Três perguntas para Joselia Aguiar

34663145240_023396bcf8_kA menos de uma semana do início da Festa Literária Internacional de Paraty, que este ano vai homenagear Lima Barreto, a curadora Joselia Aguiar conversou rapidinho com o blog. Confira:

SM – A Flip 2017 tem uma maior participação de escritoras mulheres e autores negros, e o homenageado já era uma luta sua. Olhando para a programação, como você define a Flip da curadora Joselia Aguiar?

JA – Já ouvi autores e leitores dizendo que é a Flip da resistência, a Flip negra e feminina. Acho que é uma Flip plural com autores e autoras absolutamente singulares.

SM – Tendo feito a cobertura jornalística de várias edições, qual o maior desafio que enfrentou na curadoria, estando agora à frente do evento?

JA – Fazer com que as mesas tenham mais literatura, já que nem sempre contribuem para manchetes. E mesmo assim não deixamos de tocar naquela que é a grande questão brasileira, a desigualdade social e racial.

SM – Toda edição tem aquela mesa que se destaca, a musa, o autor que bomba. Quais são as suas apostas para este ano?

JA – Difícil dizer, para o curador todas são fortes. Acho que a série Fruto Estranho vai causar muito impacto, até por ser uma proposta totalmente nova dentro do programa.

Foto: Divulgação

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Inscrições abertas para a segunda edição do Prêmio Retratos da Leitura

unnamedEstão abertas as inscrições para o 2º Prêmio Retratos da Leitura, organizado pelo Instituto Pró-Livro, que realiza a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. O prêmio se destina a projetos que fazem parte da Plataforma Pró-Livro, mas vale lembrar que mesmo projetos já cadastrados na plataforma precisam de inscrição. No ano passado foram contemplados projetos como Skoob, Expedição Vaga Lume, Companhia das Letras – Projeto Clube de leitura com remição de pena, Rede Bibliotecas Parque Estadual do Rio de Janeiro e Globo News Literatura. Para a edição de 2017, as inscrições vão de primeiro a 31 de agosto. Basta acessar a Plataforma Pró-Livro (www.plataforma.prolivro.org.br). Como no ano anterior, serão escolhidos projetos em quatro categorias: Empresas da cadeia produtiva do livro; Organizações Sociais; Mídia; Bibliotecas públicas e comunitárias. Uma equipe de especialistas fará uma seleção prévia dos finalistas e uma comissão de jurados elegerá três vencedores para cada uma das categorias. A entrega da segunda edição do prêmio ocorrerá em novembro de 2017. Além de ser um reservatório de projetos de incentivo à leitura, a Plataforma Pró-Livro também possibilita o intercâmbio de informações, pois oferece espaço para fóruns de discussões, acervo digital de estudos, teses, publicações e artigos voltados à leitura, alimentado pelos próprios usuários e, também pela curadoria do IPL.

Uma reflexão bem humorada sobre a alimentação

Dona Boca e a Revolta do CorpoDona Boca e a revolta do Corpo (Cativar) aborda de maneira divertida a importância da alimentação saudável. O texto de Josué Limeira, com ilustrações de Guilherme Gomes, incentiva os pequenos a adotar um cardápio mais diversificado e rico e mostra a grande confusão que acontece com essa turminha, proporcionando ao leitor momentos de boas risadas e reflexão sobre o assunto. Pernambucano de Recife, Limeira foi finalista do Prêmio Jabuti 2016 com O Pequeno Príncipe em cordel, adaptação bem brasileira do clássico do francês Antoine de Saint-Exupéry, que vendeu mais de 8 mil exemplares e foi adotada por 24 escolas.

