. Só uma pessoa muito superficial não se fia pelas aparências, já dizia Oscar Wilde. Portanto aquele livro de capa preta em que um personagem com pique de mago ou bruxo olhava ameaçadoramente para mim ao lado de seu gato – tudo isso sob as inscrições góticas em dourado Histórias extraordinárias – só podia ser bom. E, do alto das minhas espinhas de adolescente, eu vi que era bom. Até hoje releio todo ano a antologia de contos de Poe, pra ver se descubro algum mistério escondido (sempre descubro). Além de me ensinar todas as mumunhas do conto, da ficção de terror, da policial e da ficção científica, Poe me ensinou que as aparências nunca enganam.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

RB – Não dá pra dizer isso, porque afinal eu vivi 47 anos até agora, 44 deles lendo todo tipo de coisa, e a cada momento sendo jogado pra uma direção diferente. O Poe aí em cima foi um deles, aos 12, daí aos 15 teve os contos do Kafka, aos 18 os poemas do Baudelaire, aos 20 a obra do Drummond e de Mark Strand, depois vieram As armas secretas do Cortázar, as Ficções do Borges, as putarias de Hilst, Roth, Bataille e Miller, os androides do Philip K. Dick, os mutantes do Agrippino, os alumbramentos da Clarice e do Braga, os andarilhos do Noll, as mulheres do Sérgio Sant’Anna, lá pelos 30 os detetives do Bolaño… Não posso dizer que teve um livro que mudou minha vida, a cada dia posso pensar num nome.  Mas vou chutar um, nem tão canônico assim: Vastas emoções e pensamentos imperfeitos. Não é o melhor Rubem Fonseca, mas foi o primeiro que li dele, e um livro que me deu uma dica de como a beleza e a violência podem coexistir em uma escrita límpida e surpreendente.

SM – O que você está lendo agora?

RB – Leio muita coisa ao mesmo tempo e muita coisa eu sequer termino, dependendo da programação da Netflix. As últimas coisas que me impressionaram foram As coisas que perdemos no fogo, de Mariana Enríquez, O palácio da memória, do Nate DiMeo, e Morri por educação, da Nathalie Lourenço, três grandes contistas, e o romance Receita para se fazer um monstro, do Mário Rodrigues. Ontem terminei A coisa mais próxima da vida, de James Wood, excelente. No momento estou lendo os últimos do Sérgio Sant’Anna (Anjo noturno) e do Joca Terron (Noite dentro da noite: uma autobiografia); Zero K, do Don DeLillo; Acerto de contas (uma antologia de ficção latino-americana); Câmera lenta, da Marilia Garcia; e, para tirar ideias pro meu laboratório de ficções breves, reli Final do jogo, do Cortázar. Mas semana que vem tudo pode mudar…

Os livros da vida de Heloisa Prieto

10608699_852415774769947_3564972013852424074_oEscritora, pesquisadora e tradutora, com mestrado em comunicação e semiótica, e doutorado em teoria literária, Heloisa Prieto tem mais de 70 livros, vários deles premiados. Os mais recentes são O guardião da floresta e outras histórias que você já conhece (Brinque Book), o quarto em parceria com a ilustradora Laurabeatriz, e Os castelos de Celeste (Bamzoozinho), ilustrado por Florence Breton. Aqui ela fala sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

HP – O primeiro livro marcante foi uma antologia de contos portugueses, da Vecchi. Ela me ofereceu a história da princesa que não queria aprender a ler, que mais tarde, já adulta, pude recontar.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

HP – O livro que mais marcou minha vida foi Tao Te king, de Lao Tse.

SM – O que você está lendo agora?

HP – Agora estou lendo Ireland´s wild plants, de Niall Mac Coitir, um livro sobre as plantas silvestres da Irlanda, seus mitos, lendas e folclore. Ele tem lindas ilustrações, é uma maravilha.

Os livros da vida de Sofia Silva

sofiaCom mais de um milhão de visualizações no Wattpad e mais de 700 mil leituras no Kindle Unlimited da Amazon, a jovem escritora portuguesa Sofia Silva vem lançar Sorrisos quebrados (Valentina) na Bienal do Livro Rio. Ela participa do evento neste sábado, às 11h, no Encontro com Autores, e depois autografa o livro na Praça Copacabana do Riocentro, das 15h às 18h. Nos dias 7 e 10, faz novas sessões de autógrafos no estande da editora, no pavilhão Azul, E18. O público paulista vai vê-la já nesta quarta-feira, na Saraiva do Shopping Center Norte (Travessa Casalbuono, 120), das 18h às 22h. O livro, que aborda temas como violência doméstica, depressão, deficiência física e abuso sexual, faz parte da série Quebrados, que reúne ainda outros três títulos. Corações quebrados será publicado pela Valentina em 2018. Aqui, Sofia fala sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

SS – A série Uma Aventura, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Livros infantis sobre as aventuras de cinco jovens por diversos lugares. 

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

SS – É complicado quando foram tantas as boas leituras, mas A lua de Joana, da Maria Teresa Maia Gonzalez, que retrata a vida de jovens e as consequências da toxicodependência, foi a minha primeira leitura de adolescente e o momento em que percebi o poder de uma história.

SM – O que você está lendo agora?

SS – Estou a reler Sozinhos na ilha, da autora Tracey Garvis-Graves.

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