Francis Hime esmiúça seus clássicos da MPB

unnamedNesta quinta-feira, Francis Hime lança na Livraria da Vila (Alameda Lorena 1.731 – São Paulo), às 19h, Trocando em miúdos as minhas canções (Terceiro Nome), em que descreve e comenta seu processo de criação, examinando várias circunstâncias e influências presentes na elaboração de suas obras. Com quase 60 parceiros, alguns do quilate de Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Paulo César Pinheiro, Francis esmiúça em dez capítulos curiosidades sobre sua atuação profissional e sua formação pessoal, e relembra a criação de grandes clássicos da música popular brasileira, como Vai passar, Atrás da porta Trocando em miúdos, e algumas trilhas de cinema. A análise e citação de suas composições, bem como de compositores que o influenciaram, vem acompanhada de uma gravação que pode ser ouvida por meio de 352 QR-Codes distribuídos ao longo do livro, nos quais Francis analisa o caminho que possivelmente seguiu ao compor determinada canção. Cerca de 150 canções foram gravadas em estúdio no formato piano e voz pelo próprio Francis, especialmente para o livro, e outra parte são fonogramas que já existiam, com amigos que fizeram questão de participar desta celebração.

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Os livros da vida de Ronaldo Bressane

Yo+PB_Rafael+RoncatoEscritor, jornalista e professor de escrita criativa, Ronaldo Bressane é autor de livros de vários gêneros – contos, poesia, romance e infantojuvenil. Recentemente, lançou Escalpo (Reformatório), romance sobre um desenhista em crise que empreende uma jornada por várias cidades, que foi escrito durante a primeira residência literária do Sesc em Paraty. Aqui, ele fala sobre suas leituras marcantes.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

RB – Dizem que não se lê um livro pela capa, o que é um lugar tão comum quanto mentiroso. Só uma pessoa muito superficial não se fia pelas aparências, já dizia Oscar Wilde. Portanto aquele livro de capa preta em que um personagem com pique de mago ou bruxo olhava ameaçadoramente para mim ao lado de seu gato – tudo isso sob as inscrições góticas em dourado Histórias extraordinárias – só podia ser bom. E, do alto das minhas espinhas de adolescente, eu vi que era bom. Até hoje releio todo ano a antologia de contos de Poe, pra ver se descubro algum mistério escondido (sempre descubro). Além de me ensinar todas as mumunhas do conto, da ficção de terror, da policial e da ficção científica, Poe me ensinou que as aparências nunca enganam.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

RB – Não dá pra dizer isso, porque afinal eu vivi 47 anos até agora, 44 deles lendo todo tipo de coisa, e a cada momento sendo jogado pra uma direção diferente. O Poe aí em cima foi um deles, aos 12, daí aos 15 teve os contos do Kafka, aos 18 os poemas do Baudelaire, aos 20 a obra do Drummond e de Mark Strand, depois vieram As armas secretas do Cortázar, as Ficções do Borges, as putarias de Hilst, Roth, Bataille e Miller, os androides do Philip K. Dick, os mutantes do Agrippino, os alumbramentos da Clarice e do Braga, os andarilhos do Noll, as mulheres do Sérgio Sant’Anna, lá pelos 30 os detetives do Bolaño… Não posso dizer que teve um livro que mudou minha vida, a cada dia posso pensar num nome.  Mas vou chutar um, nem tão canônico assim: Vastas emoções e pensamentos imperfeitos. Não é o melhor Rubem Fonseca, mas foi o primeiro que li dele, e um livro que me deu uma dica de como a beleza e a violência podem coexistir em uma escrita límpida e surpreendente.

SM – O que você está lendo agora?

RB – Leio muita coisa ao mesmo tempo e muita coisa eu sequer termino, dependendo da programação da Netflix. As últimas coisas que me impressionaram foram As coisas que perdemos no fogo, de Mariana Enríquez, O palácio da memória, do Nate DiMeo, e Morri por educação, da Nathalie Lourenço, três grandes contistas, e o romance Receita para se fazer um monstro, do Mário Rodrigues. Ontem terminei A coisa mais próxima da vida, de James Wood, excelente. No momento estou lendo os últimos do Sérgio Sant’Anna (Anjo noturno) e do Joca Terron (Noite dentro da noite: uma autobiografia); Zero K, do Don DeLillo; Acerto de contas (uma antologia de ficção latino-americana); Câmera lenta, da Marilia Garcia; e, para tirar ideias pro meu laboratório de ficções breves, reli Final do jogo, do Cortázar. Mas semana que vem tudo pode mudar…