Flip anuncia programação para crianças e jovens

47696842804-672Na Flip da Igreja da Matriz, a praça vai manter os tradicionais pés de livros e a programação voltada para crianças, na Flipinha, e adolescentes, na Flipzona, mas que interessam ao público em geral. A novidade fica por conta dos Cortejos Literários. No Auditório da Praça, dentro da igreja, as mesas do Território Flip | Flipinha discutem a vivência local a partir das sabedorias ancestrais, as identidades e relações de cor nos países lusófonos e o olhar para o mundo por meio da literatura. A FlipZona, na Casa da Cultura, terá exibição de filmes e minidocumentários seguidos de debates, mesas literárias sobre novas formas de linguagem e rodas de conversa destacando a leitura como um direito humano. Confira a programação completa para o evento, que vai de 26 a 30 de julho em Paraty:

 

Programa Flipinha e FlipZona

 

26, quarta

 

10h | sessão de cinema | Casa da Cultura

Kiriku, os Homens e as Mulheres

Anim., França, 2012, 82 min.

Exibição de filme seguida de debate

 

13h | roda de conversa | Casa da Cultura

Leitura: um direito humano

mediação: Bernadete Passos

 

15h30 | sessão de cinema | Casa da Cultura

Jonas e o Circo sem lona

Doc., Brasil, 2016, 82 min.

Exibição de filme seguida de debate

 

27, quinta

 

10h | Território Flip / Flipinha | Auditório da Praça

Mesa Zé Kleber – Aldeia

Álvaro Tukano

Ivanildes Kerexu Pereira da Silva

Laura Maria dos Santos

 

10h | sessão de cinema | Casa da Cultura

Waapa

Doc., Brasil, 2017, 22 min.

Meninos e Reis

Doc., Brasil, 2015, 16 min.

Disque Quilombola

Doc., Brasil, 2012, 13 min.

Curtas do Território do Brincar

Doc., Brasil, 2012, 12 min. Exibição de filmes seguida de debate

 

11h30 | Central Flipinha

Cortejo literário

Julián Fuks

 

13h | roda de conversa | Casa da Cultura

Pacto pela leitura

mediação: Pilar Lacerda

 

14h30 | Central Flipinha

Cortejo literário

Ovídio Poli Jr.

 

15h30 | sessão de cinema | Casa da Cultura

A família Dionti

Fic., Brasil e Ingl., 2015, 96 min.

Exibição de filme seguida de debate

 

28, sexta

 

10h | Território Flip / Flipinha | Auditório da Praça

A pele que habito

Joana Gorjão Henriques

Lázaro Ramos

 

10h | sessão de cinema | Casa da Cultura

Minidocs Paraty

mediação: Rodrigo Fonseca

comentários: Lucas Paraizo

 

11h15 | páginas anônimas | Casa da Cultura

Prosa: a literatura que o Brasil faz e você desconhece

Evanilton Gonçalves

Geovani Martins

Paloma Amorim

mediação: Antonio Prata

 

11h30 | Central Flipinha

Cortejo literário

Flávio de Araújo

 

13h30 | Central Flipinha

Meditação guiada

Arte de viver

 

14h30 | Central Flipinha

Cortejo literário

Djaimilia Pereira de Almeida

 

15h | mesa literária | Casa da Cultura

Literatura em todas as plataformas

Anderson França

Cássio Aguiar

Cris Salles

mediação: Cauê Fabiano

 

17h | páginas anônimas | Casa da Cultura

Música: a literatura que o Brasil faz e você desconhece

Ana Frango Elétrico

Blackyva

Matheus Torreão

mediação: Rodrigo Fonseca

 

19h | Casa da Cultura

Pocket show

Ana Frango Elétrico

Blackyva

Matheus Torreão

 

29, sábado

 

10h | Território Flip / Flipinha | Auditório da Praça

Ler o mundo

Edimilson de Almeida Pereira

Prisca Agustoni

 

10h | páginas anônimas | Casa da Cultura

Poesia: a literatura que o Brasil faz e você desconhece

Caio Carmacho

João Pedro Fagerlande

Maria Isabel Lorio

mediação: Bianca Ramoneda

 

11h30 | Central Flipinha

Cortejo literário

Noemi Jaffe

 

12h | Praia do Pontal

Regata INP Flipinha

 

12h | mesa literária | Casa da Cultura

Assista a esse livro

Fernanda Torres

Jorge Furtado

Maria Camargo

mediação: Edney Silvestre

 

13h30 | Central Flipinha

Meditação guiada

Arte de viver

 

14h30 | Central Flipinha

Cortejo literário

Paloma Amado

 

15h | sessão de cinema | Casa da Cultura

Minidocs Paraty

 

16h | Praia do Pontal

Premiação da Regata INP Flipinha

 

16h15 | mesa literária | Casa da Cultura

Corpo: artigo indefinido

Beatriz Resende

Gabriela Moura

Jaqueline Gomes de Jesus

mediação: Bianca Ramoneda

 

30, domingo

 

10h | Território Flip / Flipinha | Auditório da Praça

Todas as idades

Ana Miranda

Maria Valéria Rezende

 

11h30 | Central Flipinha

Cortejo literário

Jacques Fux

 

13h30 | Central Flipinha

Cortejo literário

Prisca Agustoni

Evento no centro de São Paulo discute o protagonismo feminino na literatura

O coletivo #KDmulheres promove neste sábado às 16h na Praça Franklin Roosevelt, 100 (centro de São Paulo) o bate-papo Escritas Urbanas, com a poeta Elizandra Souza (no alto, à direita) e a DJ Luana Hansen (foto da esquerda), e uma intervenção cenopoética do Sarau das Pretas. Luana tem 17 anos de carreira no hip-hop, é lésbica assumida e milita em questões feministas e LGBT. Já Elizandra escreve há 16 anos, é autora dos livros Punga e Águas da Cabaça e integrante do coletivo Sarau das Pretas, que propõe reflexões sobre a mulher negra na escrita e no mundo. A mediação é da jornalista Lívia Lima, que faz parte do coletivo Nós, mulheres da periferia. O debate encerra um ciclo do projeto Resgate, Inclusão e Protagonismo de Mulheres Escritoras, contemplado pelo edital municipal Redes e Ruas no último ano. Informações no portal http://kdmulheres.com.br.

Fotos: Divulgação

Flip 2017 disponibiliza amanhã segundo lote de ingressos

Captura de Tela 2017-07-13 às 09.04.04Quem não conseguiu comprar ingressos para a 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, que será realizada de 26 a 30 de julho, tem mais uma chance amanhã. A partir das 10h, será disponibilizado um segundo lote de ingressos das mesas literárias do Programa Principal, no Auditório da Matriz. Os ingressos estarão à venda até o dia 25 de julho, ou até que estejam esgotados, pelo site da Tickets for Fun (http://premier.ticketsforfun.com.br/) e pontos de venda autorizados (http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=pdv). Os ingressos custam R$ 55 (inteira) e R$ 27,50 (meia-entrada) por mesa.

Três perguntas para Andréa Zamorano

AndreaZamorano_ExtMorando em Lisboa há 25 anos, a carioca Andréa Zamorano estreia na literatura com A casa das rosas, romance trágico com um toque de fábula e outro de realismo fantástico, que tem como cenário a transição entre a ditadura e o regime democrático no Brasil, no início da década de 1980. O livro, que saiu em 2015 em Portugal e conquistou o prêmio Livro do Ano da Revista TimeOut Lisboa, chega agora ao Brasil pela Tinta Negra. Na Festa Literária Internacional de Paraty, Andréa vai participar de um bate-papo com José Eduardo Agualusa na Casa Amado e Saramago, no dia 27 de julho, às 15h. Logo depois, no dia 1º de agosto, às 19h, faz um lançamento no Rio de Janeiro, com apresentação de Sérgio Rodrigues, na Livraria da Travessa de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572). Em Portugal, Andréa é proprietária, junto com o marido, Rui, de vários restaurantes em Lisboa, entre eles, a badalada Hamburgueria Gourmet – Café do Rio. Também assina uma coluna com textos de ficção na revista digital Blimunda, da Fundação José Saramago. Aqui, ela fala sobre seu romance.