Jornada de Passo Fundo começa logo mais

Captura de Tela 2017-10-02 às 11.26.29Começa hoje e vai até sexta-feira a 16ª. edição da Jornada Nacional de Literatura. O evento bienal, realizado há 36 anos em Passo Fundo (RS), vai reunir cerca de duas mil pessoas acompanhando a programação principal e 20 mil crianças e adolescentes participando da Jornadinha Nacional de Literatura, em sua oitava edição. Há ainda conferências sobre vários temas, seminários, oficinas e grupos de pesquisa, além de exposições de arte, mostra de fotografias e feira literária. Entre os convidados deste ano estão nomes como Conceição Evaristo, Marina Colasanti, Affonso Romano de Sant’Anna, Ondjaki e Roger Mello. Os homenageados serão Clarice Lispector, Ariano Suassuna, Moacyr Scliar e Carlos Drummond de Andrade. Na abertura, serão entregues os prêmios do 14º. Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães e será apresentado o espetáculo Jornada de livros e sonhos, com a Cia da Cidade. A movimentação cultural de Passo Fundo rendeu à cidade o título de Capital Nacional da Literatura, reconhecida pela lei nº 11.264/2006, e de Capital Estadual de Literatura, pela lei nº 12.838/2007.

Anna Claudia Ramos: “Nunca uma diretoria destruiu o que a anterior havia feito, mas deu continuidade e avançou um pouco mais”

annaDentro da série de entrevistas com os presidentes da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), que está completando 18 anos, é a vez de conhecer a gestão de Anna Claudia Ramos, uma das fundadoras e presidente da instituição por dois mandatos, de 2007 a 2009 e 2009 a 2011. Escritora, professora de oficinas literárias e diretora do Atelier Vila das Artes, tem mais de 75 livros publicados e alguns prêmios. Participa de diversos projetos literários e de incentivo à leitura e percorre o país dando palestras e oficinas.

SM – O que é a AEILIJ pra você?

ACR – A criação da AEILIJ representou um sonho dos autores que escrevem para crianças e jovens. Tudo começou em 1998, quando um grupo de escritores e ilustradores de literatura infantil e juvenil, a partir de conversas informais, constatou que, apesar de sermos uma das forças mais importantes do mercado editorial, não tínhamos uma associação que servisse como nossa porta-voz, um espaço onde pudéssemos dialogar e debater. Até então, os encontros e reuniões esporádicas aconteciam em salões e feiras de livros pelo Brasil afora, ou nas tradicionais visitas às escolas. Nossos contatos limitavam-se, quase sempre, aos autores que viviam nos grandes centros urbanos. Os autores que residiam em cidades de pequeno e médio porte praticamente não tínhamos notícias. Vale lembrar que ainda não exista banda larga, e a internet ainda era discada naquele momento. O mundo virtual estava apenas começando… Um primeiro levantamento que fizemos mostrou que um número expressivo de autores, entre 300 e 500 autores, publicava obras de literatura para crianças e jovens em várias editoras. Essa constatação fortaleceu a demanda por uma associação que fosse representativa desse conjunto de profissionais. Acredito que cada vez mais, a AEILIJ vai precisar voar mais alto, mais longe, se profissionalizar e continuar abrindo espaços em torno das discussões que tangem os assuntos ligados à LIJ nos mais diversos espaços, porque desde a sua criação muita coisa mudou. As novas mídias aproximaram pessoas, modificaram relações. Então, penso que a nova gestão deve dar um pulo em direção a projetos de incentivo à leitura, orientando cada vez mais os novos autores, mas sem perder de vista a discussão política e estética sobre o livro e a leitura. Mas no fundo, a AEILIJ é um ponto de encontro da turma que escreve para crianças e jovens.

SM – O que você destaca de mais importante da sua gestão?

ACR – A cada mandato, cada presidente e sua diretoria foram fortalecendo o nome da AEILIJ. Nunca uma nova diretoria destruiu o que a anterior havia feito, mas sim deu continuidade e avançou um pouco mais em suas ações e projetos e, claro, imprimindo sua marca mais pessoal. Com isso, a AEILIJ se estabeleceu como uma instituição séria e respeitada por diversos órgãos governamentais e instituições ligadas ao livro e leitura em diversos estados brasileiros. Minha gestão ficou marcada por diferentes frentes. A luta por um lugar especial para a literatura na escola. A continuidade e a presença forte da AEILIJ na Câmara Setorial do Livro, Literatura e Leitura e nas Discussões sobre a Lei dos Direitos Autorais (que estava “pegando fogo” na época), participando de diferentes fóruns e encontros junto com MINC. Conseguimos, inclusive, impulsionar um seminário que foi organizado pelo MEC e MINC e PNLL para debater sobre o papel da literatura na escola. Nossa presença e voz ativa nestes fóruns foi fundamental para a AEILIJ ganhar credibilidade perante outras instituições. Também criamos a Expo Cores e Formas, fizemos uma festa para comemorar os 10 anos da associação, com patrocínio de diversas editoras. Criamos o Discussões AEILIJ, fortalecemos ainda mais as regionais, sobretudo no RS, onde fizemos por anos o Seminário de LIJ da AEILIJ. Criamos a AEILIJ Solidária, fazendo parcerias com a Fundação Dorina Nowill para Cegos e o Solar Literário, um projeto de leitura para o Solar Meninos de Luz. Demos continuidade a tudo que já vinha acontecendo na AEILIJ, como as bem-sucedidas parcerias com o programa educativo da FLIP (Cirandas dos Autores, que bolamos quando eu estava de Coordenadora de Comunicação e Estética na gestão do Luiz Antonio Aguiar), com a FNLIJ (Seminários e Eventos, tais como Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens) e com o site Dobras da Leitura (Trevo de Leituras). Criamos um site novo, que para a época pré-redes sociais foi uma novidade, pois os autores tinham uma página no site, com espaços para textos, foto e imagens, e que poderia ser totalmente administrada de forma independente por cada um.

Captura de Tela 2017-09-26 às 23.26.43SM – Foi na AEILIJ que você criou a campanha Autor não é brinde!

ACR – Estávamos cansados de sermos chamados para eventos sem receber cachê, ou para ir a escolas que nem tinham adotado nossos livros, mas que queriam nossa presença. Estávamos cansados de ouvir que escolas levavam atores de TV para festas de fim de ano pagando um bom cachê e quando nos convidavam sequer tocavam neste assunto. O texto que produzi na época ainda está atual. (Leia em http://annaclaudiaramos.com.br/arquivos/16094)

SM – O que você deixou de legado para a gestão seguinte?

ACR – A certeza que poderíamos trabalhar em equipe, sem competições internas, mas nos fortalecendo cada vez mais. Trabalhamos o tempo todo compartilhando ações, pensamentos e nos fortalecendo, sabendo que deveríamos estar sempre unidos e lutando pelo que acreditávamos. Mas acho que as respostas anteriores já falam um pouco sobre o que deixamos como legado.

 

Campanha na internet busca manter jornal de resenhas literárias

Caparascunho_208_book-1O Rascunho, uma das mais importantes publicações literárias do país, criada em Curitiba em 8 de abril de 2000 pelo jornalista e escritor Rogério Pereira, está com uma campanha de crowdfunding, que conta com o apoio de escritores como João Carrascoza, Luiz Ruffato e Milton Hatoum. A ideia é garantir a longevidade e relevância do jornal, que reúne resenhas, ensaios, entrevistas e textos de ficção há 208 edições. Além de aperfeiçoar o projeto gráfico, o jornal precisa reestruturar a área comercial, investir em um novo site, melhorar as plataformas digitais e, o mais importante, ampliar o número de páginas. Para ajudar a viabilizar esses avanços, é só acessar https://www.catarse.me/jornalrascunho?ref=ctrse_explore_pgsearch&project_id=61846&project_user_id=800804As doações começam em R$ 20. A meta é atingir R$ 80 mil até o dia 9 de outubro.

Os livros da vida de Heloisa Prieto

10608699_852415774769947_3564972013852424074_oEscritora, pesquisadora e tradutora, com mestrado em comunicação e semiótica, e doutorado em teoria literária, Heloisa Prieto tem mais de 70 livros, vários deles premiados. Os mais recentes são O guardião da floresta e outras histórias que você já conhece (Brinque Book), o quarto em parceria com a ilustradora Laurabeatriz, e Os castelos de Celeste (Bamzoozinho), ilustrado por Florence Breton. Aqui ela fala sobre suas leituras favoritas.

SM – Qual o primeiro livro do qual você tem lembrança?

HP – O primeiro livro marcante foi uma antologia de contos portugueses, da Vecchi. Ela me ofereceu a história da princesa que não queria aprender a ler, que mais tarde, já adulta, pude recontar.

SM – Que livro mais marcou a sua vida?

HP – O livro que mais marcou minha vida foi Tao Te king, de Lao Tse.

SM – O que você está lendo agora?

HP – Agora estou lendo Ireland´s wild plants, de Niall Mac Coitir, um livro sobre as plantas silvestres da Irlanda, seus mitos, lendas e folclore. Ele tem lindas ilustrações, é uma maravilha.