SM – Nascida no Rio de Janeiro e morando há tantos anos em Portugal, por que resolveu situar seu primeiro romance em São Paulo nos anos 1980, focando no período das Diretas Já?

AZ – Quando estava criando Eulália, a personagem central da trama, imaginei-a prisioneira inadvertida na sua própria vida, na sua casa. Como se ela soubesse e, ao mesmo tempo, não soubesse que estava asfixiada, encerrada numa redoma de luxo e autoritarismo exercido por um pai repressor, Virgílio. Na narrativa há um momento em que Eulália “ganha mundo”, foge da tirania, contudo, o mundo que encontrará está em ebulição é caótico e adverso. Só uma cidade enorme e avassaladora poderia, no meu ponto de vista, comunicar essa sensação de abandono e errância que Eulália experienciará na busca. Poderia ter sido Tóquio, Nova Iorque ou a Cidade do México, mas uma vez que decidi localizar a história no Brasil, São Paulo era a única cidade com a dimensão que procurava. Para além disso, São Paulo foi palco das maiores manifestações populares no período das Diretas Já. O que reforçou a ideia de localizar a ação na cidade. Tenho também de confessar que adoro São Paulo. Não sei dizer até que ponto isso influenciou a minha escolha mas, com certeza, terá tido o seu peso. A casa das rosas é, sobretudo, um romance que procura dar voz à liberdade. O período das Diretas Já era um clamor nacional. O Brasil precisava encontrar quem era, tal como Eulália, e o período das Diretas Já catalisava o desejo de mudança. Era uma voz uníssona de esperança que a população experimentava pela primeira vez em décadas. Eulália – assim como o Brasil de hoje – precisava dessa possibilidade, dessa confiança de que se lutarmos, podemos ser livres.

SM – Por que optou por misturar o português falado no Brasil e em Portugal?

AZ – Na verdade, não optei. Essa é a forma como falo hoje. Estando radicada há 25 anos em Lisboa, como é natural, fui agregando a variante que ouço todos os dias. O meu marido, as nossas filhas, os amigos e até os nossos clientes são maioritariamente portugueses, o meu falar acabou por se tornar aberto a essas influências, mais plural. Já não sou capaz de dissociar onde começa o Brasil e acaba Portugal. Tudo se fundiu em mim. Em Lisboa coexistem ainda outras variantes da língua que não só a portuguesa ou a brasileira. Há muitos cabo-verdianos, angolanos, moçambicanos, goeses; já para não falar nos emigrantes portugueses que, ao regressarem, trazem para a língua marcas da sua hibridização noutras culturas. Lisboa é uma efervescência onde está sempre borbulhando um bom caldo de diversidades linguísticas. Como resistir?

SM – De que forma seu dia a dia nos restaurantes, entre eles o Café do Rio, ajuda no seu trabalho como escritora? Como conciliar?

AZ – Se por um lado conciliar é a parte mais difícil, por outro é a que enriquece o processo criativo. Trabalho fundamentalmente no Café do Rio – para nossa sorte um restaurante bastante conhecido aqui em Lisboa – como tal, muito concorrido. O que faz com que tenhamos sempre movimento: ora estão a chegar os clientes, ora é um fornecedor com uma entrega que tem de ser descarregada e paga, ora um funcionário que requer mais atenção. Parece até que o trabalho não acaba nunca. Mas é no meio dessa azáfama toda que também vão surgindo as palavras, as frases soltas e as histórias. Vou prestando atenção no que as pessoas dizem, no que me contam; de quando em quando, até no que ficar por dizer. Porque a escrita tantas vezes é um lugar depois da fala mas outras é o lugar do não dito. Nessa dinâmica, uso o que ouço para tentar imprimir mais realidade às histórias que vou tentando contar. O Café do Rio é mesmo um manancial de oportunidades.

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